O modo “séries”, à espera de GoT

Séries são um pouco como cores e sapatos – cada um escolhe o que mais aprecia, reconhecendo que a longevidade das histórias e dos personagens pode coincidir (ou não) com as preferências pessoais.

Perto do regresso do GoT (Game of Thrones, Guerra dos Tronos) para a sétima e derradeira temporada, de menor dimensão (sete episódios em vez dos 10 habituais), ficar-me-á a estranheza de ter sido a série que deu fama e fulgor aos livros. Isto porque quando «A Muralha – 1º vol – O gelo e o fogo» foi publicado em Portugal em 2002 pela Entre Letras Editora, nem se deu por isso.

Aliás, à conta dessa publicação, pareceu-me muito familiar, no verão de 2007, a leitura de “A Guerra dos Tronos. As Crónicas de Gelo e Fogo – Livro Um”, lançado pela Saída de Emergência. Pudera! Tinha-o lido cinco anos antes 🙂

 

Fernão Mendes Pinto, Pragal

casa onde viveu Fernão Mendes Pinto, Pragal, foto aqui

Deixou-nos um relato tão fantástico do que viveu (a Peregrinação, publicada postumamente em 1614), que durante muito tempo não se acreditou na sua veracidade; de tal modo que até se fazia um jocoso dito com o seu nome: Fernão Mendes Minto, ou então ainda: Fernão, mentes? Minto!.

Citação do dia

“Este é em primeiro lugar um ensaio acerca das emoções e das atitudes que incluem uma certa estimativa de si mesmo, como o orgulho, a autoestima, a vaidade, a arrogãncia, a vergonha, a humildade, o embaraço, o ressentimento, e a indignação. É também acerca de algumas qualidades que se relacionam com essas emoções; a nossa integridade, sinceridade ou autenticidade. Interessa-me o modo como essas emoções e qualidades se manifestam na vida humana em geral, e no mundo moderno em particular. O ensaio é por consequência aquilo que o grande filósof alemão Immanuel Kant, que nunca teve medo de um título grandioso, teria chamado um exercício de antroplogia pragmática” (p.13)

“Narciso poderia recordar-nos os enxames de egoístas que infestam os locais de interesse, as galerias de arte, os concertos, os espaços públicos, e o ciberespaço. Para essas pessoas, o objetivo de cada momento é em primeiro lugar registarmo-nos como tendo estado ali, e, em segundo lugar, transmitir o resultado para o máximo de gente possível no resto do mundo. O smartphone é a maldição do espaço público enquanto as pessoa continuam a clicar com a lente apontada principalmente para si mesmas e apenas secundariamente para aquilo que as rodeia”. (p.56)

Uma belíssima mistura de reflexão, sentido de humor, sabedoria, com recurso aos filósofos, à cultura, aos mitos, à arte…  Fortemente recomendado.