European Psychiatric/Mental Health Nursing in the 21st Century. A Person-Centred Evidence-Based Approach.

Santos, José Carlos, Cutcliffe, John R. (Eds.) European Psychiatric/Mental Health Nursing in the 21st Century. A Person-Centred Evidence-Based Approach. 2018. Published under the Auspices of ESNO.

São 42 capítulos – a um por dia, mês e meio 🙂

Table of contents (42 chapters)

Introduction: Remembering the Person: The Need for a Twenty-First-Century, Person-Centred European Psychiatric/Mental Health Nursing Textbook – Cutcliffe, John R. (et al.) Pages 3-11

Oxymoronic or Synergistic: Deconstructing the Psychiatric and/or Mental Health Nurse – Cutcliffe, John R. (et al.) Pages 13-27

Service User Involvement and Perspectives – Ferraz, Marta, Pages 29-35

Taxonomies: Towards a Shared Nomenclature and Language -Cruz Sequeira, Carlos Alberto (et al.) Pages 37-47

Theories of the Interpersonal Relationships, Transitions and Humanistic Theories: Contribution to Frameworks of Psychiatric/Mental Health Nursing in Europe – Carvalho, José Carlos (et al.) Pages 49-58

An Introduction to the Art and Science of Cognitive Behavioural Psychotherapy – Swan, John (et al.), Pages 59-73

Psychodynamic and Psychoanalytical Theory, Approaches and Clinical Relevance: Applying the Psychoanalytic Principles and Practices to Mental Health Nursing – Lopes, J. (et al.) Pages 75-88

The Biopsychosocial Approach: Towards Holistic, Person-Centred Psychiatric/Mental Health Nursing Practice – Santos, José Carlos (et al.) Pages 89-101

Trauma-Informed Care: Progressive Mental Health Care for the Twenty-First Century – Cutcliffe, John R. (et al.) Pages 103-122

Competences for Clinical Supervision in Psychiatric/Mental Health Nursing – Cutcliffe, John R. (et al.)Pages 123-139

European and Worldwide Mental Health Epidemiology and Trends – Sakellari, Evanthia Pages 141-150

Mental Health Nurses and Responding to Suffering in the Twenty-first Century Occidental World: Accompanying People on Their Search for Meaning – Cutcliffe, John R. (et al.) Pages 151-166

Acute Inpatient Psychiatric/Mental Health Nursing: Lessons Learned and Current Developments – Sande, Roland Pages 169-181

Community Psychiatric/Mental Health Nursing: Contexts and Challenges—The Case of Nurse Prescribing and Recovery-Focused Interventions -Hemingway, Steve (et al.) Pages 183-193

Unearthing the Theoretical Underpinnings of “Green Care” in Mental Health and Substance Misuse Care: History, Theoretical Origins, and Contemporary Clinical Examples -Cutcliffe, John R. (et al.) Pages 195-210

Nursing People in Prisons, Forensics and Correctional Facilities – Dickinson, Tommy (et al.) Pages 211-222

eHealth, Telematics and Telehealth – Kilkku, Nina; Pages 223-233

Public Health and Ecological Approaches: The Example of eHealth for Adolescent Mental Health Support – Minna, Anttila (et al.) Pages 235-243

Forming and Maintaining Interpersonal Relationships – Lopes, Manuel José; Pages 247-257

Psychiatric/Mental Health Nursing Core Competencies: Communication Skills – Loureiro, Cândida (et al.) Pages 259-267

Group Work in Psychiatric/Mental Health Nursing: The Case for Psychoeducation as a Means to Therapeutic Ends – Gordon, Evelyn (et al.) Pages 269-282

A Family-Focused, Recovery Approach When Working with Families When a Parent Has a History of Mental Health Problems: From Theory to Practice – Maybery, Darryl (et al.) Pages 283-291

Psychiatric/Mental Health Nursing and Mental Health Promotion: An Eight Steps Path – Gomes, José Carlos Rodrigues; Pages 293-307

Therapeutic Milieu: Utilizing the Environment to Promote Mental Wellness – Green, Tyler D.; Pages 309-318

Psychiatric/Mental Health Nursing Nonphysical Competencies for Managing Violence and Aggression: De-escalation and Defusion – Bilgin, Hulya (et al.) Pages 319-333

 

Problems Affecting a Person’s Mood – López-Cortacans, German (et al.) Pages 337-352

