Citação do dia

“Este é em primeiro lugar um ensaio acerca das emoções e das atitudes que incluem uma certa estimativa de si mesmo, como o orgulho, a autoestima, a vaidade, a arrogãncia, a vergonha, a humildade, o embaraço, o ressentimento, e a indignação. É também acerca de algumas qualidades que se relacionam com essas emoções; a nossa integridade, sinceridade ou autenticidade. Interessa-me o modo como essas emoções e qualidades se manifestam na vida humana em geral, e no mundo moderno em particular. O ensaio é por consequência aquilo que o grande filósof alemão Immanuel Kant, que nunca teve medo de um título grandioso, teria chamado um exercício de antroplogia pragmática” (p.13)

“Narciso poderia recordar-nos os enxames de egoístas que infestam os locais de interesse, as galerias de arte, os concertos, os espaços públicos, e o ciberespaço. Para essas pessoas, o objetivo de cada momento é em primeiro lugar registarmo-nos como tendo estado ali, e, em segundo lugar, transmitir o resultado para o máximo de gente possível no resto do mundo. O smartphone é a maldição do espaço público enquanto as pessoa continuam a clicar com a lente apontada principalmente para si mesmas e apenas secundariamente para aquilo que as rodeia”. (p.56)

Uma belíssima mistura de reflexão, sentido de humor, sabedoria, com recurso aos filósofos, à cultura, aos mitos, à arte…  Fortemente recomendado.

Of travel (F. Bacon, 1915)

TRAVEL, in the younger sort, is a part of education, in the elder, a part of experience. (…)  The things to be seen and observed are: the courts of princes, especially when they give audience to ambassadors; the courts of justice, while they sit and hear causes; and so of consistories ecclesiastic; the churches and monasteries, with the monuments which are therein extant; the walls and fortifications of cities, and towns, and so the heavens and harbors; antiquities and ruins; libraries; colleges, disputations, and lectures, where any are; shipping and navies; houses and gardens of state and pleasure, near great cities; armories; arsenals; magazines; exchanges; burses; warehouses; exercises of horsemanship, fencing, training of soldiers, and the like; comedies, such whereunto the better sort of persons do resort; treasuries of jewels and robes; cabinets and rarities; and, to conclude, whatsoever is memorable, in the places where they go. After all which, the tutors, or servants, ought to make diligent inquiry. As for triumphs, masks, feasts, weddings, funerals, capital executions, and such shows, men need not to be put in mind of them; yet are they not to be neglected. (…) When a traveller returneth home, let him not leave the countries, where he hath travelled, altogether behind him; but maintain a correspondence by letters, with those of his acquaintance, which are of most worth. And let his travel appear rather in his discourse, than his apparel or gesture; and in his discourse, let him be rather advised in his answers, than forward to tell stories; and let it appear that he doth not change his country manners, for those of foreign parts; but only prick in some flowers, of that he hath learned abroad, into the customs of his own country.

Francis Bacon, Of Travel, 1815

Citação do dia

“A ponte é uma escada entre duas margens, não a margem da esquerda e a margem da direita mas a margem de cima e a margem que fica em baixo (…) Uma escada tem dois limiares, define duas portas, a do primeiro e do último passo, não importa se a sobes, se a descesm porque haverá sempre um primeiro e um último passo. Cada degrau implica um esforço, uma tensão, um esticar de corda no arco do corpo, que se curva em obediência para onde vai”

Tiago Salazare, A carta de Istambul, 2016.

Prémio Livro do Ano Bertrand 2017 – Elena Ferrante

O romance História da Menina Perdida, de Elena Ferrante, publicado em 2016 pela Relógio d’Água, é o vencedor do Prémio Livro do Ano Bertrand, conforme divulgado esta semana.

A criação, pela rede de livrarias Bertrand, do Prémio Livro do Ano Bertrand, foi anunciada em Dezembro de 2016, sendo um galardão votado por leitores e livreiros.

O prémio distingue “uma obra em prosa, seja romance, conto ou novela, editada no nosso país ao longo do último ano”, sendo o júri “composto por todos os livreiros da rede Bertrand, que desempenham um papel fundamental na promoção diária do livro e da leitura, e pelos leitores, oferecendo-lhes a oportunidade de distinguir os livros que mais os marcaram em cada ano”, explicou a rede livreira em comunicado.

Elena Ferrante é pseudónimo de uma escritora italiana, cuja identidade permenece secreta, apesar de diversos esforços (e artigos) de jornalistas. Concedeu poucas entrevistas, todas por escrito e respondidas por intermédio das editoras italianas. Explicou que optou pelo anonimato para poder escrever livremente e para que a receção dos seus livros não seja influenciada por uma imagem pública.

“O caminho das minhas obras é o meu caminho.” E “Os leitores contentam-se com ele, aliás, alguns até me escrevem pedindo que não revele nunca outros caminhos mais privados e, por isso, menos interessantes. Os meios de comunicação é que, por dever de ofício, não se contentam com as obras, querem caras, personagens, protagonistas excêntricos. Mas pode-se passar tranquilamente sem o que os meios de comunicação pretendem.”

Especula-se que tenha nascido em Nápoles, por volta de 1943; apresenta um sólido conhecimento dos autores clássicos gregos e latinos; crê-se que tem filhos, que talvez tenha vivido na Grécia. Apenas uma certeza: publicou em 1991 o primeiro romance, L’amore molesto (Um Estranho Amor), bem recebido e o “quarteto napolitano”, uma tetralogia, foi um verdadeiro sucesso

  • A amiga genial – no original L’amica geniale, 2011;
  • História do novo nome – no original Storia del nuovo cognome, 2012;
  • História de quem foge e de quem fica – no original Storia di chi fugge e di chi resta,  2013;
  • História da Menina Perdida – no original Storia della bambina perduta, 2014.

Em segundo lugar, ficou Vaticanum, de José Rodrigues dos Santos, editado pela Gradiva, e,

em terceiro lugar, O Evangelho Segundo Lázaro, de Richard Zimler, da Porto Editora.

Nem Todas as Baleias Voam, de Afonso Cruz, da Companhia das Letras, em quarto lugar,

Homens Imprudentemente Poéticos, de Valter Hugo Mãe, da Porto Editora, em quinto,

Uma Terra Chamada Liberdade, de Ken Follett, da Editorial Presença, em sexto, e

Doutor Sono, de Stephen King, da Bertrand Editora, em sétimo.

Segue-se o romance As Areias do Imperador, de Mia Couto, da Editorial Caminho, em oitavo lugar,

Prometo Perder, de Pedro Chagas Freitas, da Marcador, na nona posição,

e em décimo lugar Como Vento Selvagem, de Sveva Casati Modignani, da Porto Editora.

Citação do dia

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“Cada vez estou mais convencido que o mundo me quer dizer qualquer coisa, enviar-me mensagens, avisos, sinais. (…) Há dias em que cada coisa que vejo me parece prenhe de significados: mensagens que me seria difícil comunicar a outros, definir, traduzir em palavras, mas que precisamente por isso se me apresentam como decisivas. São anúncios ou presságios que dizem respeito a mim mesmo e simultaneamente ao mundo: e de mim, não os acontecimentos exteriores da existência mas aquilo que acontece dentro, no fundo, e do mundo não um qualquer facto singular mas o modo de ser geral de tudo. Compreendem portanto a minha dificuldade em falar de tudo isto, a não ser por alusões.”
Italo Calvino, Se numa noite de Inverno um viajante
“Debruçando-se da Encosta Íngreme”