tempo e duração

time_bass museum artEsta imagem é de um relógio do final do século XIX, parte de uma exposição sob a temática do Tempo, no Bass Museum of Art.

Clock, c. 1885
Glazed earthenware, brass

“TIME presents a selection of historical and contemporary artworks, objects and artists’ projects that engage with ideas of time. Throughout history, philosophers and scientists have advanced new – sometimes conflicting – ideas regarding the nature and perception of time. Current thought on the subject based upon quantum physics is extremely complex. Nevertheless, our finite lifespan seems to have endowed us with an intuition of time, even if we have not considered its precise character. The concept of time enables us to live with a sense of order and regularity; to conceive of duration; past, present and future; and to maintain a sense of our place within this apparent continuum.”

… o tempo continua a ser um assunto ligado à gestão do perecível…

Pensamento do dia

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Um dos prazeres humanos menos observados é o de preparar acontecimentos à distância, de organizar um grupo de acontecimentos que tenham uma construção, uma lógica, um começo e um fim. Este é quase sempre apercebido como um acme sentimental, uma alegre ou lisonjeira crise de conhecimento de si próprio. Isto aplica-se tanto à construção de uma resposta pronta como à de uma vida. E o que é isto, senão a premissa da arte de narrar? A arte narrativa apazigua precisamente esse gosto profundo.
O prazer de narrar e de escutar é o de ver os factos serem dispostos segundo aquele gráfico. A meio de uma narrativa volta-se às premissas e tem-se o prazer de encontrar razões, chaves, motivações causais. Que outra coisa fazemos quando pensamos no nosso próprio passado e nos comprazemos em reconhecer os sinais do presente ou do futuro? Esta construção dá, em substância, um significado ao tempo. E o narrar é, em suma, apenas um meio de o transformar em mito, de lhe fugir.

Cesare Pavese, in ‘O Ofício de Viver’