Antão Vaz de Almada

Antão Vaz de Almada, fidalgo filho de Lourenço Soares de Almada e Francisca de Távora, foi um dos conjurados do 1º de Dezembro de 1640 que patrocinou a realização no seu palácio de Lisboa, junto à Igreja de São Domingos, das últimas e decisivas reuniões dos conjurados e até é apontado como o líder do movimento.

Nasceu em 1573 e morreu a 17 de Dezembro de 1644. Títulos de 7.º conde de Avranches, 10.º senhor dos Lagares d’El-Rei, 5.º senhor de Pombalinho, comendador de dois terços de São Vicente de Vimioso na Ordem de Cristo e senhor de Reguengos de Aguiar.

Foi um dos principais “Quarenta Conjurados” que deram início ao golpe de estado de 1 de dezembro. E o seu nome e do seu filho constam, com ambas as presenças, no primeiro “Auto do Levantamento e Juramento d’ El-Rei Dom João IV” (de fidelidade) realizado no dia 15 de Dezembro de 1640.

Foi designado embaixador a Inglaterra para que aceitassem o Reino de Portugal como independente – ou seja,  obter do soberano inglês, Carlos I, o reconhecimento da independência de Portugal e de um tratado de paz e aliança comercial, o que conseguiu com êxito em 28 de Janeiro de 1641. Graças aos seus esforços diplomáticos, foi assinado um Tratado de Paz e Aliança entre Inglaterra e Portugal.

Fez parte do Conselho de Estado e da Guerra e teve como missão ser Governador das armas da Estremadura, em 1643, incluindo de Lisboa. Foi deputado à Junta dos Três Estados representando a nobreza.

Em Setembro de 1644, no exercício da função de Governador das armas da Estremadura, acorreu a auxiliar a vila de Elvas, onde veio a falecer. Foi sepultado na nave da igreja do convento de S. Francisco de Elvas.

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Do casamento com Isabel da Silva (sua prima) nasceram 18 filhos, 10 dos quais morreram em criança.

  • Lourenço de Almada, que morreu na costa de França no naufrágio da Armada, em 1627, com 22 anos, sob o comando de Manuel de Meneses.
  • Luís de Almada, 11.º senhor dos Lagares d’ El-Rei, 6.º senhor de Pombalinho, casado com Ana de Vilhena e Luísa de Menezes.
  • André de Almada, religioso na Ordem de Cristo em Tomar.
  • Francisco Lourenço Vaz de Almada, capitão da infantaria nos Exércitos do Alentejo, feito prisioneiro em 1644 na batalha do Montijo; esteve na missão a Inglaterra com seu pai;  foi sacerdote jesuíta trabalhando como professor na Universidade de Coimbra; morreu em Roma, como assistente da Província, no ano de 1683.
  • Antónia da Silva casada com Tristão da Cunha Ribeiro, senhor do morgado de Paio Pires e das Cachoeiras.
  • Luísa Maria da Silva, dama da rainha Luísa, casada com Diogo de Almeida, 2.º comendador de Santa Maria de Mesquitela, de S. Salvador de Ribas de Basto e das Duas Igrejas.
  • Catarina de Távora casada com António de Eça de Castro.
  • Ana da Silva, freira

Os Conjurados – Restauração de 1640

Os conjuração de 1640, Manuel Lapa, c. 1936. Imagem: almanaque silva
Os Conjurados.
Em 12 de Outubro de 1640, em casa do fidalgo D. Antão de Almada, reuniram-se D. Miguel de Almeida, Francisco de Melo e seu irmão Jorge de Melo, Pedro de Mendonça Furtado, António de Saldanha e João Pinto Ribeiro entre outros. Decidiram chamar o Duque de Bragança que se encontrava em Vila Viçosa para que este cumprisse o seu dever de defesa da autonomia e independência de Portugal assumindo o ceptro e a Coroa de Portugal.
Os conjurados eram originalmente 40 homens da nobreza portuguesa, sendo o grande impulsionador da causa João Pinto Ribeiro. Tiveram também apoio dos Jesuítas portugueses nomeadamente do Padre António Vieira e do Doutor D. André de Almada.” (fonte)
“A iniciativa de um punhado de homens arrojados surpreende Lisboa. Em poucas horas, o golpe vitorioso abre caminho à recuperação da independência. Por trás dos revoltosos, o herdeiro da Casa de Bragança já se manifestara disponível para encabeçar os destinos da Nação.
D. João IV precisa de muita coragem: Portugal não tem orçamento e não tem exército, não tem relações externas e não tem escoamento do que produz, quase não tem frota marítima e quase não tem contactos comerciais com outros países. A única coisa que tem é inimigos entre os países que mantêm relações com Espanha, restando um ou outro amigo entre os inimigos (nem sempre poderosos e muitas vezes receosos) dos castelhanos.
O Rei vai enfrentar tempos muito difíceis e tem o bom-senso de se apoiar em duas figuras que hão-de ser determinantes perante a complexidade da situação: o seu secretário de Estado e conselheiro Francisco de Lucena (homem de grande verticalidade que acabará condenado à morte, vítima da intriga) e o seu eloquente inspirador e mentor espiritual, o padre António Vieira, SJ. Com eles, há-de ser consolidada a restauração da independência de Portugal.

