Das 20 carreiras mais promissoras, os 12 mais [nos EUA]

As 20 carreiras mais promissoras nos EUA até 2020.

O foco é a previsão de abertura de novas oportunidades profissionais no mercado de trabalho americano entre 2012 e 2022. Quanto mais vagas previstas, mais pontos.

U.S. News Best Jobs Ranking Methodology

1. Desenvolvedor de software. Nota: 8,4

2. Analista de sistemas. Nota: 8,2

3. Dentista. Nota: 8,2

4. Enfermeiro especializado. Nota: 8,1

5. Farmacêutico. Nota: 8,1

6. Enfermeiro registado. Nota: 8

7. Fisioterapeuta. Nota: 7,9

8. Médico. Nota: 7,8

9. Desenvolvedor web. Nota: 7,8

10. Técnico de higiene dentária. Nota: 7,7

11. Analista de segurança da informação. Nota: 7,6

12. Administrador de base de dados. Nota: 7,6

Mais de metade da saúde (7),  quase metade (5) da área da informática.  Em 4º e 6º enfermeiros – especialista e RN.

 

organizações altamente fiáveis

De acordo com Hines et all (2008), há 5 conceitos chave para considerar as organizações como «Highly Reliable Organisation», ou seja «Organizações altamente fiáveis», a saber:

1. Sensitivity to operationsSensibilidade aos processos – os líderes de hospital e o pessoal precisam de estar conscientes e em alerta face aos sistemas e processos que afectam os cuidados aos doentes – “A consciência é a chave para a anotação e a prevenção dos riscos”

2. Reluctance to simplify – Relutância em simplificar. Enquanto consideramos bons os processos simples, as explicações simplistas para o fracasso (pessoal não qualificado, a falta de treinamento, fracasso de comunicação, etc.) são “arriscadas” porque negam a complexidade da prestação de cuidado.

3. Preoccupation with failure – Preocupação com as falhas. As ‘quase-falhas’ devem ser examinadas como evidência que o sistema está a trabalhar efectivamente e não necessariamente como prova que o sistema tem de ser melhorado a reduza além disso o risco.

4. Deference to expertise – Deferência com a perícia. Os líderes e os supervisores devem “escutar e responder ao discernimento do pessoal que sabem como os processos realmente são realizados e os riscos que os doentes realmente enfrentam.” Sem tal abertura cultural, a organização altamente fiável não é realizável.

5. Resilience – Resiliência. Todos os líderes e o staff devem der treinados e preparados a saber como responder quando ocorrem falhas no sistema.

Como se sabe, os erros dos profissionais são apenas uma parte do problema da segurança dos clientes. A investigação já demonstrou que quando existe um erro, existe uma causa e falhas no modo como o sistema funciona são nucleares na maior parte dos problemas. A segurança dos clientes é um assunto de todos os settings de cuidados, incluindo hospital, comunidade e domicílio.

(fonte: WERN, Workgroup of European Nurse Researchers, “Patient Safety in Europe”, Abril 2008)

Num estudo de Clarke, Lerner e Marella, sobre o papel dos líderes das organizações de saúde na área da segurança, caracterizam as organizações fiáveis e consideram que o que as distingue é:

  1. O compromisso da liderança que a segurança é prioridade, uma pré-condição, não um objectivo competitivo; é responsabilidade do sistema, não dos indivíduos; recursos adequados devem estar disponíveis para fazer as tarefas.
  2. Uma cultura de segurança que presta atenção à tarefa, achata a hierarquia, encoraja as pessoas a falar das preocupações.
  3. Treino regular, particularmente treino de equipa, para que cada um saiba dos objectivos e das tarefas de cada um.
  4. Métodos efectivos de comunicação, que disponibilizem a informação que as pessoas precisam de saber, onde e quando a necessitam. Erros acontecem quando as pessoas têm falta de consciência situacional ou de modelos mentais partilhados.
  5. Standardização, em tornos dos percursos clínicos, das melhores práticas, das guidelines e práticas seguras, de modo a que os desvios ou as variações indesejadas sejam óbvias. Segurança dos resultados advém da replicabilidade dos processos.