The Person Experiencing Anxiety – McLaughlin, Columba; Pages 353-370

Integrated Care – ‘Schizophrenia’: A Challenge for Psychiatric/Mental Health Nursing – González-Pando, David (et al.) Pages 371-383

Human Experiences of and Psychiatric/Mental Health Nurses’ Responses to Problems Related to Dementias and Cognitive Impairment – Quaresma, Helena (et al.) Pages 385-394

Problems Related to Substance and Alcohol Misuse – Kutlu, Fatma Yasemin (et al.) Pages 395-421

Problems Related to Eating, Nutrition, and Body Image – Modica, Christopher; Pages 425-439

Suicide and Self-Harm – Santos, José Carlos; Pages 441-452

A Systematic Perspective of Violence and Aggression in Mental Health Care: Toward a More Comprehensive Understanding and Conceptualization – Cutcliffe, John R. (et al.) Pages 453-477

The Withdrawn or Recalcitrant Client – Lakeman, Richard; Pages 479-492

Confronting Goffman: How Can Mental Health Nurses Effectively Challenge Stigma? A Critical View of the Literature – Bates, L. (et al.)  Pages 493-503

Psychiatric/Mental Health Nursing Care of Children and Adolescents – Nabais, António Jorge Soares Antunes (et al.) Pages 507-520

Psychiatric/Mental Health Nursing Care of the Older Adult: Mental Health in Old Age – Eriksson, Bengt (et al.) Pages 521-531

Psychiatric/Mental Health Nurses Care of the Client Who Presents with Both Mental Health and Substance Misuse Problems – Cutcliffe, John R. (et al.) Pages 533-548

Non-European and European Migrants in Acute Adult Inpatient Mental Healthcare: Dissociation and Identity – Souiah-Benchorab, Yasmine (et al.) Pages 549-560

Working with Individuals Who Are Homeless – Forchuk, Cheryl; Pages 561-570

Mental Health Problems and Risks in Refugees During Migration Processes and Experiences: Literature Overview and Interventions – Giulia, Cossu (et al.) Pages 571-585

Erratum to: European Psychiatric/Mental Health Nursing in the 21st Century – Santos, José Carlos (et al.)

Memórias de Adriano, Marguerite Yourcenar

A ficção oficial quer que um imperador romano nasça em Roma, mas foi em Itálica que eu nasci; foi a esse país seco e no entanto fértil que sobrepus mais tarde muitas regiões do mundo. A ficção tem coisas boas: prova que as decisões do espírito e da vontade transcendem as circunstâncias. O verdadeiro lugar de nascimento é aquele em que, pela primeira vez, se lança um olhar inteligente sobre si mesmo: as minhas primeiras pátrias foram os livros.

Num grau inferior, as escolas. As de Espanha tinham-se ressentido dos ócios da província. A escola de Terêncio Scauro, em Roma, ensinava mediocremente os filósofos e os poetas, mas preparava bastante bem para as vicissitudes da existência humana: os magísteres exerciam sobre os discípulos uma tirania que eu teria vergonha de impor aos homens; cada um, encerrado nos estreitos limites do seu saber, desprezava os colegas que, tão estreitamente como eles, sabiam outra coisa. Estes pedantes enrouqueciam em disputas de palavras. As querelas de precedência, as intrigas, as calúnias familiarizaram-me com o que eu devia encontrar depois em todas as sociedades em que vivi, e a tudo isso juntava-se a brutalidade da infância. Todavia, estimei alguns dos meus mestres e essas relações estranhamente íntimas e estranhamente ilusivas que existem entre o professor e o aluno e amei as sereias cantando no fundo de uma voz trémula, que pela primeira vez nos revela uma obra-prima ou nos dá a conhecer uma ideia nova. No fim de tudo, o maior sedutor não é Alcibíades, é Sócrates.

Os métodos dos gramáticos e dos retóricos são talvez menos absurdos do que eu pensava nessa época em que estava sujeito a eles.(…)  A leitura dos poetas teve efeitos mais perturbantes ainda: não tenho a certeza de que a descoberta do amor seja forçosamente mais deliciosa que a da poesia. Esta transformou-me: a iniciação da morte não me introduzirá mais profundamente num outro mundo que certo crepúsculo de Virgílio. Mais tarde preferi a rudeza de Énio, tão próxima das origens sagradas da raça, ou a sábia amargura de Lucrécio, ou à generosa abundância de Homero, a humilde parcimónia de Hesíodo. Apreciei sobretudo os poetas mais complicados e os mais obscuros, que obrigam o meu pensamento à mais difícil ginástica, os mais recentes ou os mais antigos, aqueles que me abrem caminhos novos ou me ajudam a reencontrar pistas perdidas. […]

Marguerite Yourcenar. Memórias de Adriano. Editora Ulisseia. pp.34-35.