A 10 de Novembro, João Pinto Ribeiro recebeu das mãos do Duque de Bragança duas cartas com instruções: uma para D. Miguel de Almeida e outra para Pedro de Mendoça Furtado. A 30 de Novembro, Dom João II de Bragança confirma a data do dia seguinte para a revolta.

Depois de 60 anos de União Ibérica, um grupo de nobres portugueses, a 1 de Dezembro de 1640, invadiu o Paço Real e aclamou D.João, duque de Bragança como Rei de Portugal, restaurando a independência.

Algumas fontes interessantes sobre a época

A Restauração de 1640: nomes e pessoas

A Gazeta da Restauração – Primeiro periódico português. Uma análise do discurso.

Historia da feliz acclamação do Senhor Rei D. João o Quarto, com huma série chronológica dos senhores reis de Portugal : épocas do seu nascimento, pátria … e as suas acções mais gloriosas, que aos illmos. e exmos. netos daquelles heroes, que tanto se distinguírão na memoravel empreza da acclamação, offerece Roque Ferreira Lobo, Administrador do Correio do Reino

O Conselho de Estado no Portugal restaurado – teorização, orgânica e exercício do poder político na corte brigantina (1640-1706)

Praça de guerra de Estremoz – A formação (1640-1690)

Portugal na Monarquia dual: o tempo dos Filipes (1580-1640)

A Política externa de D. João IV e o Padre Antonio Vieira: as negociações com os Países Baixos (1641-1648)

Guerra da Restauração da Independência de Portugal(1640-1668) – Intervenção do Marechal Schomberg [Revista Militar N.º 2530 – Novembro de 2012]

Restauração da Independência de Portugal – 1 de dezembro de 1640

A historia narra que Os Conjurados, na manhã de 1 de Dezembro de 1640, pelas 9h15, invadiram o Paço da Ribeira, em Lisboa, para derrubar a dinastia espanhola que governava o país desde 1580. Miguel Vasconcellos e Brito, secretário de estado que representava os interesses castelhanos, foi morto a tiro e atirado pela janela. D. Carlos de Noronha terá dito à Duquesa de Mântua: ‘Se Vossa Alteza não quiser sair por aquela porta, terá que sair pela janela…’. Temendo o mesmo destino de Miguel de Vasconcellos, a Duquesa assinou uma ordem de neutralidade para Don Luiz Del Campo, comandante-chefe das tropas castelhanas em Lisboa, que assim o fez aceitando o golpe de Estado dos Conjurados.

Eram 9h30m do 1.º de Dezembro de 1640. A Revolução, que pôs fim ao domínio castelhano de seis décadas, durou um quarto de hora.

Do balcão do Paço foi proclamada a coroação do Duque de Bragança, futuro D. João IV, ordenado o cerco à guarnição militar do Castelo de S. Jorge e a apreensão dos navios espanhóis que se encontravam no porto.

As reuniões tinham acontecido num anexo do palácio de Antão Vaz de Almada – o acesso a este espaço fazia-se por uma das mais movimentadas zonas de Lisboa daquela época, uma situação que serviu de cobertura às actividades secretas. O facto do local se encontrar paredes meias com o Colégio de Santo Antão, um local onde se encontravam jesuítas procurados para as confissões, também ajudou a encobrir as movimentações que conduziram à restauração da independência.

desrespeito pelas promessas das Cortes de Tomar levou ao descontentamento português, com vários levantamentos populares e várias revoltas em diversas regiões do país. Foi assim que, em 1637, se levantou uma revolta em Évora, dirigida por um senhor chamado Manuel (Revolta do Manuelinho, que dá nome a um largo nesta cidade alentejana), que se espalhou por outros pontos do país, mas que foi abafada pelo poder militar espanhol.

A restauração da independência portuguesa de 1 de dezembro de 1640 foi desencadeada para superar a crise política, decorrente da prepotente governação do conde-duque de Olivares, que tomou medidas à revelia das promessas autonómicas feitas nas Cortes de Tomar de 1581 por Filipe I de Portugal.

