Dia Mundial da Saúde 2017 – Vamos falar sobre Depressão

O Dia Mundial da Saúde é celebrado anualmente a 7 de abril, data que assinala a primeira assembleia geral da OMS, em 1948.

O texto que se apresenta decorre dos textos da OMS, pois não há ainda referência à efeméride no site da DGS.

A OMS apresentou o tema do Dia Mundial da Saúde de 2017  – a depressão, com o lema “Let’s talk” (vamos conversar), visando a iniciativa ajudar a prevenir e a tratar a depressão. O Dia Mundial da Saúde é uma oportunidade única de alertar a sociedade civil para temas-chave na área da saúde que afetam a humanidade e para desenvolver atividades com vista à promoção do bem estar das populações, assim como de promover hábitos de vida saudáveis.

A depressão afeta pessoas de todas as idades e condições sociais e de todos os países. A doença traz grande sofrimento mental e afeta a capacidade das pessoas para realizar até mesmo as mais simples tarefas diárias. A depressão pode levar ao suicídio, que atualmente é a segunda principal causa de morte entre pessoas de 15 a 29 anos de idade.

No entanto, a depressão pode ser prevenida e tratada. Uma melhor compreensão do que a depressão é e como atua ajuda reduzir o estigma associado à doença, além de levar a um aumento no número de pessoas que buscam tratamento, o que é efetivamente o objetivo geral da campanha, lançada em 10 de outubro de 2016 (Dia Mundial da Saúde Mental).

A OMS, no entanto, destaca ainda alguns outros objetivos específicos da iniciativa:

  • que o público em geral fique mais bem informados sobre a depressão, suas causas e as suas possíveis consequências, incluindo suicídio, e sobre a ajuda que está disponível para a prevenção e tratamento da doença;
  • que as pessoas com depressão não tratada comecem a procurar ajuda; e
  • que a família, amigos e colegas de pessoas com depressão possam apoiá-los.

A depressão é uma doença caracterizada pela tristeza persistente e perda de interesse em atividades que normalmente se desfrutam, bem como a incapacidade de realizar atividades diárias durante pelo menos duas semanas. Além disso, as pessoas com depressão têm geralmente vários dos seguintes sintomas: perda de energia; mudanças de apetite; necessidade de dormir mais ou menos do que o habitual; ansiedade; diminuição da concentração; indecisão; inquietação; sentimentos de inutilidade, culpa ou desesperança; e pensamentos de auto-agressão ou suicídio.

O foco da campanha é a importância de se falar sobre a depressão como um componente vital de cura. O estigma da doença mental, incluindo a depressão, continua a ser um obstáculo para as pessoas pedirem ajuda. Falar de depressão com um membro da família, amigo ou profissional de saúde, seja em contextos mais amplos (como a escola, local de trabalho e ambientes sociais) ou na esfera pública (comunicação social, blogs ou redes sociais) ajuda a reduzir o estigma e a aumentar o número de pessoas que procuram tratamento.

O slogan da campanha é: ‘Vamos falar sobre depressão’ e a campanha é destinada a todas as pessoas, independentemente da idade, sexo ou condição social. No entanto, a OMS chama atenção para três grupos especialmente afetados pela doença: jovens com idades entre 15 a 24 anos, mulheres em idade fértil (especialmente após o nascimento de uma criança) e idosos.

Site oficial da campanha

Campaign essentials

“We have developed a set of posters Depression: Let’s talk for use in campaign activities and beyond. Each poster depicts a conversation between two people about depression: a mother and daughter; a mother with her young baby and a health-care worker; a student and teacher; and an older women with a younger woman.”

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Better Mental Health For All, 2016

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Better Mental Health for All: A Public Health Approach to Mental Health Improvement (2016)
London: Faculty of Public Health and Mental Health Foundation.

“Portugal – Saúde Mental em Números 2015”

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“As perturbações mentais e do comportamento mantêm um peso significativo no total de anos de vida saudável perdidos pelos portugueses, com uma taxa de 11,75% contra 13,74% das doenças cerebrovasculares e 10,38% das doenças oncológicas, revela o relatório “Portugal – Saúde Mental em Números 2015” apresentado pela Direção-Geral da Saúde. Simultaneamente, as perturbações mentais representam 20,55% do total de anos vividos com incapacidade, seguidas pelas doenças respiratórias (5,06%) e a diabetes (4,07%).