“A política como vocação”, Max Weber

Max Weber (1864-1920) é especialmente (re)conhecido pela obra «A ética protestante e o espírito do capitalismo», publicado em 1904. Tendo morrido aos 56 anos, muito da sua obra foi de publicação póstuma, editada por Mariane Weber, sua esposa.

Pouco antes da sua morte, Max Weber pronunciou uma conferência sobre a actividade política, que seria publicada com o título de A política como vocação, desenhando o aparecimento e o perfil do “político profissional”, enquadrado numa reflexão filosófico-política que aborda a relação entre a ética e a política.

Partindo de uma análise sobre o conceito de política, Weber considera-a como uma suposta direcção do Estado, ou do agrupamento político denominado “Estado”. E é claro para o filósofo alemão que o Estado não se define pelos seus fins, nem por tarefas exclusivas, mas pelo meio específico que lhe é peculiar, o uso da força.

“o Estado é uma comunidade humana que pretende, com êxito, o monopólio do uso legítimo da força física dentro de um determinado território.”

A política é entendida como “o conjunto de esforços com vistas a participar do poder ou a influenciar a divisão do poder, seja entre Estados, seja no interior de um único Estado”.

Como último ponto da conferência, Weber abre uma questão sobre a relação entre ética e política: “qual é, independentemente de fins específicos, a missão que a política pode desempenhar na economia global da conduta da vida? Qual é, noutras palavras, o lugar ético em que ela reside?”

Distingue a ética de responsabilidade da “ética de convicção” ou “ética dos fins absolutos”, segundo a qual os fins justificam os meios.

«O partidário da ética da responsabilidade, […] contará com as fraquezas comuns dos homens (pois, como dizia muito procedentemente Fichte, não temos o direito de pressupor a bondade e a perfeição do homem e entenderá que não pode lançar a ombros alheios as consequências previsíveis de suas próprias acções. Dirá, portanto “Essas consequências são imputáveis a minha própria acção”.»

«Não é possível conciliar a ética da convicção e a ética da responsabilidade, assim como não é possível, se jamais se fizer qualquer concessão ao princípio segundo o qual os fins justificam os meios, decretar, em nome da moral, qual o fim que justifica um meio determinado […] Com efeito, todos esses objetivos que não é possível atingir a não ser através da atividade política – onde necessariamente se faz apelo a meios violentos e se acolhem os caminhos da ética da responsabilidade – colocam em perigo a “salvação da alma”.»

“a política é um esforço tenaz e enérgico para atravessar grossas vigas de madeira. Um esforço desse tipo exige, a um tempo, paixão e senso de proporção. É perfeitamente exato dizer – e toda a experiência histórica confirma – que não se teria jamais atingido o possível, se não se houvesse tentado o impossível”.

“A ciência como vocação”, Max Weber

É conhecido o conjunto de duas conferências de Max Weber (A política como vocação e a ciência como vocação)

Na “Ciência como vocação“, aqui traduzida por Artur Morão, compara vida universitária alemã e americana, com o estilo que lhe é característico, como:

“Que o acaso, e não só a competência, desempenhe um tão grande papel não depende apenas, e nem sequer principalmente, das fraquezas humanas que, decerto, se fazem sentir nesta selecção como em qualquer outra. Seria injusto atribuir as responsabilidades às fraquezas pessoais das Faculdades ou dos Ministérios pela circunstância de, sem dúvida, haver tantas mediocridades que desempenham nas universidades um papel importante.” (p. 5)

“Na ciência, pelo contrário, cada qual sabe que aquilo que produziu ficará antiquado dentro de dez, vinte ou cinquenta anos. Tal é o destino, o sentido do trabalho científico e ao qual este, diferentemente de todos os outros elementos da cultura,também eles sujeitos à mesma lei, está submetido e votado: toda a “realização” científica significa novas “questões” e quer ser ultrapassada,envelhecer. Quem pretende dedicar-se à ciência tem de contar com isto.Sem dúvida, há trabalhos científicos que podem conservar a sua importância de modo duradouro como “instrumentos de fruição”, por causada sua qualidade artística ou como meios de formação para o trabalho. Seja como for, importa repetir que ser cientificamente ultrapassado não é só o destino de todos nós, mas também toda a nossa finalidade. Não podemos trabalhar sem esperar que outros hão-de ir mais longe do que nós. Este progresso, em princípio, não tem fim. Chegamos assim ao problema do sentido da ciência.” (p. 12)

