Prémio Livro do Ano Bertrand 2017 – Elena Ferrante

O romance História da Menina Perdida, de Elena Ferrante, publicado em 2016 pela Relógio d’Água, é o vencedor do Prémio Livro do Ano Bertrand, conforme divulgado esta semana.

A criação, pela rede de livrarias Bertrand, do Prémio Livro do Ano Bertrand, foi anunciada em Dezembro de 2016, sendo um galardão votado por leitores e livreiros.

O prémio distingue “uma obra em prosa, seja romance, conto ou novela, editada no nosso país ao longo do último ano”, sendo o júri “composto por todos os livreiros da rede Bertrand, que desempenham um papel fundamental na promoção diária do livro e da leitura, e pelos leitores, oferecendo-lhes a oportunidade de distinguir os livros que mais os marcaram em cada ano”, explicou a rede livreira em comunicado.

Elena Ferrante é pseudónimo de uma escritora italiana, cuja identidade permenece secreta, apesar de diversos esforços (e artigos) de jornalistas. Concedeu poucas entrevistas, todas por escrito e respondidas por intermédio das editoras italianas. Explicou que optou pelo anonimato para poder escrever livremente e para que a receção dos seus livros não seja influenciada por uma imagem pública.

“O caminho das minhas obras é o meu caminho.” E “Os leitores contentam-se com ele, aliás, alguns até me escrevem pedindo que não revele nunca outros caminhos mais privados e, por isso, menos interessantes. Os meios de comunicação é que, por dever de ofício, não se contentam com as obras, querem caras, personagens, protagonistas excêntricos. Mas pode-se passar tranquilamente sem o que os meios de comunicação pretendem.”

Especula-se que tenha nascido em Nápoles, por volta de 1943; apresenta um sólido conhecimento dos autores clássicos gregos e latinos; crê-se que tem filhos, que talvez tenha vivido na Grécia. Apenas uma certeza: publicou em 1991 o primeiro romance, L’amore molesto (Um Estranho Amor), bem recebido e o “quarteto napolitano”, uma tetralogia, foi um verdadeiro sucesso

  • A amiga genial – no original L’amica geniale, 2011;
  • História do novo nome – no original Storia del nuovo cognome, 2012;
  • História de quem foge e de quem fica – no original Storia di chi fugge e di chi resta,  2013;
  • História da Menina Perdida – no original Storia della bambina perduta, 2014.

Em segundo lugar, ficou Vaticanum, de José Rodrigues dos Santos, editado pela Gradiva, e,

em terceiro lugar, O Evangelho Segundo Lázaro, de Richard Zimler, da Porto Editora.

Nem Todas as Baleias Voam, de Afonso Cruz, da Companhia das Letras, em quarto lugar,

Homens Imprudentemente Poéticos, de Valter Hugo Mãe, da Porto Editora, em quinto,

Uma Terra Chamada Liberdade, de Ken Follett, da Editorial Presença, em sexto, e

Doutor Sono, de Stephen King, da Bertrand Editora, em sétimo.

Segue-se o romance As Areias do Imperador, de Mia Couto, da Editorial Caminho, em oitavo lugar,

Prometo Perder, de Pedro Chagas Freitas, da Marcador, na nona posição,

e em décimo lugar Como Vento Selvagem, de Sveva Casati Modignani, da Porto Editora.

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umas 50…

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Lido o artigo e verificada a lista (transcrita abaixo), considero clamorosa a ausência de Miguel Torga e de Alexandre Herculano, entre outros.


O DN quis apurar quais são as 50 obras essenciais da literatura nacional desde o seu início e chegou a uma conclusão com a ajuda de vários entendidos na matéria. Primeiro, elaborou-se uma lista com 80 autores. Com o crivo do especialista em literatura portuguesa Miguel Real fez-se a primeira versão. Em seguida, a escolha foi confrontada com várias opiniões de entendidos em autores e áreas. Foram ouvidos António Mega Ferreira, Francisco Vale, Isabel Alçada, Isabel Pires de Lima, Manuel Alberto Valente, Maria Alzira Seixo, Nuno Júdice, Pedro Mexia, Viale Moutinho e Zeferino Coelho. Por fim, acertadas as melhores obras de cada um, eliminados alguns autores e acrescentados outros, chegou-se à versão final. Que foi de novo ao crivo de outro especialista na nossa literatura, Fernando Pinto de Amaral. A versão final só foi obtida ao fim de um mês. A escolha final está assim dividida: as 25 obras essenciais em todos os géneros; os dez melhores ensaios; as cinco melhores peças de Teatro e os dez livros de Poesia mais importantes.