No âmbito da Ação Conjunta para a Saúde Mental e o Bem-estar – Joint Action on Mental Health and Wellbeing, coordenada por Portugal e que decorreu entre 2013-2015, foi elaborado o European Framework for Action on Mental Health and Wellbeing, a estratégia europeia para a saúde mental que reforça o desenvolvimento de cuidados de saúde mental na comunidade. A desinstitucionalização e o desenvolvimento de cuidados na comunidade são objetivos fundamentais nas políticas da maioria dos países europeus. Em Portugal, este processo só teve lugar depois de 1998. Desde então, o número de camas em hospitais psiquiátricos tem vindo a diminuir para o número atual de 5,5 por 100 000 habitantes. A centralização de recursos, a falta de formação profissional, a insuficiência de financiamento e baixa prioridade política mantêm-se como as principais barreiras ao processo de transição dos cuidados de base hospitalar para os cuidados na comunidade, modelo previsto na Lei da Saúde Mental em vigor. 

Encontra-se atualmente em curso a reativação da Comissão Técnica de Acompanhamento da Reforma da Saúde Mental, entidade que irá apreciar a proposta de prolongamento do Plano Nacional de Saúde Mental até 2020. No relatório agora apresentado, o Programa Nacional para a Saúde Mental destaca também o início das colaborações no âmbito da promoção e da prevenção da saúde mental em crianças e adolescentes, patrocinando e participando na estruturação de ações de formação para capacitação de profissionais dos Cuidados de Saúde Primários, bem como das equipas de Saúde Escolar e das Equipas Educativas (Ministério da Saúde).”

Para mais informações consulte o relatório “Portugal – Saúde Mental em Números 2015“.

Já tinha havido o “Saúde Mental em números” em 2014 e em  de 2013

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“Semicolon Project”

Há muitas maneiras de chamar a atenção para um fenómeno.

Project Semicolon, ou Projeto Ponto e Vírgula, em português, tem como objetivo ajudar pessoas que sofrem com problemas de saúde mental, como depressão, desejos suicidas, automutilação, vício, entre outros. Criado por Amy Bleuel, que em 2013 tatuou o símbolo em homenagem ao pai que tinha se suicidado, o projeto hoje já conta com vários colaboradores.

VISION

The vision is that, for the first time, people feel what real love is.
The vision is that people see the value in their story.
The vision is that suicide is no longer an option to be considered.
The vision is that everyone loves one another regardless of the label they wear.
The vision is to reduce suicide rates in America and around the world.
The vision is that drugs and alcohol are no longer an escape to be used.
The vision is that blades are put down.
The vision is that for the first time steps are taken towards recovery.
The vision is that society no longer pushes mental illness, suicide, addiction and self-injury under the rug.
The vision is that for the first time conversations are being started.
The vision is that everyone comes together as a community and stands together in support of one another.
The vision is hope, and hope is alive.
The vision is LOVE.
You are not alone. Your story isn’t over yet.
– Amy Bleuel
Founder & President

Rede Nacional de Cuidados Continuados Integrados | Saúde Mental

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Decreto-Lei n.º 136/2015 – Diário da República n.º 145/2015, Série I de 2015-07-28
Procede à primeira alteração ao Decreto-Lei n.º 101/2006, de 6 de junho, que criou a Rede Nacional de Cuidados Continuados Integrados, e à segunda alteração ao Decreto-Lei n.º 8/2010, de 28 de janeiro, que criou um conjunto de unidades e equipas de cuidados continuados integrados de saúde mental.

É republicado em anexo o Decreto -Lei n.º 101/2006, de 6 de junho, com a redação atual.

“2 — O conjunto de unidades e equipas de cuidados continuados integrados de saúde mental, inclui unidades residenciais, unidades sócio ocupacionais e equipas de apoio domiciliário, que estão integradas na Rede Nacional de Cuidados Continuados Integrados (RNCCI) e articulam -se com os serviços locais de saúde mental (SLSM).”

Foram revistas as definições de Cuidados Paliativos e Ações paliativas :