John R. Clarke, Jeffrey C. Lerner and William Marella – The Role for Leaders of Health Care Organizations in Patient Safety. American Journal of Medical Quality 2007; 22; 311.

profissional e profissionalidade docente

Considero poder definir profissional como aquele que tem a competência, a autonomia e a responsabilidade de realizar actividades com formulação fundamentada de resultados esperados, numa situação complexa. Se pensarmos assim, os executantes (costumo chamar operários) são diferentes dos profissionais.Pois que o profissionalismo vai além de ter domínio de conhecimentos – relaciona-se também com esquemas e processos de percepção, análise, decisão, planeamento e avaliação que permitam mobilizar os conhecimentos ao serviço (e em benedício da resolução) de uma determinada situação.

Para se ter o perfil de um profissional docente, a isto, acrescente-se a convicção na educabilidade do Outro, o respeito pelo Outro, o conhecimento das suas próprias representações e limites, o domínio das emoções, a abertura à colaboração e o compromisso com o que faz. Pessoa em relação e em desenvolvimento, inscreve-se numa situação, é capaz de reflectir em acção e de adaptar-se, de responder e ajustar-se aos desafios e aos problemas, mantendo uma postura científica e responsável.

Imagem em texto de Perrenoud, aqui

 

livros e leituras


The System of Professions: An Essay on the Division of Expert Labour.
Chicago: The University of Chicago Press, 1988
de Andrew Abbot, merece uma leitura atenta – designadamente pela abordagem da estrutura e do poder profissional.

Abbot demonstra que as profissões são sistemas interdependentes, que conteêm estruturas internas. Uma profissão “was an occupational group with some special skill” (p. 7) e “the tasks of professions are to provide expert service to amend human problems” (p. 33). Naturalmente, “profession is always vulnerable to changes in the objective character of its central tasks” (p. 39)

De acordo com Abbott, três modalidades subjectivas ajudar a reforçar a cultura lógica da prática profissional – são o diagnóstico, a inferência e o tratamento.
Diagnosis is the process wherein information is taken into the professional knowledge system, and treatment is wherein instruction is brought back out from it” (p. 40).
Durante o processo de diagnóstico, é reunida informação relevante acerca dos clientes e das suas necessidades. Estes cenários é categorizado em dois sub-processos: coligação e classificação.
Colligation is the first step in which the professional knowledge system begins to structure the observed problems” (p. 41) e consiste primariamente em “rules declaring what kinds of evidence are relevant and irrelevant, valid and invalid, as well as rules specifying the admissible level of ambiguity” (p. 41). Classificação é “the referral of the colligated picture to the dictionary of professional legitimate problems” (p. 41). Ambos os sub-processos ajudam a definir o tipo de problemas com os quais a profissão se debate.

O procedimento do tratamento “whereby results are given to the client and prescription is offered” (p. 44). Um dos maiores problemas, aqui, é a vontade dos clientes em aceitar o tratamento – e, portanto, ganha quem tiver mais flexibilidade em aceitar os desejos dos clientes.
Inferência é o processo que ocorre “when the connection between diagnosis and treatment is obscure” (p. 49), podendo acontecer por exclusão ou por construção.
As profissões têem múltiplas oportunidades de inferir soluções para um problema mas terão mais falhas, do que uma profissão que escolha uma única opção. Até porque dispersar-se é ficar mais vulnerável à intervenção e competição.
“Diagnosis, treatment, inference, and academic work provide the cultural machinery of jurisdiction” (p. 59).
Mas ainda não é bastante para uma estrutura organizada requerer jurisdição – para isso “must ask society to recognize its cognitive structure through exclusive rights” (p. 59).
Profissões altamente organizadas são mais resilientes do que profissões menos organizadas e a estrutura social das profissões “it is constantly subdividing under the various pressures of market demands, specialization, and interprofessional competition” (p. 84).
Abbott define poder profissional “as the ability to retain jurisdiction when system forces imply that a profession ought to have lost it” (p. 136).
O poder profissional de expandir o domínio cognitivo, assim como a sua jurisdição, são dependentes do uso de conhecimento abstracto e de anexar novas áreas de trabalho que define como suas (p. 102).