“Qual é, então, sob estes pressupostos, o sentido da ciência como profissão, após o naufrágio de todas as antigas ilusões: “caminho para o verdadeiro ser”, “caminho para a verdadeira arte”, “caminho para a verdadeira natureza”, “caminho para o verdadeiro Deus”, “caminho para a felicidade autêntica”? A resposta mais simples é a que Tolstoi forneceu com as seguintes palavras: “A ciência carece de sentido, pois não tem resposta algum para a única questão que nos interessa – “Que devemos fazer? Como devemos viver?”. Dificilmente se pode contestar o facto de que ela, com efeito, não faculta nenhuma resposta a esta questão. O problema é apenas este: em que sentido não oferece ela “nenhuma” resposta?” (p. 18)

“Decidir sobre o final de vida” [CNECV e Glaciar, 2019]

Ainda que podendo ser  visto como uma antologia de um ciclo de debates, o livro tem, além de memória de cada um dos debates (Parte I, Debates nacionais) , uma apresentação sintética de argumentos (recomendo vivamente a leitura de “Questões & Argumentos, p. 137-149) e textos integrais do seminário internacional.

O presente volume é uma memória do Ciclo de Debates Decidir Sobre o Final da Vida que o Conselho Nacional de Ética para as Ciências Vida organizou de Maio a Dezembro de 2017 e que se julgou útil dar a conhecer como instrumento de informação e reflexão, servindo a quem o ler apoio para as decisões pessoais.

“Saúde e Cyborgs: cuidar na Era Biotecnológica” [2019]

Foi apresentado o livro “Saúde e Cyborgs: cuidar na Era Biotecnológica“, sendo organizadores Manuel Curado (Universidade do Minho) e Ana Paula Monteiro (Escola Superior de Enfermagem de Coimbra),  “Edições Esgotadas”.

A obra tem duas partes – I – O pensamento do cuidar e II – Práticas do Cuidar.

Tendo participado nesta obra coletiva, recomendo vivamente a sua leitura, também pela diversidade de autores e perspetivas

– «Algumas perspetivas denunciam o excesso dos meios técnicos nos cuidados de saúde devido ao perigo de desumanização, temendo que o aumento desse império conduza à perda irreversível dos valores que durante séculos orientaram as tarefas do cuidar. Outras perspetivas compartilham a esperança dos seus autores de que nunca se perderá o respeito pela dimensão humana das pessoas que são objeto do cuidar, oferecendo sugestões de caminhos a trilhar em ordem a promover ativamente esse objetivo. Outras ainda temem que os cuidados de saúde sejam apenas um caso isolado de um processo mais vasto de domínio paternalista de todos os aspetos da vida das pessoas» (prefácio)

(Imagem aqui, do lançamento do livro)

16 anos de “Um olhar sobre o ombro”

A 25 de maio de 2003, foi apresentado – e não é que passaram 16 anos?!

O livro aqui apresentado é um importante tributo à história da enfermagem portuguesa. Encontra-se dividido em duas partes distintas – uma, relativa à procura do conceito de Ser Humano na História da Enfermagem em Portugal (1881-1954), e outra, que se fundamenta na descrição e análise de eventos mais recentes.

O tomo I, de metodologia histórica, tem uma estrutura tripartida, considerando os caminhos da profissão em Portugal e a perspectiva do ser humano nas Ciências e na Enfermagem (com especial destaque para as matrizes, continuidades e rupturas). O tomo II aponta perspectivas, percursos e horizontes de 1954 a 1998, atravessando as grandes mudanças que ocorreram na enfermagem, de nível profissional único, de curso de nível superior, da regulamentação do exercício e da criação da Ordem dos Enfermeiros, com a publicação do seu Estatuto e do Código Deontológico.

No global, Um Olhar sobre o Ombro remete ao relancear os olhos para trás, visualizando o caminho percorrido para poder permitir um melhor enquadramento do hoje. E a convicção deste contributo para o presente tanto se reporta à questão identitária da profissão como à construção das ideias e à interpretação dos acontecimentos, já que a enfermagem é vista de forma alargada, atravessando e sendo atravessada pelos movimentos do e ao tempo em que se foi desenvolvendo – aliás, numa lógica de reencontro, no tempo, com as raízes de muitos dos assuntos que hoje estão na ordem do dia.
Trata-se, pois, de uma edição indispensável a todos quantos queiram saber mais sobre a história recente da Enfermagem em Portugal.” (Lusodidacta)

 

Livros e leituras

Os passos do homem como restolho do tempo: memória e fim do fim da história. Fernando  Catroga.