a) «Cuidados continuados integrados» o conjunto de intervenções sequenciais de saúde e ou de apoio social,
decorrente de avaliação conjunta, centrado na recuperação global entendida como o processo terapêutico e de apoio social, ativo e contínuo, que visa promover a autonomia melhorando a funcionalidade da pessoa em situação de dependência, através da sua reabilitação, readaptação e reinserção familiar e social;
b) «Cuidados paliativos» os cuidados ativos, coordenados e globais, prestados por unidades e equipas específicas, em internamento ou no domicílio, a doentes em situação em sofrimento decorrente de doença incurável ou grave, em fase avançada e progressiva, assim como às suas famílias, com o principal objetivo de promover o seu bem -estar e a sua qualidade de vida, através da prevenção e alívio do sofrimento físico, psicológico, social e espiritual, com base na identificação precoce e do tratamento rigoroso da dor e outros problemas físicos, mas também psicossociais e espirituais;
c) «Ações paliativas» as medidas terapêuticas sem intuito curativo, isoladas e praticadas por profissionais sem preparação específica, que visam minorar, em internamento ou no domicílio, as repercussões negativas da doença sobre o bem -estar global do doente, nomeadamente em situação de doença incurável ou grave, em fase avançada e progressiva;
d) «Continuidade dos cuidados» a sequencialidade, no tempo e nos sistemas de saúde e de segurança social, das intervenções integradas de saúde e de apoio social;
e) «Integração de cuidados» a conjugação das intervenções de saúde e de apoio social, assente numa avaliação e planeamento de intervenção conjuntos;
A Rede Nacional de Cuidados Paliativos “visa desenvolver, fomentar, articular e coordenar a prestação de cuidados paliativos no âmbito do Sistema Nacional de Saúde, complementar da rede hospitalar, da rede de cuidados de saúde primários e da rede de cuidados continuados integrados” e é constituída por unidades e equipas de cuidados continuados de saúde e/ou de apoio social, com origem nos serviços comunitários de proximidade, abrangendo os hospitais, os centros de saúde, os serviços distritais e locais da segurança social, a rede solidária e as autarquias locais. É ainda constituída pelo conjunto de unidades e equipas de cuidados continuados integrados de saúde mental.
A “existência de comorbilidade de foro mental ou a deficiência mental não são fatores de exclusão para admissão nas tipologias de resposta da rede que se afigurem mais adequadas às necessidades de reabilitação motora ou outras ações que possam ser prestadas na rede”.  As unidades e equipas da Rede devem articular-se com as unidades de tratamento da dor e de paliativos, criadas segundo as normas do Programa Nacional de Luta contra a Dor, do Plano Nacional de Saúde e da Lei de Bases dos Cuidados Paliativos, de acordo com a legislação.
Artigo 2.º Composição da Rede
1 — A Rede é constituída por unidades e equipas de cuidados continuados de saúde, e ou apoio social, com
origem nos serviços comunitários de proximidade, abrangendo os hospitais, os centros de saúde, os serviços distritais e locais da segurança social, a Rede Solidária e as autarquias locais.
 2 — A Rede é ainda constituída pelo conjunto de unidades e equipas de cuidados continuados integrados de saúde mental criado pelo Decreto -Lei n.º 8/2010, de 28 de janeiro, alterado e republicado pelo Decreto -Lei n.º 22/2011, de 10 de fevereiro.
3 — A Rede pode também integrar equipas comunitárias de suporte em cuidados paliativos, nos termos do n.º 2 da Base XVIII da Lei n.º 52/2012, de 5 de setembro.
4 — A Rede organiza -se em dois níveis territoriais de operacionalização, regional e local

Mental Health Atlas 2014

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“Worldwide, nearly 1 in 10 people have a mental health disorder, but only 1% of the global health workforce is working in mental health. This means, for example, that nearly half of the world’s population lives in a country where there is less than one psychiatrist per 100 000 people.

Huge inequalities in access to mental health services exist depending on where people live. On average globally, there is less than one mental health worker per 10 000 people, according to the World Health Organization’s Mental Health Atlas 2014, released today. In low and middle-income countries rates fall below 1 per 100 000 people, whereas in high-income countries the rate is 1 per 2000 people.

Spending on mental health is still very low

The report states global spending on mental health is still very low. Low and middle-income countries spend less than US$ 2 per capita per year on mental health, whereas high-income countries spend more than US$ 50. The majority of spending is going to mental hospitals, which serve a small proportion of those who need care. High-income countries still have a far higher number of mental hospital beds and admission rates than low-income countries at nearly 42 beds and 142 admissions per 100 000 population.

Training of primary care staff in mental health is critical to building capacity for recognizing and treating persons with severe and common mental disorders. Since 2011, the number of nurses working in mental health has increased by 35%, but shortages still exist in all disciplines, particularly in low and middle-income countries.

The Atlas finds countries are making progress on creating policies, plans, and laws for mental health, which provide the bedrock for good governance and service development. Two-thirds of countries have a policy or plan and half have a stand-alone mental health law. However, most of the policies and laws are not fully in line with international human rights instruments, implementation is often weak, and persons with mental disorders and family members are frequently only marginally involved in their development.

In 2013, WHO launched the Comprehensive mental health action plan 2013-2020 with four objectives including strengthening leadership and governance for mental health; providing comprehensive mental health and social care services in community-based settings; implementing strategies to promote and prevent mental health; and strengthening information systems, evidence and research.

WHO’s Mental Health Atlas provides the baseline data to measure progress on the action plan targets. The 2014 edition is the fourth and newest edition, with data on the availability of mental health services and resources across the world, including financial allocations, human resources and specialized facilities for mental health from 171 countries.”

site WHO

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link para Mental Atlas 2014

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