O modo “séries”, à espera de GoT

Séries são um pouco como cores e sapatos – cada um escolhe o que mais aprecia, reconhecendo que a longevidade das histórias e dos personagens pode coincidir (ou não) com as preferências pessoais.

Perto do regresso do GoT (Game of Thrones, Guerra dos Tronos) para a sétima e derradeira temporada, de menor dimensão (sete episódios em vez dos 10 habituais), ficar-me-á a estranheza de ter sido a série que deu fama e fulgor aos livros. Isto porque quando «A Muralha – 1º vol – O gelo e o fogo» foi publicado em Portugal em 2002 pela Entre Letras Editora, nem se deu por isso.

Aliás, à conta dessa publicação, pareceu-me muito familiar, no verão de 2007, a leitura de “A Guerra dos Tronos. As Crónicas de Gelo e Fogo – Livro Um”, lançado pela Saída de Emergência. Pudera! Tinha-o lido cinco anos antes 🙂

 

Oasis [2017]

Baseado no romance “The Book of Strange New Things”, de Michael Faber, acompanhamos um capelão, “yes, a chaplain… a priest”, que é enviado ao espaço para estabelecer uma colónia num planeta distante. «New base chaplain Peter Leigh», ecuménico, quando parece que não haveria muito espaço para a religião.

«Life is mysterious and death more so».

O «pilot» promete, ainda assim veremos….

The Handmaid’s Tale [2017]

Tal como no livro de Margaret Atwood, a história é contada pela perspectiva de Offred, alternando cenas do presente com do passado. Uma facção católica tomou o poder nos Estados Unidos, com o intuito de restaurar a paz, proteger o ambiente, a moral e os bons costumes; transformou o país na República de Gilead, instaurando um regime totalitário baseado nas leis do antigo testamento. As mulheres férteis servem para o seu “destino biológico”, gerar filhos para homens poderosos, vestem como na era puritana do século XVII, com uma touca que as impede de ver (e serem vistas), são proibidas de ler e as atividades que podem desenvolver são restritas.

Offred é uma “handmaid”, uma mulher cujo único fim é procriar para manter os níveis demográficos da população. Vistas como privilegiadas, abençoadas com fertilidade, maltratadas até se submetem.

«We intend to make the world better. Not better for everyone. Better means worse for someone»

A história começa com a atribuição de Offred à esposa Serena Joy (Yvonne Strahovski) e ao Comandante Fred Waterford (Joseph Fiennes), um oficial de alto escalão do regime. O ritmo é lento e muito envolvente. Curioso como a transformação do livro ficou tão bem sucedida…

467823.jpgMV5BMzEzNTIzMDk2OF5BMl5BanBnXkFtZTgwNjIzODQxMjI@._V1_UX182_CR0,0,182,268_AL_.jpg

The Handmaid’s Tale pode bem ser candidata a uma das melhores e mais provocadoras séries de 2017, -uma distopia que foi acontecendo aos poucos, aos olhos do mundo.

“série cancelada”

Toda a gente tem ou terá  tido uma série que acompanhava e que terminou sem final ou num cliffhanger, quando se pensava que a série ia continuar. Se não toda agente, a mim já me aconteceu… e nem estou a fazer referência à clássica «Firefly», de há mais de uma década. Portanto, de vez em quando, uma série que se vai acompanhando é cancelada.

Nos últimos anos, isso aconteceu com algumas séries que seguia com interesse, interrompidas subitamente como aconteceu com «Alphas» ou «Tomorrow People», depois de alguma sequência e de altos e baixos, como «Revolution» ou «Defiance».

Via de regra, uma série é cancelada por baixa audiência na televisão do país de origem; mas há variações a essa regra – muitas vezes parece ser considerada a audiência de alguns grupos do público, o apoio dos fãs e, como em outros aspetos sociais, certas decisões são tomadas sem que ninguém entenda  porquê.

Pode até por pressão de convergência com os standards mais habituais, por problemas de contratações e elencos…. a verdade é que a expressão «cancelada», diferentemente de «finalizada», emerge com o sentido de uma interrupção na narrativa, um fim súbito do desenvolvimento das personagens. Podemos rever as séries, o que, claramente, não é a mesma coisa.

 

Travelers, 2016 [Show Case & Netflix]

Uma série que passa despercebida, porque não teve (espante-se!) quase nenhum marketing associado. Travelers, Showcase & Netflix, Canadá.

A série foi idealizada e escrita por Brad Wright que é co-criador da antiga série Stargate SG-1 e conta com Erick  McCormack (que conhecemos de Perception), MacKenzie Porter, Nesta Cooper, Jared Abrahamson e Reily Dolman nos papéis principais. Uma equipa, cinco personagens, cada uma com uma finalidade e um conjunto de habilidades especiais.

Centenas de anos no futuro, os seres humanos descobriram como enviar a consciência de volta no tempo, para dentro de pessoas que vivem no século XXI. coincidindo com a hora estimada de morte. Esses viajantes assumem os corpos e as vidas de outras pessoas, enquanto tentam salvar a humanidade de um futuro terrível.

travelers_cast

Não deixa de ser curioso um viajante chegar e ter de encontrar razões para não saber detalhes da sua vida (concussão, amnésia, etc…) ou encontrar um vício que não se sabia que o host tinha. Assumem a vida da pessoa, com base em informações que recolheram das redes sociais – mas assim que o viajante assume a vida do hospedeiro fica cada vez mais claro que as informações não são suficientes para que eles executem as suas missões ao mesmo tempo em que se fazem passar por outras pessoas.

Há bastante séries com a ideia de viagem no tempo, basta lembrar de 12 Monkeys, 11.22.63,  Timeless e Frequency. Mas Travelers é diferente porque não existem máquinas ou objetos que façam a viagem e por não permitir a visualização ou o conhecimento da realidade futura de onde se parte. Apenas sabemos que o destino não será positivo pois o que move os travelers é o interesse em mudar o curso do passado.

O piloto da série é simples e apresenta os personagens, e, mais especificamente, a chegada da consciência das pessoas do futuro nos corpos hospedeiros da atualidade. Sim, uma das particularidades da série é que os viajantes não chegam com um corpo físico e nem é mostrado de onde vieram, sendo apenas sugerida a chegada. A maneira utilizada para isso foi simples e funcionou, é exibido um cronómetro decrescente, em que zero é a hora da morte de cada hospedeiro. No momento zero, o viajante chega…

character-s01-grant_maclaren3 character-s01-trevor_holden3carlycharacter-s01-marcy-warton2-16x9   philip