Tenho de confessar o imenso prazer intelectual na leitura desta obra: o pensamento e profundo, as referencias são sem limite, a bibliografia e extensa, ha sugest6es em desafio constante que nos convocam para o dialogo crítico. Repito: obra de excelência da maturidade intelectual, muito exigente na sua profundidade reflexiva.” assim o descreveu Anselmo Borges, na recensão ao livro. E adiante, afirma

Pode a historia pretender constituir-se em ciência? Aristóteles negava essa pretensão, pois a ciência refere-se ao universal. Ora, a história tem como objecto o singular, irrepetível e contingente. A contingência e o acaso em historia são algo que não deixa de impressionar profundamente, na medida em que estamos em presença de acontecimentos imprevisiveis e contingentes que acabam por ter uma incidência histórica aparentemente indevida.(…) Em primeiro lugar, o historiador não observa directamente os factos. Pela sua própria natureza, a história é conhecimento do passado. Mas o passado já não existe. (…) Depois, o conhecimento do passado só é possível indirectamente, e permanece subjectivo. (…) Em terceiro lugar, não sendo possível a experimentação nem a repetibilidade, pois se trata de acontecimentos únicos e irrepetíveis, não poderá estabelecer leis … Fernando Catroga (…) opõe-se à história objectivista, positivista e não pensa que a história seja mestra da vida … Alias, como escreveu Paul Valery, «a historia justifica o que se quiser. Ela não ensina rigorosamente nada, pois contem tudo e da exemplos. de tudo». Mas é possível reconstruir o facto histórico, porque há vestígios, sinais, traços – aqui esta o titulo da obra: Os Passos do Homem como Restolho do Tempo.” continuar a ler

Paul Ricoeur e Cornelius Castoriadis. Diálogo sobre a História e o Imaginário social.

Neste Diálogo, Paul Ricoeur e Cornelius Castoriadis, dois dos maiores filósofos do século XX, debatem questões relacionadas com a história, a imaginação, as instituições e a criatividade, tais como: de que forma podemos pensar a dimensão imaginária das sociedades? Como compreender o aparecimento da inovação na historia e na ação humana, as revoluções e o projeto de autonomia? Tendo tido lugar em 1985, este diálogo revela duas perspetivas que convergem na valorização da capacidade transformadora da ação.

O texto, prefaciado por Johann Michel, inclui um excelente posfácio de Gonçalo Marcelo. O que mais apreciei, à leitura, é tanto o coloquial do acesso aos conceitos centrais como a procura do consenso e a identificação das linhas divisórias.

Paul Ricoeur e Cornelius Castoriadis. Diálogo sobre a História e o Imaginário Social. Edições 70. 2016.

This book features a highly significant discussion between Paul Ricoeur and Cornelius Castoriadis. Recorded for Radio France (Culture) in 1985, it is the only known encounter between these two great philosophers of the imagination. Their wide ranging conversation covers such themes as the productive imagination, human creation, social imaginaries, and the possibility of historical novelty; it reveals points of surprising commonality as well as divergence in their approaches. The dialogue is supplemented by critical essays by specialist scholars in Castoriadis and Ricoeur studies, and includes contributions from Johann P. Arnason, George H. Taylor, François Dosse, Johann Michel, Jean-Luc Amalric, and Suzi Adams. The book is a must read for all scholars interested in Ricoeur and Castoriadis studies, as well as those interested in debates on the possibilities and limits of human creation, and the importance of the imagination for social change.