Eis a lista:

Os Lusíadas, Camões
Livro do Desassossego, Fernando Pessoa
Sermões, Padre António Vieira
Os Maias, Eça de Queiroz
Cancioneiros Medievais (Cantigas de Amigo e de Amor)
Crónica de D. João I, Fernão Lopes
Peregrinação, Fernão Mendes Pinto
Memorial do Convento, José Saramago
Viagens na Minha Terra, Almeida Garrett
A Brasileira de Prazins, Camilo Castelo Branco
Sôbolos Rios que Vão, António Lobo Antunes
A Sibila, Agustina Bessa-Luís

Sonetos, Antero de Quental

Húmus, Raul Brandão
Livro Sexto, Sophia de Mello Breyner Andresen
Menina e Moça, Bernardim Ribeiro

Mau Tempo no Canal, Vitorino Nemésio

A Arte de Ser Português, Teixeira de Pascoaes
A Casa Grande de Romarigães, Aquilino Ribeiro

Sinais de Fogo, Jorge de Sena

Aparição, Vergílio Ferreira

O Delfim, José Cardoso Pires

Uma Abelha na Chuva, Carlos de Oliveira

Maina Mendes, Maria Velho da Costa
Uma Viagem à Índia, Gonçalo M. Tavares

Poesia
Obra Poética, Sá de Miranda

Poesia, Bocage

O Livro, Cesário Verde

Só, António Nobre
Clepsidra, Camilo Pessanha
Poemas de Deus e do Diabo, José Régio

As Mãos e os Frutos, Eugénio de Andrade
Pena Capital, Mário Cesariny

A Colher na Boca, Herberto Helder
Toda a Terra, Ruy Belo

Teatro

O Auto da Barca do Inferno, Gil Vicente
A Castro, António Ferreira

Auto do Fidalgo Aprendiz, Francisco Manuel de Melo
Guerras de Alecrim e Manjerona, António José da Silva
O Judeu, Bernardo Santareno

Ensaio
Leal Conselheiro, Rei D. Duarte
Quod nihil scitur, Francisco Sanches
O Verdadeiro Método de Estudar, Luís António Verney
Portugal Contemporâneo, Oliveira Martins
A Ideia de Deus, Sampaio Bruno
Ensaios, António Sérgio

Ir À Índia Sem Sair de Portugal, Agostinho da Silva

O Labirinto da Saudade, Eduardo Lourenço
Tratado da Evidência, Fernando Gil
O Erro de Descartes, António Damásio

400 anos da morte de Cervantes e Shakespeare

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Dois escritores de dimensão universal, com a mesma data da morte – 23 de abril de 1616 –, William Shakespeare e Miguel de Cervantes Saavedra. Corrigindo, oficialmente, morreram a 23 de abril. Mas naquela altura, a Inglaterra usava o calendário juliano enquanto a Espanha já tinha adotado o gregoriano pelo que o 23 de abril em que Shakespeare morreu corresponderá ao nosso 3 de maio. E ainda há a tese de que Cervantes teria morrido no dia 22 (como o site oficial das comemorações afirma). Nada que atrapalhe as celebrações dos 400 anos…

Vale a pena explorar o “Especial” do El País. Um capítulo sobre Cervantes (Parte I), um capítulo sobre Shakespeare (Parte II) e dos dois génios unidos (Parte III).

 

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Apresenta ao mesmo tempo as cronologias de Cervantes e Shakespeare, com umas anotações sobre a época

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e uma série de artigos, refletindo o impacto e inspirações posteriores.

Italo Calvino: “Un clásico es una obra que suscita un incesante polvillo de discursos críticos, pero que la obra se sacude continuamente de encima”.  La eterna novedad de los clásicos

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El País…

 

Odisseia, Canto I

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Fala-me, Musa, do homem astuto que tanto vagueou,
depois que de Tróia destruiu a cidadela sagrada.
Muitos foram os povos cujas cidades observou,
cujos espíritos conheceu; e foram muito no mar
os sofrimentos por que passou para salvar a vida,
para conseguir o retorno dos companheiros a suas casas.
Mas a eles, embora o quisesse, não logrou salvar.
Não, pereceram devido à sua loucura,
insensatos, que devoraram o gado sagrado de Hiperíon,
o Sol – e assim lhe negou o deus o dia do retorno.
Destas coisas fala-nos agora, ó deusa, filha de Zeus.

