A 1 de novembro [de 1755]

a 1 de novembro de 1755 ocorreu o Terramoto de Lisboa, às 9h30 ou 9h40 da manhã.

Relatos da época afirmam que os abalos foram sentidos, consoante o local, durante entre seis minutos a duas horas e meia…
“O terramoto durou cinco anos (1755-1760); e subverteu as ruas e as casas, os templos, os monumentos, as instituições, os homens, e até as suas ideias. E sobre as ruínas e destroços da cidade maldita, levantou-se a Jerusalém do utilitarismo burguês; sobre as migalhas de Síbare, a efémera Salento do marquês de Pombal.
Na manhã do 1º de Novembro a cidade estremeceu, abalada profundamente, e começou a desabar. Eram nove horas da manhã, dia de Todos-os-Santos.
(…)
Dessa hecatombe nasceu o poder do marquês de Pombal; e o acaso, aterrando os ânimos com o pavoroso acontecimento, preparou-os para aceitarem submissamente o jugo do tirano, que ia consumar o terramoto político, depois da natureza ter consumado a ruína da cidade perdida de D. João V.”

Oliveira Martins, História de Portugal (1879). Lisboa: INCM, 1988. p. 172

E sobre o assunto, uma tese de doutoramento de Enfermagem focou-se no socorro às vítimas – assunto que se recomenda, naturalmente, pelas aprendizagens que o passado pode aportar ao presente. É para ler:  Maria Amélia Dias Ferreira, O socorro às vítimas do Terramoto de Lisboa (1755)

Parlamento Europeu aprovou resolução sobre a importância da memória europeia para o futuro da Europa

Talvez esta resolução tenha passado um pouco despercebida. Mas não devia.

Transcrevo integralmente abaixo e saliento que a Resolução estabelece um conjunto de considerandos ou supostos, iniciados por «having regard to» /«tendo em conta que», e convoca-nos, em 22 pontos.

Provavelmente, é mais ou menos claro que, tal como Arendt afirmou, o regime nazi e o estalinista foram ambos regimes totalitários – a resolução condena ambos os regimes por terem cometido “genocídios e deportações e foram a causa da perda de vidas humanas e liberdade em uma escala até agora nunca vista na história da humanidade”.  Hitler (6 anos, 1939-1945), 20 milhões de mortos; Estaline (26 anos, 1927-1953), 100 milhões de mortos.

Entre os 22 pontos, saliento que se apela

a uma cultura comum da memória que rejeite os crimes dos regimes fascista e estalinista e de outros regimes totalitários e autoritários do passado como forma de promover a resiliência contra as ameaças modernas à democracia, em particular entre a geração mais jovem”.

Condena “todas as manifestações e propagação das ideologias totalitárias, como o nazismo e o estalinismo”; e o “revisionismo histórico e a glorificação dos colaboradores nazis em alguns Estados-Membros da UE”. Foca que importa “condenar e neutralizar todas as formas de negação do Holocausto, incluindo a banalização e minimização dos crimes perpetrados pelos nazis e seus colaboradores, e impedir a banalização no discurso político e da mídia;” é expressa a “preocupação com o uso continuado de símbolos de regimes totalitários na esfera pública e para fins comerciais, e recorda que vários países europeus proibiram o uso de símbolos nazis e comunistas;”; salienta que “a existência continuada em espaços públicos em alguns Estados-Membros de monumentos e memoriais (parques, praças, ruas, etc.) glorifica regimes totalitários, o que abre caminho para a distorção de fatos históricos sobre as consequências da Segunda Guerra Mundial e para apropagação do sistema político totalitário”.

Destaca que “forças políticas extremistas e xenófobas na Europa recorrem cada vez mais à distorção de fatos históricos e empregam simbolismo e retórica que ecoam aspectos da propaganda totalitária, incluindo racismo, anti-semitismo e ódio contra minorias sexuais e outras;” pelo que importa “banir grupos neo-fascistas e neo-Nazis”.

“O passado trágico da Europa deve continuar a servir de inspiração moral e política para enfrentar os desafios do mundo de hoje, incluindo a luta por um mundo mais justo, criando sociedades e comunidades abertas e tolerantes, abraçando minorias étnicas, religiosas e sexuais, e fazendo com que os valores europeus trabalhem para todos;”