“Epistemology of the closet”

Epistemology of the Closet proposes that many of the major nodes of thought and knowledge in twentieth-century Western culture as a whole are structured — indeed, fractured —by a chronic, now endemic crisis of homo/heterosexual definition, indicatively male, dating from the end of the nineteenth century. The book will argue that an understanding of virtually any aspect of modern Western culture must be, not merely incomplete, but damaged in its central substance to the degree that it does not incorporate a critical analysis of modern homo/heterosexual definition; and it will assume that the appropriate place for that critical analysis to begin is from the relatively decentered perspective of modern gay and antihomophobic theory. link do livro
Versão condensada, em português
“Since the late 1980s, queer studies and theory have become vital to the intellectual life of the U.S. This has been, to no small degree, due to the popularity of Eve Kosofsky Sedgwick’s critically acclaimed Epistemology of the Closet. Working from classic texts of European and American writers — including Herman Melville, Henry James, Marcel Proust, and Oscar Wilde — Sedgwick delineates a historical moment in which sexual identity became as important a demarcation of personhood as gender had been for centuries. Sedgwick’s literary analysis, while provocative and often startling (you will never read Billy Budd or The Picture of Dorian Gray the same way again), is simply the basis for a larger project of examining and analyzing how the categories of ‘homosexual’ and ‘heterosexual’ continue to shape almost all aspects of contemporary thought. Epistemology of the Closet is a sometimes-dense work, but one filled with wit and empathy. Sedgwick writes with great intelligence and an eye for irony, but always makes clear that her theories and critical acumen are in the service of a politic that seeks to make the world a better and more humane place for everyone. An extraordinary book that reshapes how we think about literature, sexuality, and everyday life.” Michael Bronski

À procura de «alguém» ou a Rosa de Fontenelle

Para as Rosas, escreveu alguém, o Jardineiro é Eterno” – expressão atribuída a Machado de Assis.

Quem será esse «alguém»?

O filósofo Bernard Le Bovier de Fontenelle, em Entretiens sur la plurarité des mondes, dialoga com uma marquesa e refere-se à rosa que não conhece senão um jardineiro, sempre o mesmo jardineiro, pois no jardim não se lembra jamais de ter visto outro jardineiro – na memória da rosa, aquele jardineiro é eterno.

[B. Fontenelle, Entretiens sur la pluralité des mondes – Conversações sobre a pluralidade dos mundos, 1686]

Si les roses, qui ne durent qu’un jour, faisoient des histoires, et se laissent des mémoires les unes aux autres, les premières auroient fait le portrait de leur jardinier d’une certaine façon et, de plus de quinze mille âges de roses, les autres qui l’auroient encore laissé à celles qui les devoient suivre, n’y auroient rien changé. Sur cela, elles diroient : Nous avons toujours vu le même jardinier, de mémoire de rose on n’a vu que lui, il a toujours été fait comme il est, assurément il ne meurt point comme nous, il ne change seulement pas. Le raisonnement des roses serait-il bon ? Il auroit pourtant plus de fondement que celui que faisoient les Anciens sur les corps célestes ; et quand même il ne seroit arrivé aucun changement dans les cieux jusqu’à aujourd’hui, quand ils paraîtroient marquer qu’ils seroient faits pour durer toujours sans aucune altération, je ne les en croirois pas encore, j’attendrois une plus longue expérience. Devons-nous établir notre durée, qui n’est que d’un instant, pour la mesure de quelqu’autre ? Serait-ce à dire que ce qui auroit duré cent mille fois plus que nous, dût toujours durer ? On n’est pas si aisément éternel. Il faudroit qu’une chose eût passé bien des âges d’homme mis bout à bout, pour commencer à donner quelque signe d’immortalité. Vraiment, dit la Marquise, je vois les mondes bien éloignés d’y pouvoir prétendre. Je ne leur ferois seulement pas l’honneur de les comparer à ce jardinier qui dure tant à l’égard des roses, ils ne sont que comme les roses même qui naissent et qui meurent dans un jardin les unes après les autres ; car je m’attends bien que s’il disparaît des étoiles anciennes, il en paraît de nouvelles, il faut que l’espèce se répare. Il n’est pas à craindre qu’elle périsse, répondis-je.

A rosa de Fontenelle apenas conhece o jardineiro que a trata, pelo que acaba por considerar que não é só o seu jardineiro que é eterno, eterna é também a espécie que ele tipifica. A rosa está impossibilitada de considerar a caducidade quer das rosas quer dos jardineiros – por isso, entende que a imutabilidade do jardineiro é a regra das coisas na vida. Não pode crer que ele perece.

“A morte da competência. Os perigos da campanha contra o conhecimento estabelecido.” Tom Nichols

Quando o comprei, não estava realmente à espera que me deliciasse e entretivesse. E instruísse, ao mesmo tempo. De tal forma que faço um post sobre ele, ainda não passei do primeiro capítulo – estou na «ascensão do eleitor pouco informado» (p. 45).