O golpe de Estado palaciano que lhe deu origem envolveu cerca de uma centena de aristocratas portugueses, que estavam afastados das benesses do domínio filipino. Este acontecimento foi acompanhado de assassínios políticos, designadamente de Miguel de Vasconcelos, dado este representar a administração espanhola de Filipe IV (Filipe III de Portugal). Esta insurreição palaciana teve uma adesão generalizada em Portugal continental nas semanas seguintes.

Se os motivos de descontentamento nacional se somavam contra as prepotências espanholas, a assumida liderança do movimento da parte do duque de Bragança, D. João, aquando dos apoios externos franceses e internos, da nobreza e do povo, garantiram a durabilidade do movimento da restauração da independência de Portugal face à Coroa Espanhola.

Com efeito, não obstante a restauração de facto ocorrer em 1640, só houve uma restauração de jure ou de nível constitucional nas Cortes de Lisboa de 1641, pois foi aí que se reconheceu a legitimidade dinástica da Casa de Bragança e a evidente usurpação do estatuto autonómico por parte de D. Filipe IV de Espanha (Filipe III de Portugal). Nos anos subsequentes, tanto a Igreja Católica como o imaginário popular corroboraram a validade do golpe de Estado restauracionista.

Por outras palavras, a 1 de dezembro de 1640, em Lisboa, revoltosos populares e da nobreza tomaram o poder e restauraram a independência portuguesa. D. João, duque de Bragança, foi aclamado rei de Portugal, junto ao Largo de S. Domingos no palácio hoje designado Palácio da Independência. Todavia, foi necessário reforçar o exército, fabricar armas e fortalezas nas zonas fronteiriças para garantir a independência, através das guerras da restauração, que duraram de 1640 a 1668, pois só então, com o tratado de paz em Lisboa, os espanhóis reconheceram a independência portuguesa.” [fonte aqui]

A primeira comemoração oficial da Restauração da Independência de 1640 foi em 1823, no recinto do Picadeiro Real do Palácio de Belém. O dia 1 de Dezembro é feriado desde a segunda metade do século XIX, sendo o feriado civil mais antigo, tendo sobrevivido à Primeira República, ao Estado Novo e à democracia.  Curiosamente, foi a única celebração civil que os republicanos mantiveram, depois da revolução de 1910. Esteve suspenso entre 2012 e 2015.

de um dia para o outro

Há coisas que parecem muito à «tuga»… Por exemplo, a 30 de novembro de 1640 – há exatamente 379 anos – foi marcada a revolução do Primeiro de dezembro. Os conjurados reuniam-se desde meados de outubro e a decisão da data foi de um dia para o outro, de um dia para o seguinte. Literalmente.

“É possível que, desde finais de 1634, uma tríade formada por Antão de Almada e pelos irmãos Francisco e Jorge de Melo pensasse no golpe. No entanto, a ideia só arrancaria de modo consistente em 1638, com o envolvimento de outros portugueses: António Mascarenhas, Pedro de Mendonça, Miguel de Almeida, o padre Nicolau da Maia e João Pinto Ribeiro”, afirma José Pedro Paiva. Em 1639 o duque de Bragança tinha recusado encabeçar o movimento. Após longas negociações, no dia 24 de novembro de 1640, D. João garantiu que se o golpe triunfasse, aceitaria ser rei de Portugal. E fixam a data do golpe dia 30…

20 novembro – início dos Julgamentos de Nuremberg

A 20 de novembro de 1945 começaram os julgamentos de Nuremberg – oficialmente Tribunal Militar Internacional vs. Hermann Göring et al – que durariam até 1 de outubro de 1946.

(documentos: United States vs Hermann Gohring – ou Trails of War Criminals before Nuernberg…” – International Military Tribunal  at Nuremberg)

Chamaram-lhe “o maior processo da História”. No banco dos réus estavam 22 responsáveis do nazismo. Mas sobretudo o próprio nazismo, expressão suprema da barbárie europeia do século XX. Foi um acto de “justiça dos vencedores”, feito em nome da humanidade. (f. fonte)

A corte era formada por 8 membros – da França, Reino Unido, Estados Unidos e União Soviética. Ao fim de onze meses, quando as sessões foram encerradas, tinha havido 403 sessões públicas, mais de cem testemunhas ouvidas, milhares de documentos entre textos, fotos e filmes examinados.

