Citação do dia

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Quem quer dar um sentido à sua existência interroga-se também, pelo menos uma vez na vida, sobre a situação e a época em que nasceu.O que significa nascer em certo lugar do mundo e em determinado momento da História? A família, o país, a cidade que nos são atribuídos como um bilhete de lotaria, que nos pedem que amemos e que acabamos por amar na maior parte das vezes, serão fruto de uma partilha equitativa? Por vezes, ao ver as ruínas e as cinzas do Império Otomano, sinto que tive azar em nascer em Istambul, em nascer nesta cidade a envelhecer num ambiente de derrota, de miséria e de tristeza. (Porém, uma voz dentro de mim diz-me que não, que isso, na realidade, é uma sorte.) No que toca a riqueza, acontece-me pensar às vezes que tive sorte em nascer numa família abastada de Istambul (embora haja quem diga o contrário). A maior parte do tempo, contudo, penso que Istambul, o lugar onde nasci e onde passei toda a minha vida, faz parte do meu destino – tanto como o meu corpo (se ao menos pudesse ter os ossos um pouco mais largos e fosse um pouco mais bonito…) e o meu sexo (a minha sexualidade dar-me-ia menos problemas se eu fosse mulher?), coisas de que acabei por me convencer que não devia queixar-me – e que fazendo parte do meu destino, não pode ser posto em questão. Este livro é sobre esse destino…”
Nasci a 7 de Junho de 1952… em Istambul.

Orhan Pamuk, Istambul

 

 

Fotofolio | por Lisboa

Passei pela Academia das Ciências de Lisboa,

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e dei conta da mostra dos achados das escavações – os trabalhos arqueológicos confirmaram a existência da necrópole no claustro conventual.

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Cf. Testemunhos do terramoto de 1755- novos elementos obtidos em escavações na Academia das Ciências de Lisboa

Assinalo também os painéis de azulejo e o claustro.

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Pensamento do dia

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” Gosto de chuva e de lama tal como os patos. A mudança de ares e de clima não me afecta: tanto se me dá que tempo faça. As únicas alterações que me atingem são as produzo dentro de mim, e essas são menos frequentes quando viajo.

Montaigne, “Da Vaidade”, in Ensaios (Antologia). Introdução, tradução e notas de Rui Bertrand Romão. Lisboa, Relógio d’Água, 1998, p. 249.