Nesse tempo, já todos quantos fugiram à morte escarpada
se encontravam em casa, salvos da guerra e do mar.
Só àquele, que tanto desejava regressar à mulher,
Calipso, ninfa divina entre as deusas, retinha
em côncavas grutas, ansiosa que se tornasse seu marido.
Mas quando chegou o ano (depois de passados muitos outros)
no qual decretaram os deuses que ele a Ítaca regressasse,
nem aí, mesmo entre o seu povo, afastou as provações.
E todos os deuses se compadeceram dele,
todos menos Posídon: e até que sua terra alcançasse,
o deus não domou a ira contra o divino Ulisses.

Homero, Odisseia. Canto I.

Tradução de Frederico Lourenço. Livros Cotovia, 2003, p. 25.

Parabéns, Hans Christian Andersen. E obrigada.

Hans Christian Andersen nasceu em Odense, dia 2 de Abril de 1805, escreveu histórias infantis, contos e poemas, sendo internacionalmente conhecido por muitas histórias e contos de fadas que animaram (e animam) as nossas infâncias.

O Patinho feio, Os Sapatos Vermelhos, O Pequeno Cláudio e o Grande Cláudio, O Soldadinho de Chumbo, A Pequena Sereia, A Roupa Nova do Rei, A Princesa e a Ervilha, A Pequena Vendedora de Fósforos, A Polegarzinha, A Rainha do Gelo, A Pastora e o Limpa-chaminés, entre outros.andersen

As histórias para crianças têm todas algo em comum, narradas que sejam em línguas e culturas diferentes – e a data do nascimento de Hans Christian Andersen assinala o Dia Internacional do Livro Infantil.

Hans Christian Andersen Center

(photo: 1860)

Símbolos | the one ring

the one ring

Para os conhecedores do mundo de Tolkien, a expressão «one ring» evoca os Anéis do Poder e a Terra Média. Mas muito mais do que isso, no confronto entre bem e mal.Evoca a aventura da Irmandade do Anel, a persistência na jornada, o valor do amor e da amizade, a demanda do encantamento e da integridade, a estranha forma como os mais improváveis têm algo a dizer sobre o desenrolar (e o final)  da história.

“Três anéis para os Reis Elfos debaixo do céu,

Sete para os Senhores dos Anões nos seus palácios de pedra,

Nove para os Homens Mortais condenados a morrer,

Um para o Senhor das Trevas no seu negro trono

Na Terra de Mordor onde moram as Sombras.

Um anel para a todos dominar, um anel para os encontrar,

Um anel para a todos prender e nas trevas os reter

Na Terra de Mordor onde moram as Sombras.”

the one ring

Num artigo, de Fernando Magalhães,  li uns parágrafos interessantes:

A Humanidade divide-se em dois grupos: o dos que leram “O Senhor dos Anéis”, com os “Monty Python” e Giselle Bündchen uma das manifestações mais sublimes do génio humano (os que foram bafejados pela Graça); e o grupo dos que não (estão à espera de quê?). Os que leram, podem comprovar que não estamos a mentir ao afirmar que a leitura da trilogia escrita por John Ronald Reuel Tolkien, entre 1936 e 1949, e cujo primeiro volume, “A Irmandade dos Anéis”, deu à estampa pela primeira vez em 1954, fez deles pessoas melhores. E os fez descobrir que o mundo pode ser um mundo melhor. E que o mundo da fantasia é tão ou mais real que o mundo físico. Os que não leram – em geral, por teimosia, ou para contrariar a atitude missionária dos que, tendo lido, anseiam partilhar a epifania com os leigos – justificam o lapso tremendo cofiando o bigode com ar sério ou ajustando a baínha da saia da maioridade, acusando a obra de Tolkien de se destinar às crianças. Também se encontra a facção dos que, não conseguindo ultrapassar a barreira do volume I, introdução didáctica aos “hobbits” e aos seus usos e costumes que é uma espécie de ritual de iniciação destinado a distinguir os eleitos dos preguiçosos, desiste ao primeiro embate com a complexa iconografia e onomástica que Tolkien propõe no preâmbulo. A estes dois grupos de resistentes, ou detractores, respondem os tolkienómanos fundamentalistas com um encolher de ombros e um olhar de desprezo. A ala mais conservadora, porém, tenta convencê-los, dispondo-se mesmo a ler-lhes em voz alta, se isso for necessário para fazê-los ver a luz.”O Senhor dos Anéis”, ao contrário da história anterior de Tolkien, “O Hobbit”, sem dúvida mais perto de um estilo e de uma temática infantis, não é uma obra para crianças. Ainda que a sua magia apenas possa ser apreendida por aqueles adultos que conservaram dentro de si a pureza (e a Fé) da criança