“The European Parliament,

  • –having regard to the universal principles of human rights and the fundamental principles of the European Union as a community based on common values,
  • –having regard to the statement issued on 22 August 2019 by First Vice-President Timmermans and Commissioner Jourová ahead of the Europe-Wide Day of Remembrance for the victims of all totalitarian and authoritarian regimes,
  • –having regard to the United Nations Universal Declaration of Human Rights adopted on 10 December 1948,
  • –having regard to its resolution of 12 May 2005 on the 60th anniversary of the end of the Second World War in Europe on 8 May 1945,
  • –having regard to Resolution 1481 of the Parliamentary Assembly of the Council of Europe of 26 January 2006 on the need for international condemnation of crimes of totalitarian Communist regimes,
  • –having regard to Council Framework Decision 2008/913/JHA of 28 November 2008 on combating certain forms and expressions of racism and xenophobia by means of criminal law,
  • –having regard to the Prague Declaration on European Conscience and Communism adopted on 3 June 2008,
  • –having regard to its declaration on the proclamation of 23 August as European Day of Remembrance for the Victims of Stalinism and Nazism adopted on 23 September 2008,
  • –having regard to its resolution of 2 April 2009 on European conscience and totalitarianism,
  • –having regard to the Commission report of 22 December 2010 on the memory of the crimes committed by totalitarian regimes in Europe (COM(2010)0783),
  • –having regard to the Council Conclusions of 9-10 June 2011 on the memory of the crimes committed by totalitarian regimes in Europe,
  • –having regard to the Warsaw Declaration of 23 August 2011 on the European Day of Remembrance for Victims of Totalitarian Regimes,
  • –having regard to the joint statement of 23 August 2018 of the government representatives of the EU Member States to commemorate the victims of communism,
  • –having regard to its historic resolution on the situation in Estonia, Latvia and Lithuania, adopted on 13 January 1983 in reaction to the ‘Baltic Appeal’ of 45 nationals from these countries,
  • –having regard to the resolutions and declarations on the crimes of totalitarian communist regimes adopted by a number of national parliaments,
  • –having regard to Rule 132(2) and (4) of its Rules of Procedure,
    • A.whereas this year marks the 80th anniversary of the outbreak of the Second World War, which led to unprecedented levels of human suffering and the occupation of countries in Europe for many decades to come;
    • B.whereas 80 years ago on 23 August 1939, the communist Soviet Union and Nazi Germany signed a Treaty of Non-Aggression, known as the Molotov-Ribbentrop Pact, and its secret protocols, dividing Europe and the territories of independent states between the two totalitarian regimes and grouping them into spheres of interest, which paved the way for the outbreak of the Second World War;
    • C.whereas, as a direct consequence of the Molotov-Ribbentrop Pact, followed by the Nazi-Soviet Boundary and Friendship Treaty of 28 September 1939, the Polish Republic was invaded first by Hitler and two weeks later by Stalin – which stripped the country of its independence and was an unprecedented tragedy for the Polish people – the communist Soviet Union started an aggressive war against Finland on 30 November 1939, and in June 1940 it occupied and annexed parts of Romania – territories that were never returned – and annexed the independent republics of Lithuania, Latvia and Estonia;
    • D.whereas after the defeat of the Nazi regime and the end of the Second World War, some European countries were able to rebuild and embark on a process of reconciliation, while other European countries remained under dictatorships – some under direct Soviet occupation or influence – for half a century and continued to be deprived of freedom, sovereignty, dignity, human rights and socio-economic development;
    • E.whereas although the crimes of the Nazi regime were evaluated and punished by means of the Nuremberg trials, there is still an urgent need to raise awareness, carry out moral assessments and conduct legal inquiries into the crimes of Stalinism and other dictatorships;
    • F.whereas in some Member States, communist and Nazi ideologies are prohibited by law;
    • G.whereas European integration has, from the start, been a response to the suffering inflicted by two world wars and by the Nazi tyranny that led to the Holocaust, and to the expansion of totalitarian and undemocratic communist regimes in central and eastern Europe, and a way to overcome deep divisions and hostility in Europe by cooperation and integration and to end war and secure democracy in Europe; whereas for the European countries that suffered under Soviet occupation and communist dictatorships, the enlargement of the EU, beginning in 2004, signifies their return to the European family to which they belong;
    • H.whereas the memories of Europe’s tragic past must be kept alive, in order to honour the victims, condemn the perpetrators and lay the ground for a reconciliation based on truth and remembrance;
    • I.whereas remembering the victims of totalitarian regimes and recognising and raising awareness of the shared European legacy of crimes committed by communist, Nazi and other dictatorships is of vital importance for the unity of Europe and its people and for building European resilience to modern external threats;
    • J.whereas 30 years ago, on 23 August 1989, the 50th anniversary of the Molotov-Ribbentrop Pact was marked and the victims of totalitarian regimes remembered during the Baltic Way, an unprecedented demonstration by two million Lithuanians, Latvians and Estonians who joined hands to form a living chain spanning from Vilnius to Tallinn through Riga;
    • K.whereas despite the fact that on 24 December 1989 the Congress of People’s Deputies of the USSR condemned the signing of the Molotov-Ribbentrop Pact, in addition to other agreements made with Nazi Germany, the Russian authorities denied responsibility for this agreement and its consequences in August 2019 and are currently promoting the view that Poland, the Baltic States and the West are the true instigators of WWII;
    • L.whereas remembering the victims of totalitarian and authoritarian regimes and recognising and raising awareness of the shared European legacy of crimes committed by Stalinist, Nazi and other dictatorships is of vital importance for the unity of Europe and its people and for building European resilience to modern external threats;
    • M.whereas openly radical, racist and xenophobic groups and political parties have been inciting hatred and violence in society, for example through the online dissemination of hate speech, which often leads to a rise in violence, xenophobia and intolerance;

1.Recalls that, as enshrined in Article 2 of the TEU, the Union is founded on the values of respect for human dignity, freedom, democracy, equality, the rule of law and respect for human rights, including the rights of persons belonging to minorities; recalls that these values are common to all Member States;