Como o autor conta no prólogo, começou por escrever um artigo – que vos convido a ler aqui. “Se escrevo este livro é por estar preocupado.” Deixo uns excertos do artigo e a promessa de voltar aqui quando acabar…

The Death Of Expertise

I fear we are witnessing the “death of expertise”: a Google-fueled, Wikipedia-based, blog-sodden collapse of any division between professionals and laymen, students and teachers, knowers and wonderers – in other words, between those of any achievement in an area and those with none at all. By this, I do not mean the death of actual expertise, the knowledge of specific things that sets some people apart from others in various areas. There will always be doctors, lawyers, engineers, and other specialists in various fields. Rather, what I fear has died is any acknowledgement of expertise as anything that should alter our thoughts or change the way we live.

What has died is any acknowledgement of expertise as anything that should alter our thoughts or change the way we live.

This is a very bad thing. Yes, it’s true that experts can make mistakes, as disasters from thalidomide to the Challenger explosion tragically remind us. But mostly, experts have a pretty good batting average compared to laymen: doctors, whatever their errors, seem to do better with most illnesses than faith healers or your Aunt Ginny and her special chicken gut poultice. To reject the notion of expertise, and to replace it with a sanctimonious insistence that every person has a right to his or her own opinion, is silly.

Worse, it’s dangerous. The death of expertise is a rejection not only of knowledge, but of the ways in which we gain knowledge and learn about things. Fundamentally, it’s a rejection of science and rationality, which are the foundations of Western civilization itself. Yes, I said “Western civilization”: that paternalistic, racist, ethnocentric approach to knowledge that created the nuclear bomb, the Edsel, and New Coke, but which also keeps diabetics alive, lands mammoth airliners in the dark, and writes documents like the Charter of the United Nations.

This isn’t just about politics, which would be bad enough. No, it’s worse than that: the perverse effect of the death of expertise is that without real experts, everyone is an expert on everything. To take but one horrifying example, we live today in an advanced post-industrial country that is now fighting a resurgence of whooping cough — a scourge nearly eliminated a century ago — merely because otherwise intelligent people have been second-guessing their doctors and refusing to vaccinate their kids after reading stuff written by people who know exactly zip about medicine.

In politics, too, the problem has reached ridiculous proportions. People in political debates no longer distinguish the phrase “you’re wrong” from the phrase “you’re stupid.” To disagree is to insult. To correct another is to be a hater. And to refuse to acknowledge alternative views, no matter how fantastic or inane, is to be closed-minded.

How conversation became exhausting

Critics might dismiss all this by saying that everyone has a right to participate in the public sphere. That’s true. But every discussion must take place within limits and above a certain baseline of competence. And competence is sorely lacking in the public arena. People with strong views on going to war in other countries can barely find their own nation on a map; people who want to punish Congress for this or that law can’t name their own member of the House.

People with strong views on going to war in other countries can barely find their own nation on a map.

None of this ignorance stops people from arguing as though they are research scientists. Tackle a complex policy issue with a layman today, and you will get snippy and sophistic demands to show ever increasing amounts of “proof” or “evidence” for your case, even though the ordinary interlocutor in such debates isn’t really equipped to decide what constitutes “evidence” or to know it when it’s presented. The use of evidence is a specialized form of knowledge that takes a long time to learn, which is why articles and books are subjected to “peer review” and not to “everyone review,” but don’t tell that to someone hectoring you about the how things really work in Moscow or Beijing or Washington.

…………………

O populismo contemporâneo aumentou o desdém pelos peritos e elites de todo o género na política externa, na cultura, na economia, e até mesmo na ciência e na saúde. Tom Nichols analisa e desmonta o manancial inesgotável de rumores, mentiras, análise pouco séria, especulação e propaganda – e a tendência para «procurar informações que apenas confirmam aquilo em que acreditamos». Segundo o autor, os ataques ao conhecimento e à cultura levam à convicção irracional de que qualquer um – depois de frequentar os fóruns da Internet – é tão bem preparado como um perito para discutir seja que assunto for. «A Morte da Competência», uma análise da irracionalidade da política e da comunicação de hoje, é um livro refrescante e oportuno sobre como equilibrar o nosso ceticismo. aqui

Ética aplicada – Saúde, Almedina, 2018

Os cuidados de saúde estão ancestral e indissociavelmente ligados a preocupações de ordem ética, numa relação que se tem vindo a intensificar, devido ao crescente poder de intervenção da medicina, e a ampliar, devido, à crescente intervenção do paciente na gestão da sua saúde e nas decisões na doença.
O presente volume começa por perspectivar o contexto actual da prestação de cuidados de saúde, sublinhando as novas questões éticas que suscita. Na segunda parte identifica os principais problemas éticos que se colocam ao longo do ciclo da vida humana, quer na sua especificidade a determinados grupos etários, quer na sua transversalidade ao percurso vital, revestindo-se de características próprias decorrentes das circunstâncias particulares em que ocorrem.