Também concordaria que: “O Senhor dos Anéis” é a demanda, a aventura perpétua (é facto assente: todos os que a leram sentiram no final uma nostalgia, a sensação de perda, fruto do desejo de que a aventura perdurasse para sempre…) cujo sentido vai da pequenez para uma dimensão cósmica. Com regresso a casa. eterno retorno. Frodo, Merry e Pippin, mesmo Sam Gamgee, os quatro “hobbits” da “Irmandade do Anel”, cuja missão é a destruição do Um Anel no Monte da Condenação (e a vitória sobre o Mal, personificado por Sauron), vão crescendo, física e espiritualmente, aproximando-se gradualmente de uma natureza élfica, a mais nobre de “O Senhor dos Anéis” (aqui Tolkien retoma o ideário do Amor e da Gnose medievais…), à medida que a saga vai avançando. Ciclo de Cavalaria ou Demanda inversa do Graal, o Eterno Retorno de “O Senhor dos Anéis” é apenas aparente. Frodo e os restantes hobbits regressam a casa diferentes do que eram ao partirem. A adaptação à mesquinhez e à normalidade do dia-a-dia no Shire tornara-se impossível.

Como outros, considero que esta obra literária do séc.XX é um itinerário, exterior e interior. Tolkien deu-nos muito mais que uma dezena de livros e um mundo de fantasia.

Símbolos | facções no mundo “Divergente”

Faction before blood

Every faction conditions its members to think and act a certain way. And most people do it. For most people, it’s not hard to learn, to find a pattern of thought that works and stay that way. But our minds move in a dozen different directions. We can’t be confined to one way of thinking, and that terrifies our leaders. It means we can’t be controlled. And it means that no matter what they do, we will always cause trouble for them.
― Veronica Roth, Divergent

I don’t want to be just one thing. I can’t be. I want to be brave, and I want to be selfless, intelligent, and honest and kind. Well, I’m still working on kind.” – Four

A sociedade foi dividida em cinco grupos, denominados Facções. Cada uma delas tem virtudes específicas e diferentes olhares para a razão dos males no mundo. Os Intrépidos seguem a coragem e culpam a covardia como motivo de desordem no mundo, os Cordiais  seguem a paz e culpam a agressividade, os Cândidos seguem a verdade e culpam a duplicidade, os Eruditos seguem a inteligência e culpam a ignorância e os Abnegados seguem o altruísmo e culpam o egoísmo. E cada um escolhe a sua facção, seja ou não a dos seus pais.

Os outros são a prioridade dos Abnegados; a sinceridade dos Cândidos não tem limite; os Cordiais são uma referência pra a paz; os eruditos buscam conhecimento para orientar a sua vida e os Intrépidos protegem a cidade sem medo. Não pertencer a nenhuma facção é ser invisível na sociedade, viver abandonado em extrema pobreza sem acesso a quaisquer direitos. Quem tem traços de mais do que uma facção é divergente e, por isso, muito perigoso. “You’re different. You don’t fit into any of the categories. They can’t control you. They call it divergent.” Tori

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Divergente – Uma escolha pode transformar-te;  Insurgente – Uma escolha pode destruir-te; Convergente – Uma escolha vai definir-te, são os títulos e subtítulos dos 3 livros de Veronica Roth (em português ficou bem «Convergente» mas o terceiro volume era «Allegiance»).

4 livros  4 simbolos

Curiosamente, apesar das facções serem cinco, há seis grupos. E a história deve mudar quando o número de divergentes aumentar…

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