2.Stresses that the Second World War, the most devastating war in Europe’s history, was started as an immediate result of the notorious Nazi-Soviet Treaty on Non-Aggression of 23 August 1939, also known as the Molotov-Ribbentrop Pact, and its secret protocols, whereby two totalitarian regimes that shared the goal of world conquest divided Europe into two zones of influence;

3.Recalls that the Nazi and communist regimes carried out mass murders, genocide and deportations and caused a loss of life and freedom in the 20th century on a scale unseen in human history, and recalls the horrific crime of the Holocaust perpetrated by the Nazi regime; condemns in the strongest terms the acts of aggression, crimes against humanity and mass human rights violations perpetrated by the Nazi, communist and other totalitarian regimes;

4.Expresses its deep respect for each victim of these totalitarian regimes and calls on all EU institutions and actors to do their utmost to ensure that horrific totalitarian crimes against humanity and systemic gross human rights violations are remembered and brought before courts of law, and to guarantee that such crimes will never be repeated; stresses the importance of keeping the memories of the past alive, because there can be no reconciliation without remembrance, and reiterates its united stand against all totalitarian rule from whatever ideological background;

5.Calls on all Member States of the EU to make a clear and principled assessment of the crimes and acts of aggression perpetrated by the totalitarian communist regimes and the Nazi regime;

6.Condemns all manifestations and propagation of totalitarian ideologies, such as Nazism and Stalinism, in the EU;

7.Condemns historical revisionism and the glorification of Nazi collaborators in some EU Member States; is deeply concerned about the increasing acceptance of radical ideologies and the reversion to fascism, racism, xenophobia and other forms of intolerance in the European Union, and is troubled by reports in some Member States of collusion between political leaders, political parties and law enforcement bodies and the radical, racist and xenophobic movements of different political denominations; calls on the Member States to condemn such acts in the strongest way possible as they undermine the EU values, of peace, freedom and democracy;

8. Calls on all Member States to commemorate 23 August as the European Day of Remembrance for the victims of totalitarian regimes at both EU and national level, and to raise the younger generation’s awareness of these issues by including the history and analysis of the consequences of totalitarian regimes in the curricula and textbooks of all schools in the EU; calls on the Member States to support the documentation of Europe’s troubled past, for example through the translation of the proceedings of the Nuremberg trials into all EU languages;

9. Calls on the Member States to condemn and counteract all forms of Holocaust denial, including the trivialisation and minimisation of the crimes perpetrated by the Nazis and their collaborators, and to prevent trivialisation in political and media discourse;

10.Calls for a common culture of remembrance that rejects the crimes of fascist, Stalinist, and other totalitarian and authoritarian regimes of the past as a way of fostering resilience against modern threats to democracy, particularly among the younger generation; encourages the Member States to promote education through mainstream culture on the diversity of our society and on our common history, including education on the atrocities of World War II, such as the Holocaust, and the systematic dehumanisation of its victims over a number of years;

11.Calls, furthermore, for 25 May (the anniversary of the execution of the Auschwitz hero Rotamaster Witold Pilecki) to be established as International Day of Heroes of the Fight against Totalitarianism, which will be an expression of respect and a tribute to all those who, by fighting tyranny, demonstrated their heroism and true love for humankind, and will also provide future generations with a clear example of the correct attitude to take in the face of the threat of totalitarian enslavement;

12.Calls on the Commission to provide effective support for projects of historic memory and remembrance in the Member States and for the activities of the Platform of European Memory and Conscience, and to allocate adequate financial resources under the ‘Europe for Citizens’ programme to support commemoration and remembrance of the victims of totalitarianism, as set out in Parliament’s position on the 2021-2027 Rights and Values Programme;

13.Declares that European integration as a model of peace and reconciliation has been a free choice by the peoples of Europe to commit to a shared future, and that the European Union has a particular responsibility to promote and safeguard democracy, respect for human rights and the rule of law, not only within but also outside the European Union;

14.Points out that in the light of their accession to the EU and NATO, the countries of Eastern and Central European have not only returned to the European family of free democratic countries, but also demonstrated success, with the EU’s assistance, in reforms and socio-economic development; stresses, however, that this option should remain open to other European countries as stipulated in Article 49 TEU;

15.Maintains that Russia remains the greatest victim of communist totalitarianism and that its development into a democratic state will be impeded as long as the government, the political elite and political propaganda continue to whitewash communist crimes and glorify the Soviet totalitarian regime; calls, therefore, on Russian society to come to terms with its tragic past;16.Is deeply concerned about the efforts of the current Russian leadership to distort historical facts and whitewash crimes committed by the Soviet totalitarian regime and considers them a dangerous component of the information war waged against democratic Europe that aims to divide Europe, and therefore calls on the Commission to decisively counteract these efforts;

17.Expresses concern at the continued use of symbols of totalitarian regimes in the public sphere and for commercial purposes, and recalls that a number of European countries have banned the use of both Nazi and communist symbols;

18. Notes that the continued existence in public spaces in some Member States of monuments and memorials (parks, squares, streets etc.) glorifying totalitarian regimes, which paves the way for the distortion of historical facts about the consequences of the Second World War and for the propagation of the totalitarian political system;

19.Condemns the fact that extremist and xenophobic political forces in Europe are increasingly resorting to distortion of historical facts, and employ symbolism and rhetoric that echoes aspects of totalitarian propaganda, including racism, anti-Semitism and hatred towards sexual and other minorities;