A Corte de Nuremberg foi composta por oito membros, quatro titulares e quatro suplentes. Entre os titulares estavam: Geoffrey Lawrence (Reino Unido), Francis Biddle (Estados Unidos), Henri Donnedieu de Vabres (França) e Iona Nikitchenko (União Soviética). Os suplentes eram: Norman Birkett (União Soviética), John Parker (Estados Unidos), Robert Falco (França), Alexander Volchkov (União Soviética). Quanto aos advogados, constavam os seguintes titulares: Robert H. Jackson (Estados Unidos), Hartley Shawcross (Reino Unido), François de Menthon (França), Auguste Champetier (França) e Roman Rudenko (União Soviética).

Os acusados foram divididos em quatro grupos: os comandantes militares, os fiéis ao partido, os funcionários públicos e os encarregados do extermínio de prisioneiros de guerra, de prisioneiros civis, de judeus e outros povos.

Três proeminente figuras do regime tinham cometido suicídio antes do final da guerra: o Führer Adolf Hitler, Heinrich Himmler (Comandante Militar da SS) e Joseph Goebbles (ministro da Propaganda do Reich). O detentor do posto mais elevado no Tribunal era Hermann Goering (comandante da Força Aérea Alemã, Luftwaffe). Foram acusados 24 mas apenas 21 foram presentes a tribunal.

Foram pronunciadas 12 sentenças de morte, 7 penas de prisão (3 perpétuas, 2 a 20 anos, 1 a 15 anos e 1 a 10 anos) e 3 absolvições. Entre os 12 condenados à morte estavam Joachim von Ribbentrop, Hans Frank, Alfred Rosenberg e Julius Streicher (Bormann foi condenado à revelia).

Foram enforcados na madrugada de 16 de outubro de 1945, cremados em Dachau, e as cinzas espalhadas no rio Isar. Hermann Goering escapou da forca cometendo suicídio na noite anterior, apesar de cada cela ter um guarda à porta para evitar suicídio.

Nuremberg marcou “um alargamento da consciência colectiva da Humanidade”, tal como revelou a dimensão do extermínio praticado pelo regime nazi. Ainda que não esteja isento de polémica.

(Diário de Lisboa, 20 novembro 1945)

Diário de Lisboa, 1 outubro 1946

30 anos depois [da queda do Muro de Berlim]

Como toda a gente, em Berlim fui ver o Checkpoint Charlie e os painéis expostos sobre a construção do muro. Painéis com imagens e explicativos, datas e eventos associados ao Muro.

A foto abaixo trouxe de Le Soir,  de uma grande reportagem de hoje sobre a queda do muro de Berlim.

Abaixo, uma do Le Monde, noutra reportagem.

A woman takes pictures of the flowers placed at the Wall Memorial by guests during the central commemoration ceremony for the 30th anniversary of the fall of the Berlin Wall, on November 9, 2019 at the Berlin Wall Memorial at Bernauer Strasse in Berlin. Germany on Saturday celebrates 30 years since the fall of the Berlin Wall ushered in the end of communism and national reunification, as the Western alliance that secured those achievements is increasingly called into question. / AFP / Tobias SCHWARZ

O muro de Berlim, que dividiu, durante 28 anos, a Alemanha em duas partes, a República Democrática Alemã (RDA) e a República Federal Alemã (RFA), começou a ser derrubado na noite de 09 de novembro de 1989.

E, ao contrário do que muita gente possa pensar, nem este foi  último Muro do mundo a cair, nem deixou de haver cidades com muros – e não estou a referir metáforas mas muros reais, de fronteiras materiais. Como em Nicósia, capital de Chipre ou Belfast, na Irlanda do Norte.

Pudesse a efeméride da queda do muro fazer-nos pensar nos que ainda existem.

Kristallnacht [Noite dos Cristais] – de 9 para 10 de novembro de 1938

Recentemente, o Parlamento Europeu aprovou resolução sobre a importância da memória europeia para o futuro da Europa.

Na noite de 9 para 10 de novembro assinala-se a efeméride da Noite dos Cristais –  1938, na Alemanha e Áustria –  marcada pela destruição de símbolos judaicos. Sinagogas, lojas, empresas e residências de judeus foram invadidas e queimadas.  Os vidros das lojas e das casas foram quebrados (daí o nome de noite dos cristais), o mobiliário completamente destruído.  Esse “pogrom” marcou o início do Holocausto. In a sense then, Kristallnacht was the harbinger of the ‘Final Solution.’

Cf.

9 de novembro de 1938 – Perseguição antisemita culmina na Noite dos Cristais

A Noite dos Cristais

O pogrom da Noite dos Cristais

Kristallnacht – History.com

Holocaust Encyclopedia