# 1080 | Excerto do dia

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Nós não percebemos praticamente nenhum objecto, do mesmo modo que não vemos os olhos de uma cara em particular, mas o seu olhar e a sua expressão. Há um sentido latente, difundido pela paisagem ou pela cidade, que surge para nós uma como evidência específica sem que tenhamos necessidade de a definir. Só emergem como actos expressos as percepções ambíguas, isto é, aquelas a que nós próprios damos um sentido pela atitude que tomamos ou que respondem a questões postas por nós.

Maurice Merleau-Ponty, Phénoménologie de la Perception. Paris, Éditions Gallimard, 1987.

cada tiro, cada melro

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– “aquilo será o quê?”
(corda de nylon com o que parecem ser pequenas bóias, vermelhas, espalhada na areia, em forma tipo círculo alargado, com uma parte metida numa caixa)
– “qualquer coisa dos pescadores”, aventa um
– “qualquer coisa da pesca, deve ser” confirma o outro
muitos minutos depois, ouve-se gritar:
– “mais para lá, mais para lá”….
e um bando de crianças pede aos dois monitores que avancem mais no mar, pois a corda com bóias marca o limite dos seus banhos e brincadeiras dentro de água….
– “agora é assim?!!!” exclama um….
– “quando íamos, não se podia era passar do sítio onde estava a monitora…”,  diz o outro
Moral da história:
dê-se uns anos e aparecem logo (mais) umas modernices, para estorvarem a nossa identificação das coisas….

Pensamento do dia

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“E quando a tempestade tiver passado, mal te lembrarás de ter conseguido atravessá-la, de ter conseguido sobreviver. Nem sequer terás a certeza de a tormenta ter realmente chegado ao fim. Mas uma coisa é certa. Quando saíres da tempestade já não serás a mesma pessoa. Só assim as tempestades fazem sentido.”

Haruki Murakami

Pensamento do dia

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“Por sabedoria entendo a arte de tornar a vida mais agradável e feliz possível.”

Ich nehme den Begriff der Lebensweisheit hier gänzlich im immanenten Sinne, nämlich in dem der Kunst, das Leben möglichst angenehm und glücklich durchzuführen

Parerga und Paralipomena: kleine philosophische Schriften: Volume 1 – Página 299, Arthur Schopenhauer – A.W. Hayn, 1851

Foto Praia Vasco da Gama, Sines

960 * Pensamento do dia

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Além do facto de que nós não conhecemos o futuro, o futuro é objectivamente incerto. O futuro é aberto: objectivamente aberto.
Só o passado é certo; ele foi realizado e portanto passou. O presente poderia ser descrito como o processo em curso de actualização das propensões ou possibilidades objectivas. As propensões são invisíveis como as forças de atracção newtonianas; elas actuam: são actuais e são reais.
Karl R. Popper, Em busca de um mundo melhor