20.Urges the Member States to ensure compliance with the provisions of the Council Framework Decision, so as to counter organisations that spread hate speech and violence in public spaces and online, and to effectively ban neo-fascist and neo-Nazi groups and any other foundation or association that exalts and glorifies Nazism and fascism or any other form of totalitarianism, while respecting domestic legal order and jurisdiction;

21.Stresses that Europe’s tragic past should continue to serve as a moral and political inspiration to face the challenges of today’s world, including the fight for a fairer world, creating open and tolerant societies and communities embracing ethnic, religious and sexual minorities, and making European values work for everyone;

22.Instructs its President to forward this resolution to the Council, the Commission, the governments and parliaments of the Member States, the Russian Duma and the parliaments of the Eastern Partnership countries.”

(resolução aqui)

Implantação da República

Conversamos?!...

“A Implantação da República Portuguesa foi o resultado de um golpe de estado, organizado pelo Partido Republicano Português, que, no dia 5 de outubro de 1910, destituiu a monarquia constitucional e implantou um regime republicano em Portugal.” Frase de manual escolar….

Hoje é o dia em que se assinala o 118º aniversário… de uma ideia frágil – aliás,  frágil como a maior parte das ideias. Sussurre-se, diria Marco Aurélio.

(“There was once a dream that was Rome. You could only whisper it. Anything more than a whisper and it would vanish… it was so fragile. And I fear that it will not survive the winter.” Gladiator, 2000)

Res-publica, regime de coisa pública, da participação de todos e de uma ideologia de instrução, de desenvolvimento. Zophimo Consiglieri Pedroso, que estudei há uns largos tempos, não viveu para ver chegar o 5 de Outubro (faleceu em Setembro) nem tão…

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3 de outubro de 1910 – Atentado a Miguel Bombarda : “Chamem o José Bernardo!”

Conversamos?!...

 
No dia de hoje, 3 de outubro, vale a pena ler um artigo em que se assinala a efeméride do atentado a Miguel Bombarda, se percebe que a revolução teria sido dia 4 (e estaríamos amanhã de feriado, em vez de sexta-feira) pelo texto de Ana Pires,
“Os dias que antecederam a implantação da República em Portugal foram vividos com agitação. No dia 3 de Outubro de 1910 o médico Miguel Bombarda foi alvo de um atentado em consequência do qual acabaria por falecer. A notícia, no jornal de 4 de Outubro, de contornos dramáticos, ocupa toda a primeira página do jornal e estende-se pelas páginas seguintes. Nesse relato, muito pormenorizado de como tudo aconteceu, é referido um apelo feito pelo médico à entrada do Banco, do ainda, Hospital Real de S. José: “Chamem o José Bernardo!…

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Vias Romanas em mapa

“Sasha Trubetskoy, an undergrad at U. Chicago, has created a “subway-style diagram of the major Roman roads, based on the Empire of ca. 125 AD.” Drawing on Stanford’s ORBIS model, The Pelagios Project, and the Antonine Itinerary, Trubetskoy’s map combines well-known historic roads, like the Via Appia, with lesser-known ones (in somes cases given imagined names). If you want to get a sense of scale, it would take, Trubetskoy tells us, “two months to walk on foot from Rome to Byzantium. If you had a horse, it would only take you a month.”

You can view the map in a larger format here. And if you follow this link and send Trubetskoy a few bucks, he can email you a crisp PDF for printing. Find more focused, related maps by Trubetskoy right here:

In Open Culture, 6 junho 2019

“A subway-style diagram of the major Roman roads, based on the Empire of ca. 125 AD.”

Interessante o fundamento real e a explicação sobre o que foi ajustado/alterado (Creative liberties taken)

 

 

6 de junho: o Dia D

Dia D = desembarque na Normandia, Operação Overlord e Operação Neptuno, durante a Segunda Guerra Mundial.

No dia 6 de junho de 1944 (Dia D), cerca de 100 mil soldados, com o apoio de 6 mil navios e 5 mil aviões, desembarcaram na costa da Normandia, França, num trecho de 80 km na costa.

Assim, há 75 anos atrás, começou no canal da Mancha a operação Overlord, comandada pelo general Eisenhower. Ao longo de todo o dia, cerca de 170.000 soldados Aliados lançar-se-iam contra a famosa muralha atlântica do III Reich, e mais de 100 mil soldados tomaram cinco praias pré-selecionadas cujos nomes em código eram Omaha, Utah, Juno, Gold e Sword.

Antes do desembarque, 204 navios caça-minas e 43 balizadores abriram caminho por entre as minas, para permitir chegar às praias normandas. Uma gigantesca esquadra: 2.485 lanchas de assalto, 263 navios de desembarque de tanques, 23 navios americanos, 49 britânicos e outros tantos de diversas proveniências, fizeram a cobertura de artilharia.

O Dia D reclamou milhares de vidas de ambos os lados do conflito. Foi um dos dias mais importantes da História do século XX – em que o destino da guerra virou definitivamente para o lado dos Aliados. A batalha da Normandia durou mais do que inicialmente foi previsto e passar-se-ia a outra etapa no final de Agosto de 1944, com a libertação de Paris.

ver «os acontecimentos por trás do dia D»

Dos filmes sobre o assunto, destaque para Dunkirk, de Christopher Nolan (2017), Operação Overlord, de Julius Avery (2018), Saving Private Ryan, de Spielberg(1998),  The Big Red One, 1980, dirigido por Samuel Fuller, sobre a Primeira Divisão de Infantaria do exército americano.

