Publicado em Efemérides, Literatura, Poesia

If – in memoriam Rudyard Kipling

(Photo by Evening Standard/Getty Images)

18 de janeiro de 1936 assinala a morte de Rudyard Kipling, escritor britânico, nascido em Bombaim a 30 de dezembro de 1865. Iniciou a carreira literária em 1886 com a publicação do volume de poemas Departmental Ditties, afirmando-se rapidamente se como um dos escritores mais populares do Reino Unido, quer na poesia quer na prosa, por muitos considerado o sucessor literário de Charles Dickens. Em 1894 lançou O Livro da Selva, que viria a consolidar-se como clássico juvenil. O Segundo Livro da Selva foi publicado no ano seguinte e Kim, considerada a sua obra mais conseguida, saiu em 1901. Em 1907 tornou-se o primeiro autor de língua inglesa a receber o Prémio Nobel da Literatura e é, até hoje, o mais jovem escritor a quem foi atribuída a distinção (tinha 41 anos). (fonte aqui)

If you can keep your head when all about you
    Are losing theirs and blaming it on you,
If you can trust yourself when all men doubt you,
    But make allowance for their doubting too;
If you can wait and not be tired by waiting,
    Or being lied about, don’t deal in lies,
Or being hated, don’t give way to hating,
    And yet don’t look too good, nor talk too wise:
If you can dream—and not make dreams your master;
    If you can think—and not make thoughts your aim;
If you can meet with Triumph and Disaster
    And treat those two impostors just the same;
If you can bear to hear the truth you’ve spoken
    Twisted by knaves to make a trap for fools,
Or watch the things you gave your life to, broken,
    And stoop and build ’em up with worn-out tools:
If you can make one heap of all your winnings
    And risk it on one turn of pitch-and-toss,
And lose, and start again at your beginnings
    And never breathe a word about your loss;
If you can force your heart and nerve and sinew
    To serve your turn long after they are gone,
And so hold on when there is nothing in you
    Except the Will which says to them: ‘Hold on!’
If you can talk with crowds and keep your virtue,
    Or walk with Kings—nor lose the common touch,
If neither foes nor loving friends can hurt you,
    If all men count with you, but none too much;
If you can fill the unforgiving minute
    With sixty seconds’ worth of distance run,
Yours is the Earth and everything that’s in it,
    And—which is more—you’ll be a Man, my son!
Publicado em Poesia, Política

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Quando foi libertado do campo de concentração de Dachau, Martin Niemöller publicou o famoso poema de crítica à alienação política, principalmente a sua, que permitiu a consolidação do regime nazi.

Quando os nazistas levaram os comunistas,

eu calei-me, porque, afinal, eu não era comunista.

Quando eles prenderam os sociais-democratas,

eu calei-me, porque, afinal, eu não era social-democrata.

Quando eles levaram os sindicalistas,

eu não protestei, porque, afinal, eu não era sindicalista.

Quando levaram os judeus, eu não protestei,

porque, afinal, eu não era judeu.

Quando eles me levaram, não havia mais quem protestasse”

O poema terá servido de inspiração a Bertold Brecht, exilado desde 1933 em vários países europeus e, depois, nos Estados Unidos, para uma releitura:

“Primeiro levaram os negros
Mas não me importei com isso
Eu não era negro.
Em seguida levaram alguns operários
Mas não me importei com isso
Eu também não era operário.
Depois prenderam os miseráveis
Mas não me importei com isso
Porque eu não sou miserável.
Depois agarraram uns desempregados
Mas como tenho meu emprego
Também não me importei.
Agora estão me levando.
Mas já é tarde.
Como eu não me importei com ninguém
Ninguém se importa comigo”

Em 1964, quando a ditadura militar se instaurou no Brasil e as perseguições políticas começaram, o poeta Eduardo Alves da Costa, então  estudante, publicou um poema, provavelmente inspirado nas leituras de Brecht:

“Na primeira noite eles se aproximam
e roubam uma flor
do nosso jardim.
E não dizemos nada.
Na segunda noite, já não se escondem:
pisam as flores,
matam nosso cão,
e não dizemos nada.
Até que um dia,
o mais frágil deles
entra sozinho em nossa casa,
rouba-nos a luz, e,
conhecendo nosso medo,
arranca-nos a voz da garganta.
E já não podemos dizer nada”.

Publicado em Fotofolio, Poesia

Fotofolio | Almada

 

Com mãos se faz a paz se faz a guerra.
Com mãos tudo se faz e se desfaz.
Com mãos se faz o poema – e são de terra.
Com mãos se faz a guerra – e são a paz.

Com mãos se rasga o mar. Com mãos se lavra.
Não são de pedras estas casas, mas
de mãos. E estão no fruto e na palavra
as mãos que são o canto e são as armas.

E cravam-se no tempo como farpas
as mãos que vês nas coisas transformadas.
Folhas que vão no vento: verdes harpas.

De mãos é cada flor, cada cidade.
Ninguém pode vencer estas espadas:
nas tuas mãos começa a liberdade.

Manuel Alegre

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E por vezes…

E por vezes as noites duram meses
E por vezes os meses oceanos
E por vezes os braços que apertamos
nunca mais são os mesmos. E por vezes

encontramos de nós em poucos meses
o que a noite nos fez em muitos anos.
E por vezes fingimos que lembramos
E por vezes lembramos que por vezes

ao tomarmos o gosto aos oceanos
só o sarro das noites não dos meses
lá no fundo dos copos encontramos.

E por vezes sorrimos ou choramos
E por vezes por vezes ah por vezes
num segundo se evolam tantos anos.

David Mourão- Ferreira

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Berlinde.

No futuro

iremos parar durante

um minuto todos os dias,

interromper o que estivermos

a fazer, de repente, a meio

de uma palavra, de uma passada,

de uma garfada. E, perfeitamente

imóveis, veremos que o mundo

é uma cruz para quem o carrega

e um berlinde para quem o empurra.

Depois é só escolher.”

 

Peter Stamboliski

Afonso Cruz, Enciclopédia da estória universal. Arquivos de Alexandria

Publicado em Poesia

Petar Stamboliski

Perto de Ispaão,
há uma ameixeira
que dá dois tipos de frutos:
as ameixas que são doces e
os espaços entre as ameixas
que são silenciosos. São estes
últimos que, ao fim da tarde,
exibem o pôr-do-sol através dos ramos.

Petar Stamboliski, Poesia
Afonso Cruz, in Enciclopédia da Estória Universal – Recolha de Alexandria, Alfaguara, 2012, 1ª ed., p. 36

 

Há um quadro
em casa da minha mãe
onde um cavaleiro de metal
persegue uma donzela feita de limões e primavera
e eu cresci,
tornei-me pai, tornei-me avô,
e quando volto a casa da minha mãe
(que ainda é viva porque as mães não morrem)
o cavaleiro ainda persegue
a mesma donzela
e a donzela ainda consegue escapar-lhe.

Petar Stamboliski, aka Afonso Cruz

trazido daqui