[Selo e Sê-lo] 8| Faróis de Portugal

Encontrámos três edições de selos relativos a Faróis – datadas de 1987, 1996 e 2008.
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No dia 12 de Junho de 1987 foi emitida pelos CTT – Correios de Portugal uma colecção de selos, da autoria de Maluda. Terminaram a sua circulação em 31 de Dezembro de 1992.
Os Faróis escolhidos para esta colecção foram o de Aveiro, da Ilha da Berlenga, do Cabo Mondego e do Cabo de São Vicente.
Em 1996, Faróis dos Açores

Em 19 de Junho de 2008, outra edição. Desta feita uma colecção de 12 selos, com design Hélder Soares do Atelier Acácio Santos. Para esta colecção foram escolhidos os Faróis de Esposende, do Cabo Espichel, de Leça,  do Penedo da Saudade, de Santa Marta, de Montedor, do Cabo da Roca,  do Cabo Sardão, do Cabo de São Vicente e o Farol do Bugio. Valor de 30 cêntimos. Os dois das Regiões Autónomas – Farol da Ponta do Pargo (Madeira) e do Arnel (Açores) – com  valor de 61 cêntimos.farois 2008_1.jpg

ou, noutra versão,

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[Faróis: alumiar os acessos a Lisboa] S. Julião da Barra

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O Forte de S. Julião da Barra, erigido no local onde existia uma ermida em honra do padroeiro dos barqueiros, S. Gião, foi construído na segunda metade do séc. XVI, na Foz do Tejo, como um reforço da defesa da cidade de Lisboa e do seu porto, tendo sido considerado como o «Escudo do Reino».

A construção de uma fortificação na ponta onde existiria uma ermida sob a invocação de São Gião, na margem direita da barra do rio Tejo, foi recomendada por D. Manuel I (1495-1521) a seu filho e sucessor, D. João III (1521-1557).

Em 1549, D. João III criou o cargo de Mestre das Obras de Fortificação do Reino, lugares d’Além e Índias que confiou ao renomeado arquitecto Miguel de Arruda. Sabe-se que em 1559 foi lançado um tributo especial para uma edificação mais rápida e em 1568 era dada como concluída. Obras complementares prosseguiram em 1573, quando nas masmorras do forte eram detidos aqueles que aguardavam degredo, ocupados em trabalhos forçados nas obras da própria estrutura.

As tropas espanholas sob o comando do Duque de Alba cercaram o Forte pelo lado de terra, tendo se rendido ao fim de seis dias (13 de Agosto de 1580).  O Duque de Alba entregou ao arquitecto Giácomo Palearo o reforço da defesa do forte – foi corrigido o traçado do fosso, erguidas novas baterias, ampliou as defesas do flanco oeste. A partir de 1582 adicionaram-se os baluartes sob a invocação de São Filipe e de São Pedro. A partir de 1597 o engenheiro militar e arquiteto Leonardo Torriani, assumiu a direção das suas obras de ampliação e reforço. No conjunto, essas obras transformaram o Forte de São Julião na maior e mais poderosa fortificação do reino de Portugal, à época. No mesmo período, as instalações da fortificação passaram a ser utilizadas como prisão política do Estado português, função que se manteve nos séculos seguintes até à 1ª República portuguesa.

Na altura da Restauração da Independência, o Forte sofreu segundo cerco por terra, pelas tropas leais ao Duque de Bragança (Dezembro de 1640). E teve mais obras, a seguir.

O terramoto de 1755 causou graves danos, incluindo a queda do farol e da respectiva torre que se elevava no centro da praça. As obras de recuperação do farol implicaram na elevação da sua torre em trinta palmos de altura (cerca de seis metros), tendo voltado a funcionar em 1761.

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Quando do início da Guerra Peninsular, as tropas francesas de Napoleão Bonaparte, sob o comando do general Jean-Andoche Junot, alcançaram os limites de Lisboa a 30 de Novembro de 1807, tendo a vila de Oeiras e o Forte de São Julião sido transformados em Quartel-General das tropas de ocupação francesas sob o comando do general Jean-Pierre Travot, enquanto a barra do rio Tejo era bloqueada pela marinha inglesa. O forte só passou para as mãos britânicas após a Convenção de Sintra, em 2 de Setembro de 1808.

A partir de 1809, o Forte de São Julião, o mais importante da linha de Oeiras (que constituía a terceira das quatro linhas defensivas de Lisboa, as famosas Linhas de Torres), voltou a ter um Governador militar português.

Desde os meados do séc. XVIII funcionou essencialmente como aquartelamento e prisão de Estado. Um dos detidos mais famosos foi o general Gomes Freire de Andrade, acusado de suposto envolvimento numa conspiração contra a presença inglesa. Executado, o seu corpo foi queimado e as suas cinzas deitadas ao rio Tejo em 18 de Outubro de 1817.

Mais recentemente, residência oficial do Ministro da Defesa Nacional.

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Fotos agosto 2015

Cf.
De sinalizador a atractivo cultural: faróis portugueses numa perspectiva turística

Faróis: alumiamento dos acessos das barras

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Do azeite ao petróleo, do petróleo ao gás, do gás à electricidade,  espelhos, reflectores e lentes, mecanismos de rotação – os meios foram mudando mas a ideia, essa, manteve-se a mesma: avisar os navegadores da presença de terra.