Fotos aqui e aqui.
Alguns dados daqui, d’aqui e aqui, aqui e aqui.

Nascido do dia: Alexandre Herculano

Alexandre Herculano de Carvalho e Araújo nasceu em Lisboa, a 28 de março de 1810; e morreu na Quinta de Vale de Lobos, para se onde se tinha exilado, a 18 de setembro de 1877. Escritor, historiador, jornalista e poeta da altura do Romantismo. Liberal assumido, condenou o absolutismo e a intolerância da coroa no século XVI para denunciar o perigo do retorno a um centralismo da monarquia em Portugal.

Há diversas biografias de Alexandre Herculano, e muita divulgação das suas obras, pelo que apenas destaco alguns tópicos.

Ainda hoje, a leitura de “Eurico, o Presbítero” (publicado em 1844) permanece como uma das obras que mais me impressionaram na adolescência (ah, era leitura recomendada do então 6º ano, atual 10º).

Assinale-se o monumental trabalho da História de Portugal, “rescaldo de uma vasta e imensa exploração bibliográfica por parte de Herculano, resultante do seu trabalho profissional como guarda-mor da Torre do Tombo, mas também o primeiro passo para a historiografia científica se consolidar em Portugal.” (citação do  texto de LB)

A história pode comparar-se a uma coluna polígona de mármore. Quem quiser examiná-la deve andar ao redor dela, contemplá-la em todas as suas faces. O que entre nós se tem feito, com honrosas excepções, é olhar para um dos lados, contar-lhe os veios de pedra, medir-lhe a altura por palmos, polegadas e linhas. E até não sei ao certo se estas indagações se têm aplicado a uma face ou únicamente a uma aresta. 

Alexandre Herculano, Cartas Sobre a História de Portugal (1842)

Sem cargos, sem honras, sem grandes distinções. Alexandre Herculano valeu sempre mais pela obra que criou, pelo trabalho que desenvolveu, pelas inovações que introduziu. Viajado conhecedor, trouxe uma nova inspiração burocrática e romântica para as instâncias formais e informais, políticas e culturais do país. De viagens históricas, de descoberta real e redescoberta fictícia do ser de Portugal, o autor desdobrou-se em todo o campo de possibilidades de potenciar e de promover uma sociedade mais ligada às estruturas reais, tal e qual como as conhecemos atualmente. Herculano é um nome consagrado e relembrado nas mais diversas cidades lusitanas, emprestando a sua designação a uma série de instituições do saber e de ligações rodoviárias.

Lucas Brandão, o vulto consagrado de Alexandre Herculano

“ (…) algumas leiras próprias, umas botas grosseiras e  um chapéu de Braga [ é tudo o que preciso para ser feliz).” – Alexandre Herculano em confissão ao seu amigo Almeida Garrett.

“A burra do capitalismo e a pena do escritor são os símbolos do feudalismo do século XIX: são a espada e o bago do século XIII. O capitalista é o senhor, o barão da força bruta; o escritor o bispo ou o abade da força espiritual. Um e outro abusam; abusam imensamente, como abusavam o barão, o bispo ou o abade”.

Carta de Herculano e Garrett a propósito da questão da propriedade literária, datada de 29 de Dezembro de 1851 apud Maria de Lourdes Costa Lima dos Santos, Intelectuais Portugueses na Primeira Metade de Oitocentos,Lisboa (1988), Ed. Presença, p. 59.

“Cidadão de “um só rosto, uma só fé” como diria Sá de Miran­da, entre o militante mais ou menos obediente e o franco-atirador, entre o intelectual, o escritor e o escrevente (escrevente no sentido de Barthes, o que se serve da escrita para fins políticos) Herculano detêm um único absoluto: a liberdade (que não coloca no plano transcendental). Iniciado em Rousseau, vai-se gradualmente afastando ao reconhecer que a soberania não é um direito, como queria o autor do Contrato Social, mas um facto. Na adolescência educa-se em Schiller, Chateaubriand (principalmente nesse libelo anti-jacobino que é O Génio do Cristianismo) nos salões da Marquesa de Alorna e no contacto de Castilho. No seu exílio francês, onde estuda línguas e ciências políticas (e história) recolhe as influências de Thierry, Guizot, Victor Hugo e Lamennais, mas também de Savigny, de Herder e de Ranke (e aproximando-se de Scott em detrimento de Byron). Na linha de uma certa concepção kantiana, acartada por Victor Cousin, Chateaubriand e M.me de Staël estrutura o imperativo categórico (oimperativo da moralidade) de toda a sua produção literária: o Belo surge como função de um jogo ou de uma inter-relação das faculdades humanas inatas, necessariamente ligado ao Bem.

