Memorialis – Sapatos às Margens do Danúbio, Budapeste

Trata-se de um memorial, em homenagem aos judeus húngaros executados pelo governo fascista durante a segunda guerra mundial, mais concretamente no outono de 1944. Os judeus era alinhados na beira do Danúbio, baleados e os corpos atirados ao tio, mas não sem antes lhes removerem os sapatos, valiosos à época.

30 anos depois [da queda do Muro de Berlim]

Como toda a gente, em Berlim fui ver o Checkpoint Charlie e os painéis expostos sobre a construção do muro. Painéis com imagens e explicativos, datas e eventos associados ao Muro.

A foto abaixo trouxe de Le Soir,  de uma grande reportagem de hoje sobre a queda do muro de Berlim.

Abaixo, uma do Le Monde, noutra reportagem.

A woman takes pictures of the flowers placed at the Wall Memorial by guests during the central commemoration ceremony for the 30th anniversary of the fall of the Berlin Wall, on November 9, 2019 at the Berlin Wall Memorial at Bernauer Strasse in Berlin. Germany on Saturday celebrates 30 years since the fall of the Berlin Wall ushered in the end of communism and national reunification, as the Western alliance that secured those achievements is increasingly called into question. / AFP / Tobias SCHWARZ

O muro de Berlim, que dividiu, durante 28 anos, a Alemanha em duas partes, a República Democrática Alemã (RDA) e a República Federal Alemã (RFA), começou a ser derrubado na noite de 09 de novembro de 1989.

E, ao contrário do que muita gente possa pensar, nem este foi  último Muro do mundo a cair, nem deixou de haver cidades com muros – e não estou a referir metáforas mas muros reais, de fronteiras materiais. Como em Nicósia, capital de Chipre ou Belfast, na Irlanda do Norte.

Pudesse a efeméride da queda do muro fazer-nos pensar nos que ainda existem.

Memorialis | Anonymous passerby

Przejście (Passage) – A striking public sculpture representing the period of martial law in Communist Poland  (Atlas Obscura).

Wroclaw, na passagem da rua Swidnicka. Congeladas em movimento, as figuras descem ao solo de um lado da rua cumprindo uma marcha simbólica para depois aparecer no lado oposto. As esculturas foram feitas por Jerzy Kalina. Este impressionante monumento honra todos os presos , desaparecidos e os “sugados pela Terra” durante o regime comunista na Polónia.

“The wonderfully lifelike bronze statues descending into the earth are based on Jerzy Kalina’s temporary art installation set up in Warsaw in 1977; the original plaster sculptures, stored in the Wrocław National Museum for 28 years, were re-cast in bronze and unveiled in the middle of the night on the 24th anniversary of the introduction of martial law in Poland. Whether or not this was deliberate remains a subject of discussion – according to one interpretation, the refreshed artwork is meant as a tribute to those who worked in underground organisations to undermine the regime.” (aqui)

Memorialis | Mosteiro da Batalha

    

O Mosteiro de Santa Maria da Vitória, conhecido como Mosteiro da Batalha foi mandado edificar em 1386 pelo rei D. João I como agradecimento pela vitória contra os castelhanos na batalha de Aljubarrota.

A Batalha de Aljubarrota decorreu no final da tarde de 14 de agosto de 1385 entre tropas portuguesas com aliados ingleses, comandadas por D. João I de Portugal e o condestável D. Nuno Álvares Pereira, e o exército castelhano e aliados liderados por João I de Castela. A batalha deu-se no campo de São Jorge, na localidade de S. Jorge, pertencente à freguesia de Calvaria de Cima, concelho de Porto de Mós, nas imediações da vila de Aljubarrota.

O resultado foi a derrota definitiva dos castelhanos, o fim da crise de 1383-1385, a consolidação de D. João I (anteriormente Mestre de Avis, no início da rebelião) como rei de Portugal, o primeiro da Dinastia de Avis.

A Batalha de Aljubarrota foi uma das raras grandes batalhas campais da Idade Média entre dois exércitos régios e um dos acontecimentos mais decisivos da história de Portugal. Inovou a tática militar, permitindo que homens de armas apeados fossem capazes de vencer uma poderosa cavalaria.

Memorialis | às vítimas da Inquisição, Évora

Memorial evocativo das «vítimas da Inquisição portuguesa e de todas as intolerâncias», na Praça do Giraldo, em Évora, no local onde foram queimadas as primeiras vítimas do Tribunal do Santo Ofício.

Colocado a 22 de outubro de 2016, no local onde foram queimadas as primeiras vítimas do tribunal do Santo Ofício (a 22 de outubro de 1536).

A placa de homenagem é da autoria do escultor João Sotero.

Dois memoriais, o mesmo evento – Largo de São Domingos, Lisboa

Memorial às vítimas do massacre judaico de 1506, em Lisboa, no meio do Largo de São Domingos, obra de 2008, da autoria de Graça Bachmann, esfera em pedra com uma inscrição alusiva sobre a Estrela de David. Na base, num bloco de pedra retangular, uma frase do Livro de Job: “Ó terra não ocultes o meu sangue, não ocultes o meu clamor”.

Sobre o assunto, ler «caminhos da memória»e «o massacre de Lisboa em 1506».

Memorial às Vítimas da Intolerância

também de 2008, em frente ao portal da Igreja de São Domingos, escultura executada por Segismundo Pinto, composta por duas colunas em pedra unidas por faixa metálica, cuja inscrição traduz o pedido de perdão público proferido pelo Patriarcado, no ano de 2000, em relação ao massacre de judeus ocorrido em 1506.

Memorialis | início de uma série

A propósito de dois memoriais em Lisboa, resolvi iniciar uma série sobre «Memorialis».

Memoriais são, genericamente, monumentos em memória de algum acontecimento importante, frequentemente trágico –  constitui-se como uma evocação que preserva e divulga informação de carácter histórico.E se pode ser individual, muitas vezes é um memorial referente a um evento coletivo. O monumento permanece, como memorialis  “serve a lembrança” – isto porque Memorialis, em latim, significava “aquilo que serve para fixar a memória”. Preserva, portanto. Para lembrar, para educar, para rememorar, para frisar na memória.

Os memoriais são, na acepção de Pierre Nora, lugares de memória, ou seja, espaços que visam anular ou, no mínimo, atenuar a ação do esquecimento.

Ocasionalmente, alguns posts no Conversamos?! foram relativos a memoriais como:

Memorial do Holocausto, (Holocaust-Mahnmal), Memorial aos Judeus Mortos da Europa (Denkmal für die ermordeten Juden Europas), entre o Portão de Bradenburg e a Potsdamer Platz, em Berlim.

Korean War Veterans Memorial, em Washington, estátuas em aço que representam uma patrulha e uma piscina rasa com os nomes dos mortos, feridos, capturados e desaparecidos durante a guerra da Coreia.

Sino da paz, Piramida, Boulevard Deshmoret e Kombit, em Tirana, feito com milhares de invólucros de balas, recolhidos após as lutas de 1997.

Cadeira quebrada («Chaisse cassée»), na Place des Nations, em Genève, uma escultura enorme, à qual falta parte de uma das pernas, em representação simbólica das vítimas de minas anti-pessoais.