Índice

O paciente como pessoa

Maria do Céu Patrão Neves e Jorge Soares. . . . . . . . . . . . . . 9

I – TEMAS FUNDAMENTAIS

A humanização em saúde

Filipe Almeida. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .31

Da prática clínica ao papel social da medicina

Luís Duarte Madeira e Susana Raposo Alves. . . . . . . . . . . . 61

Relações interpessoais e institucionais na prática clínica

António Sarmento . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 85

Ética e prioridades em saúde

António Correia de Campos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 99

A iniciativa dos cidadãos e patient advocacy

Carlos Freire de Oliveira e Miguel Pina . . . . . . . . . . . . . . . . 127

II – DESAFIOS ÉTICOS AO LONGO DO CICLO DA VIDA

Fecundação, gestação e procriação medicamente assistida

Miguel Oliveira da Silva . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 151

Nascimento e infância

Maria do Céu Machado . . . . . . .. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 173

Adolescência

Helena Fonseca . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 191

Vida adulta e prevenção da doença

Jorge Torgal. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 211

Vida adulta e previsão da doença

Fernando J. Regateiro . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 227

Vida adulta e doença crónica

Luís Campos. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .. .  251

Doença e vulnerabilidades

Jorge Costa Santos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 285

Saúde e inclusão

Vítor Feytor Pinto. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 309

O processo de envelhecimento

António Leuschner . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 329

O processo de morte: directivas antecipadas de vontade e outras questões do fim de vida

Lucília Nunes. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .. . .355

“Frankenstein ou o Prometeu moderno”, Mary Shelley, 1818

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Mary Shelley escreveu “Frankenstein, ou o Prometeu moderno” – nome original é “Frankenstein, or the modernus Prometheus” (1818).

Já muita gente viu filmes e ouviu falar. Para quem viu o(s) filme(s) ““Está vivo! Está vivo!” talvez seja a frase mais célebre, quando o cientista louco, no meio de raios e trovões de uma noite de tempestade, consegue criar  vida, no seu laboratório.

Quem leu o livro sabe que o cientista não é velho, que não existe um assistente corcunda chamado Igor. Victor Frankenstein é um jovem estudante de origem nobre, com diversas alusões à sua beleza física e é, concerteza, um jovem muito bem educado e intelectualmente dotado.  Trabalha sozinho, sem assistente, em segredo, num quarto de estudante. A criatura nunca tem nome – é descrito como  “criatura”, “monstro”, “demónio”, “desgraçado”, “miserável”, “abominação”. Assim, não deixa de ser irónico que o apelido do seu criador seja hoje sinónimo da criatura.

Será que a obra escrita é realmente conhecida? Parece(me) que não.  E se não leu, desafio a ler 🙂

Vale também a pena passar os olhos por:

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O mito de Frankenstein

Leituras: “Nós e os outros. o poder dos laços sociais.”

Lê-se de um fôlego, bem escrito, com dados científicos num texto de proximidade e de abordagem plural. Claramente destinado ao “grande público”, com enfoque simples e a apontar vias de aprofundamento. Gostei muito de ler – peguei nele para ocupar um tempo de espera, e correu muito bem. Recomendo 🙂

“As identidades pessoais podem ser vistas como as histórias que construímos e contamos acerca de nós e que definem quem somos para nós e para os outros. E são histórias porque têm muito de ilusório, de inventado e de reconstruído. E as ideias que fazemos sobre nós são influenciadas pelos outros.”

“Numa sociedade que valoriza a individualidade e a competição, nem sempre admitimos como precisamos uns dos outros. E, no entanto, muito do que somos, do que pensamos e do que fazemos está ligado às relações sociais que mantemos, aos grupos a que pertencemos. Qual é a verdadeira importância dos laços sociais na nossa vida? Até que ponto o que somos depende de quem nos rodeia? Como pode um grupo transformar o nosso comportamento? Que consequências tem o isolamento social na nossa vida? Escrito na óptica da psicologia social, este livro, ao procurar responder a estas questões, põe a ideia de individualidade em perspectiva e mostra quanto devemos à interacção com os outros.”  FFMS