Excepcionalmente prolixo, examina cerca de 12.000 documentos ao longo de trinta anos, cujo rigor de análise suplanta “os homens que mais atingiram o espírito da ciência histórica” em Portugal: Fr. António Brandão, António Caetano do Amaral e João Pedro Ribeiro. Credor de Vico, são raríssimas a alusões a Hegel (…)

Alexandre Herculano distingue os intelectuais “sérios” e os intelectuais “devassos”: nos primeiros integra Pedro Nunes, Leibnitz, Newton, Kant, Brotero, Vico, Silvestre Pinheiro (que considera o grande pensador português do século XIX) detentores do “capital das ideias”, nos segundos inclui Arlincourt, Kock, Balzac, Sue, Dickens (e ainda associa Thiers e Dumas), e que constituem um grupo de intelectuais “cujos estudos se reduzem a correr os teatros, os bailes, as tabernas, os lupanares, a viajar comodamente de cidade para cidade, de país para país” e em cujas páginas se limitam a “adornar os vícios, a exagerar as paixões, a trajar ridiculamente os afectos mais puros, a corromper a mocidade e as mulheres”.

Paulo Archer de Carvalho. Herculano: da história do poder ao poder da história

4 fevereiro 1961, Início da Guerra Colonial

A 4 de fevereiro de 1961, a comunicação social portuguesa recebeu, através do Secretariado Nacional de Informação, um comunicado oficial do Governo-Geral de Angola, informando que, na noite anterior, «três grupos de indivíduos armados pretenderam assaltar a Casa de Reclusão Militar da Polícia de Segurança Pública e as Cadeias Civis de Luanda». O Diário de Lisboa, assim como outros jornais, publica esta notícia na primeira página. Ao lê-la, os portugueses estariam muito longe de imaginar que essa revolta, levada a cabo por elementos do Movimento Popular de Libertação de Angola, marcaria, historicamente, o início da luta armada contra a administração colonial portuguesa ao longo de 13 anos, envolvendo movimentos de libertação de Angola, Moçambique e Guiné.

Diário de Lisboa nº 13702, de 04-02-1961, 40.º ano de publicação, p. 1

Cronologia

Implantação da República

“A Implantação da República Portuguesa foi o resultado de um golpe de estado, organizado pelo Partido Republicano Português, que, no dia 5 de outubro de 1910, destituiu a monarquia constitucional e implantou um regime republicano em Portugal.” Frase de manual escolar….

Hoje é o dia em que se assinala o 118º aniversário… de uma ideia frágil – aliás,  frágil como a maior parte das ideias. Sussurre-se, diria Marco Aurélio.

(“There was once a dream that was Rome. You could only whisper it. Anything more than a whisper and it would vanish… it was so fragile. And I fear that it will not survive the winter.” Gladiator, 2000)

Res-publica, regime de coisa pública, da participação de todos e de uma ideologia de instrução, de desenvolvimento. Zophimo Consiglieri Pedroso, que estudei há uns largos tempos, não viveu para ver chegar o 5 de Outubro (faleceu em Setembro) nem tão pouco Miguel Bombarda, outro dos líderes, assassinado na véspera.

Na verdade, não foi de um dia para o outro – a implantação da República resultou de um longo processo de mudança política, social e mental, onde merecem um lugar de destaque os defensores da ideologia republicana, que conduziram à formação do Partido Republicano Português.

Poder-se-ia passar pela perda nacional que representou o Ultimato, de 11 de Janeiro de 1890. Ou da tentativa falhada de implantar a República em 1891. Ou dos republicanos que tiveram papel relevante nas sessões legislativas de 1884 [José Elias Garcia e Manuel de Arriaga] e de 1895 [Elias Garcia e Zófimo Consiglieri Pedroso]. Na sessão de 1891, ano em que faleceram Elias Garcia e Latino Coelho, estavam 4 deputados.

Em 1900, o PRP conseguiu quatro deputados: Afonso Costa, Alexandre Braga, António José de Almeida e João Meneses. Nas eleições de 5 de abril de 1908, depois do Regicídio, além dos quatro deputados das eleições transatas, Estêvão Vasconcelos, José Maria de Moura Barata e Manuel de Brito Camacho. Nas eleições de 28 de agosto de 1910 o partido teve um resultado arrasador, elegendo catorze deputados.

Cândido dos Reis marcou as operações para a noite de 3 Outubro, mas o assassínio de Miguel Bombarda (no dia 3) fez adiar para o dia seguinte; nessa noite, julgando certa a derrota, Cândido dos Reis suicidou-se. Mas a 5 de outubro era proclamada a República Portuguesa.

Poder-se-ia pensar que a República se proclama – ademais, proclamou-se mesmo. Mas das 9h da manhã de dia 5 de Outubro de 1910, a este 5 de Outubro de 2018, mediaram muitos anos, regimes, acontecimentos, eventos.. Mantemos o hino e a bandeira.

http://ensina.rtp.pt/artigo/5-de-outubro-1910/

Foto: José Relvas proclama a República da varanda da Câmara Municipal

 

50 anos depois – as cheias de 1967

Foi num sábado, na noite de 25 para 26 de novembro – as cheias de 1967 marcaram quem as viveu, enquanto catástrofe natural, repentina, que matou centenas de pessoas, levou casas e animais, num instante.