Leituras sobre profissionalidade

Ser professor implica a aprendizagem de uma profissão, caracterizada por saberes muito diversos, que vão do humano e relacional ao cognitivo e prático. Ora, nem sempre, sobretudo nos cursos de formação inicial e continuada e nos documentos reguladores das políticas educacionais, tem existido um olhar abrangente sobre os saberes docentes, privilegiando-se, de acordo com objectivos de formação profissional, os conteúdos ligados à eficiência e à qualidade centrada em resultados. ”
(…)
Assim, o principal desafio que a sociedade do conhecimento nos coloca não é o de seguir a uniformidade da formação docente, a estandardização de competências, mas o de problematizar o docente como pessoa, que luta continuamente pela construção de uma profissionalidade deliberativa, libertando-o dos propósitos das seitas da formação para o desempenho (HARGREAVES, 2004, p. 236), unicamente voltadas para o lado cognitivo da aprendizagem.
Ser professor é admitir que há novos modos de olhar para a riqueza que existe no interior das escolas. Percorrer este caminho é uma luta que professores e formadores têm de travar, sabendo-se que a profissionalidade docente é algo que nos compromete com a qualidade dos processos de aprendizagem dos alunos.

Neste difícil processo de construção da profissionaliadde docente, com contrariedades muito diferentes tanto ao nível das escolas quanto ao nível das administrações educativas, debate-se o ser professor no palco da burocracria das tarefas e da sua “funcionarização”, como se fosse uma actividade susceptível de aparecer num “guia eficiente de formar professores”.
De modo a contrariar esta visão profissionalizante do docente, diremos que o docente tem que ser formado a partir de uma base epistémica comum (JACKSON, 1968), ou de um conhecimento base de ensino (SHULMAN, 1987).

Reconhecer-se-á, de igual modo, que a instituição de ensino superior assume um papel cada vez mais central nesse processo. Todavia, tal natureza exige a consideração da escola como um dos contextos de formação, na medida em que existem saberes, cujo processo aquisitivo se processa a partir de uma prática pedagógica real.

A (difícil) construção da profissionalidade docente
José Augusto Pacheco

(negrito é meu)

dar conta…

Foi aberto o novo site da European Federation of Nurses Associations (EFN), para o qual chamaram a minha atenção.

Por lá se encontram Position Statements, nas áreas de EducationServicesPublic HealthWorkforceElderly CareEU InstitutionsMedical DevicesPatient Safety

assim como o Plano estratégico 2003-1008

e diversos documentos e relatórios, como este, relativo a ‘Development of a Continuous Professional Education Programme for Nurses in Public Health’

The aim of this paper is to describe the development of a new education programme in public health for nurses in the European Union (EU). The project is described together with its background and aim, which is to contribute to the development of new competencies of nurses in nursing and public health. For the development of these competencies, the framework for the programme’s guidelines is organized around core modules common for all EU countries and elective modules, based on national health needs and policies proposed by each country. An example of the implementation of the programme from Sweden, where the programme has already been offered, is also presented. In addition to the educational programme itself, the opportunities for networking for nurses and teachers from different countries resulting from this effort are discussed. Finally, the evolving nature of public health in nursing is presented in relation to the roles that nurses/midwives already perform in various countries and situations, in order to point out the potential of this programme’s contribution to the promotion of health of all European citizens.

Fácil de navegar, carrega rápido e tem uns quantos contributos relevantes…

profissão e profissional



Azulejo, Lisboa, LN, 2005-01-06

“Existe tradicionalmente uma relação estreita, na profissão, entre a ética e os saberes.

A profissão é uma comunhão de valores e de vida.

Instâncias legitimadas estabelecem regras e são encarregadas de velar por sua boa aplicação (…)

Exercer uma profissão supõe uma relação de serviço.

Exercer um ofício faz mais referência à operacionalização de um “saber-fazer” ou de uma especialização.

Se a profissão supõe o ofício, a relação inversa nem sempre pode ser afirmada.”

(Guy Le Boterf, Desenvolvendo a competência dos profissionais, p. 21).

Posto isto, as profissões têm Ordens, entre cujas finalidades se aponta a de garantir a confiança dos clientes ao confiarem-se a profissionais.

Ou seja, ser profissional supõe um nível de excelência no exercício, um grau de autonomia na condução das suas actividades e na gestão de situações complexas.

“O profissional dá um sentido à sua acção confrontando os seus valores com a realidade das situações nas quais intervém.

Ele saberá questionar-se.

A ética é uma busca: ela é ponto de partida e está sempre além de um regimento.

O profissional é capaz de uma reflexão ética.

Os valores, os compromissos, os princípios directivos são apenas um pretexto para essa reflexão” (Idem, p.23).

E por aqui me quedo agora. A pensar…