Em Portugal, no século XVI, surgiram faróis no Cabo de S. Vicente, em Cascais (Nossa S.ª da Guia) e de no Douro (Nossa S.ª da Luz) tendo sido este o primeiro farol realmente edificado,  em 1761 a norte da barra do Rio Douro, e que já não existe (fonte aqui).

só em 1758, por alvará pombalino, os faróis passam a ser uma organização oficial, sendo a sua edificação da responsabilidade da Junta de Comércio; este alvará manda edificar seis faróis, tendo vindo a concretizar-se os de N. S.ª da Guia (1761), Cabo da Roca (1772), S. Julião, Bugio e Serra da Arrábida (1775). Em 1790 surgiriam os do Cabo Carvoeiro e Cabo Espichel. Em 1835, com o serviço de faróis já dependente do Ministério da Fazenda, é autorizada a construção de mais cinco faróis: Berlenga (1840), Cabo de S. Vicente (1846), Cabo de Santa Maria (1851), e Cabo Mondego (1858).” (Direção de Faróis)

Em 1550, em pleno século XVI, em Portugal havia três faróis: S. Miguel-o-anjo (barra do Douro), Guia (barra de Lisboa) e S. Vicente.

farois portugal 1550

Os sítios apontados no alvará pombalino foram: ilhas Berlengas, Senhora da Guia (onde já existira outro), fortalezas de S. Lourenço (Bugio) e de S. Julião da Barra, e
nas proximidades da barra do Douro e na “altura” de Viana do Castelo. Ou seja: pretendia sinalizar-se as Berlengas e os acessos aos portos de Viana do Castelo, do Porto e de Lisboa (que o recente terramoto de 1755 havia destruído a sinalização existente).
Foi assim que surgiram, se bem que com alterações ao plano original e algum atraso (nos finais do reinado de D. José I e depois no reinado de D. Maria I), os faróis de Nossa Senhora da Luz, Nossa Senhora da Guia, Cabo da Roca, S. Julião, S. Lourenço (hoje conhecido por Bugio) e serra da Arrábida.
 Nossa Senhora da Luz (1761) foi o primeiro farol propriamente dito a funcionar em
Portugal e substituiu a luz que anteriormente era mantida por religiosos, no
mesmo lugar da barra do rio Douro.
 A Nossa Senhora da Guia (1761) em Cascais, substituiu a anterior torre, que também era mantida por religiosos e tinha sido muito danificada pelo terramoto de 1755, o qual, segundo consta, deixou a torre inclinada para Norte, por isso foi incluída no grupo de seis faróis, mandados edificar pelo alvará com força de lei de 1 de Fevereiro de 1758,“no sítio de Nossa Senhora da Guia, ou no mesmo lugar, onde antes o houve, ou em qualquer outro, que mais accommodado seja.” A construção da torre terminou em 1761, resultando no aspecto que hoje lhe conhecemos.
 Os faróis do Cabo da Roca (1772) e S. Lourenço (Bugio, 1775) completam o alumiamento dos acessos às barras de Lisboa.
Lista dos faróis no Século XVIII, construídos após o alvará de 1758.
No tempo de D. José I
1761 – Farol da Nossa Senhora da Luz (reconstrução de torre anterior) – torre de base quadrangular, de 11,6 m de altura. Altitude 53.5m . Na entrada da barra do Porto.

1761 – Farol de Nossa Senhora da Guia (construção de raiz que substitui uma torre antiga) – torre de base octogonal, de 23 m de altura.  Altitude de 39m. Em Cascais, à entrada da barra de Lisboa.

1761 – Farol de São Julião (reconstrução de uma torre anterior, acrescida de 6m) –  torre de base quadrangular, de 21m de altura. Altitude de 39. Na entrada da barra

de Lisboa.
1772 – Farol do Cabo da Roca (construído de raíz) –  torre de base quadrangularm de 6,1 m de altura. Altitude 137m. Farol de costa, a norte de Cascais.
1775 – Farol do Bugio (reerguido) – torre de base circular, de 9,7m de altura. Altitude de 28m. Na entrada da barra de Lisboa.

No tempo de D. Maria I

1790 – Farol do Cabo Carvoeiro (construído de raiz) –  torre de base quadrangular,  21m. Altitude de 57m. Farol de costa, península de Peniche.
1790 – Farol do Cabo Espichel (construído de raiz) – torre de base hexagonal, 23,9 m de altura. Altitude de 160m. Farol de costa, Sesimbra.
farois portugal 1860
Cf.
De sinalizador a atractivo cultural: faróis portugueses numa perspectiva turística

Gosto por faróis

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

“Farol” deriva da palavra grega Faros, nome da ilha próxima à cidade de Alexandria onde, no ano 280 a.C., foi erigido o farol de Alexandria — uma das sete maravilhas do mundo antigo. Considerada uma das maiores produções da técnica da Antiguidade, foi construído pelo arquiteto e engenheiro grego Sóstrato de Cnido por ordem de Ptolomeu.

Os faróis têm a finalidade de orientar os navegantes, garantindo um caminho seguro. São norteadores da aproximação a terra firme. Há muitos tipos de faróis no mundo, embora todos partilhem algumas características: em terra ou em rochedos na água, uma estrutura elevada (habitualmente uma torre) que emite luz e sinaliza, como estrela terrestre.

Em tempos antigos, e mais para o norte da Europa, era preciso ter cuidado… porque além dos faróis, também havia afundadores, falsos faróis que provocavam naufrágios para o saque dos destroços … A prática nunca vingou na nossa costa, porque os salvados de naufrágio pertenciam à Coroa e não de quem os recuperasse…

(imagem: farol do Porto de Sidney)