Na noite do dia 25 para 26 de novembro choveu o que deveria ter chovido num ano. As ruas transformaram-se em rios, as casas inundaram-se, algumas desmoronaram outras foram arrastadas, os meios de transporte pararam e não havia comunicações, escrevia a imprensa na altura. Lisboa, Olival Basto (Loures), Pontinha (Loures), Odivelas (Loures), Barcarena (Oeiras), Colares (Sintra), Alverca (Vila Franca de Xira), Alhandra (Vila Franca de Xira), Alenquer e Queluz (Sintra) foram as regiões mais afetadas, mas foi na localidade de Quintas, no concelho de Vila Franca de Xira, que a tragédia teve uma dimensão mais devastadora com a morte de mais de um terço da sua população.

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Era um sábado. A 25 de novembro de 1967 o dia tinha sido abençoado por chuviscos: só entre 1965 e 1966 tinha chovido mais do que nos últimos 80 anos, mas 67 estava a ser um ano particularmente seco. Não tinha chovido o outono inteiro e aquelas gotas eram bem-vindas. Mas tudo começou a piorar entre as sete da tarde e a meia-noite. Às duas da manhã, a chuva intensa fez com que a água entrasse pelas casas das zonas baixas da península de Lisboa e levantasse as camas até ao teto em Vila Franca de Xira, Alhandra, Cascais, Alenquer, Loures, Odivelas e Oeiras.

Enquanto toda a gente dormia, o nível da água do Tejo tinha subido quatro metros em cinco horas. Naquela noite choveu um quinto do que choveu em todo o ano de 1967. A água deixaria depois um rasto de morte e destruição: terão morrido mais de 700 pessoas, só no primeiro dos três dias de chuva constante. Mas o Estado Novo quis que os jornais parassem de contar os mortos: para Salazar, os números ficaram nos 462.

Os números eram contudo pouco coerentes: passados 50 dias das grandes cheias de Lisboa, ainda apareciam corpos por debaixo das ruas enlameadas e dos edifícios destruídos pela força das correntes, mas as cheias de 1967 já não eram notícia dos jornais por essa altura. No domingo seguinte à desgraça, o Diário de Lisboa fazia manchete com os “mais de 200 mortos” que tinham sido anunciados até aquele dia. Em Lisboa, a Avenida de Ceuta ficou debaixo de água, a Avenida da Índia encheu-se de lama, as linhas de comboio estiveram submersas e a Avenida da Liberdade e Praça de Espanha pareciam uma piscina. A 29 de novembro, o Diário de Notícias confirmava 427 mortos e, mais tarde, as autoridades atualizavam o número de vítimas mortais para 462. A península da capital não sofria um evento tão mortífero desde o terramoto de 1755 e António Salazar sabia-o. Um dos funcionários do Estado Novo ligou a João Paulo Guerra, jornalista da Rádio Clube Português, e deu a ordem: “A partir desta hora, não morre mais ninguém”, recorda Alice Vieira, na altura jornalista do Diário de Lisboa, numa entrevista ao Público. A partir daí, não haveria mais notícias sobre o caso, porque as que havia eram travadas pela censura.

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Mas como não se pode ocultar o inocultável, as populações de Lisboa e Ribatejo confrontaram-se durante dias com a limpeza e a descoberta de cadáveres em verdadeiros cemitérios de lama ( estima-se em mais de 700 o número efectivo de mortos). E organizaram-se em peditórios, espectáculos de beneficiência e subscrições para ajudar sobreviventes e desalojados. Se o regime fazia publicitar a «cadeia de solidariedade humana (…) sem distinção de classes» no “Diário da Manhã”, a verdade é que desconfiava. Policiou a assistência dos movimentos universitários, pondo a GNR a afastar os estudantes do auxílio.

Com as notícias controladas localmente, escapou-lhe o controle sobre o fotógrafo inglês Terence Spencer, que fará o registo do desastre, sem complacência, para a revista americana Life. Na edição de 8 de Dezembro desse ano, num parágrafo apenas, a coisa é exposta (com os números oficiais portugueses) e sem deixar de atribuir as causas da catástrofe a claros problemas de ordenamento urbano.

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Para os milhares de estudantes universitários que ajudaram, em brigadas, a situação do país passou a ter outra realidade.

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Danilo Matos não tem dúvidas de que “as inundações de 67 foram um marco quer na história política do país quer na história política do movimento estudantil. Houve uma politização muito grande tanto do movimento dos estudantes como da sociedade em geral. O fascismo estava a dar o seu estertor e as cheias foram um marco da luta contra o fascismo.”

Alves Redol, que recebia os estudantes quando regressavam do terreno, teve a noção de que “muitos tinham visto um cadáver pela primeira vez e muitos tinham visto um bairro de lata pela primeira vez, o que teve um impacto enorme junto”.

“O contacto dos estudantes com aquela realidade foi muito importante. Foi um passo importante para a nossa abertura ao mundo até porque vínhamos quase todos de casas atapetadas. Nunca tínhamos calçado umas botas e metido os pés na lama”, reconhece Jorge Simões.

Para o historiador António Araújo, aquele banho de realidade foi determinante. “Uma coisa é ler Marx no conforto do quarto, outra é ser confrontado com a ida para a guerra ou com as cheias, situações que configuram, na prática, os postulados marxistas. Aquilo não eram papéis, era a realidade duríssima de corpos inchados pela água e toda a condição humana que ali se revelava. Era a revelação não só da morte, mas também da vida que levou àquela morte. Tudo aquilo era atirado à cara dos estudantes quando chegavam ao terreno.”

“Para muitos estudantes, as cheias de 67 foram um momento marcante de tomada de consciência das desigualdades e da injustiça social, de afastamento do ideário do regime e de politização muito rápida”, afirma o historiador Miguel Cardina. “Já não se tratava apenas de reivindicar mais autonomia para os movimentos estudantis, tratava-se de entender o estudante como alguém socialmente comprometido.”

“O mais importante foi que, pela primeira vez, fora das organizações clandestinas de oposição ao regime, conseguimos organizar algo importante, que envolveu muita gente”, constata Jorge Wemans.

Apesar de ser pequena, lembro-me de irmos a Odivelas no domingo para ajudar na quinta da madrasta do meu pai; e havia vacas a boiar na água, muita lama e montes de pedras e tábuas onde antes havia casas e estábulos.

A 1 de novembro [de 1955]

Terramoto acompanhado de maremoto em Lisboa no ano de 1755.jpgFoi a 1 de novembro de 1955 que ocorreu o Terramoto de Lisboa, às 9h30 ou 9h40 da manhã. Relatos da época afirmam que os abalos foram sentidos, consoante o local, durante entre seis minutos a duas horas e meia…
“O terramoto durou cinco anos (1755-1760); e subverteu as ruas e as casas, os templos, os monumentos, as instituições, os homens, e até as suas ideias. E sobre as ruínas e destroços da cidade maldita, levantou-se a Jerusalém do utilitarismo burguês; sobre as migalhas de Síbare, a efémera Salento do marquês de Pombal.
Na manhã do 1º de Novembro a cidade estremeceu, abalada profundamente, e começou a desabar. Eram nove horas da manhã, dia de Todos-os-Santos.
(…)
Dessa hecatombe nasceu o poder do marquês de Pombal; e o acaso, aterrando os ânimos com o pavoroso acontecimento, preparou-os para aceitarem submissamente o jugo do tirano, que ia consumar o terramoto político, depois da natureza ter consumado a ruína da cidade perdida de D. João V.”

Oliveira Martins, História de Portugal (1879). Lisboa: INCM, 1988. p. 172

E sobre o assunto, uma tese de doutoramento de Enfermagem focou-se no socorro às vítimas – assunto que se recomenda, naturalmente, pelas aprendizagens que o passado pode aportar ao presente. É para ler:  Maria Amélia Dias Ferreira, O socorro às vítimas do Terramoto de Lisboa (1755)

Do dia 25 de abril, em 1974

25-04-1974, 14:30

Comunicado do MFA do dia 25 de Abril de 1974 às 14:30h

Aqui Posto de Comando do Movimento das Forças Armadas.
Pretendendo continuar a informar o País sobre o desenrolar dos acontecimentos históricos que se estão processando, o Movimento das Forças Armadas comunica que as operações iniciadas na madrugada de hoje se desenrolam de acordo com as previsões, encontrando-se dominados vários objectivos importantes de entre os quais de citam os seguintes:
– Comando da Legião Portuguesa
– Emissora nacional
– Rádio Clube Português
– Radiotelevisão Portuguesa
– Rádio Marconi
– Banco de Portugal
– Quartel-General da Região Militar de Lisboa
– Quartel-General da Região Militar do Porto
– Instalações do Quartel-Mestre-General
– Ministério do Exército, donde o respectivo Ministro se pôs em fuga
– Aeroporto da Portela
– Aeródromo Base n.º 1
– Manutenção Militar
– Forte de Peniche

S. Ex.ª o Almirante Américo Tomás, S. Ex.ª o Prof. Marcelo Caetano e os membros do Governo encontram-se cercados por forças do Movimento no quartel da Guarda Nacional Republicana, no Carmo, e no Regimento de Lanceiros 2 tendo já sido apresentado um ultimato para a sua rendição.
O Movimento domina a situação em todo o País e recomenda, uma vez mais, a toda a população que se mantenha calma. Renova-se, também, a indicação já difundida para encerramento imediato dos estabelecimentos comerciais, por forma a não ser forçoso decretar o recolher obrigatório.
Viva Portugal!

os sinais para o 25 de abril

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João Paulo Dinis aos microfones dos Emissores Associados de Lisboa:

«Faltam cinco minutos para as vinte e três horas. Convosco, Paulo de Carvalho com o Eurofestival 74, E Depois do Adeus …

Este era o sinal para as tropas se prepararem e estarem a postos. O tema não tinha conteúdo político e sendo uma música em voga na altura, não levantaria suspeitas, podendo a revolução ser cancelada se os líderes do MFA concluíssem que não havia condições efetivas para a sua realização.

O efectivo sinal de saída dos quartéis foi a emissão, pela Rádio Renascença, de “Grândola, Vila Morena” de Zeca Afonso. A radiodifusão, na emissora católica, de uma música claramente política de um autor proscrito deu aos  revoltosos a certeza que a revolução era mesmo para arrancar.

Assinalar 43 anos é relevante. E importa interrogar a vida destes anos e lembrar o passado, pois as memórias recortam a identidade e permitem valorar, preservar, o que se toma por certo.