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Citação do dia

„Deixo Sísifo no sopé da montanha! Encontramos sempre o nosso fardo. Mas Sísifo ensina a fidelidade superior que nega os deuses e levanta os rochedos. Ele também julga que tudo está bem. Esse universo enfim sem dono não lhe parece estéril nem fútil. Cada grão dessa pedra, cada estilhaço mineral dessa montanha cheia de noite, forma por si só um mundo. A própria luta para atingir os píncaros basta para encher um coração de homem. É preciso imaginar Sísifo feliz.“
Albert Camus

Publicado em Efemérides, Filosofia

Nascida no dia: Elizabeth Anscombe

Elizabeth Anscombe (de seu nome completo, Gertrude Elizabeth Margaret Anscombe) nasceu na Irlanda, em Limerick, dia 19 de março de 1919 e morreu em Cambridge, a 5 de janeiro de 2001. Regeu a cátedra de Filosofia da Universidade de Cambridge entre 1970 e 1986. O seu trabalho filosófico, muito do qual “contra a corrente” como se diz, abrange a ética, a filosofia da mente, a filosofia da religião. É reconhecida pelo pendor analítico, uma posição anti-utilitarista e cristã. Foi pioneira na teoria da ação contemporânea, como se pode ler em «Intention»(1957) e divulgou Wittgenstein ao conhecimento público (aliás, Wittgenstein  morreu em 1951, tendo-a nomeado como uma dos seus três executores literários).

Como a própria defende,“A filosofia analítica é mais caracterizada por estilos de argumentação e investigação do que por conteúdo doutrinal” –  e Elizabeth Anscombe é um dos expoentes da filosofia analítica no século passado. Tendo traduzido a obra de Wittgenstein para inglês, segue o trilho do mestre em alguns aspectos mas a força argumentativa e o rigor do seu trabalho e a pertinência das suas ideias evidenciaram-se mais.

Anscombe foi uma polemista, em artigos de opinião e intervenções radiofónicas e conferências. Em “Twenty Opinions Common among Modern Anglo-American Philosophers”(1986) afirmou que, uma vez que o nome ‘filosofia analítica’ corresponde a um estilo e não a uma doutrina, não deve ser surpreendente que os praticantes deste tipo de actividade tenham as mais diversas crenças a respeito de todo o tipo de assuntos.

Em “Does Oxford Moral Philosophy Corrupt the Youth?”(1957), um artigo publicado no The Listener, defendeu que a filosofia moral de Oxford está em perfeita harmonia com as ideias mais comuns na sociedade sobre moral, e é, de resto, uma versão académica dessas mesmas ideias –e portanto, não corrompe ninguém, quando muito, sofistica. À provocação em forma de pergunta, Anscombe responde com um rotundo “não”. Não, a Filosofia Moral de Oxford não corrompe os jovens mas não porque seja especialmente meritória – apenas porque é tão má como a mentalidade da sociedade em que os jovens já estão inseridos. Começou por mostrar que esta “escola” de filosofia teria as características necessárias para serum agente de corrupção através da propagação directa de ideias –(1) um certo ar de “seriedade moral”, (2) manter-se afastado dos factos, considera-los irrelevantes e (3) concentrar-se em exemplos ou completamente banais ou totalmente fantásticos. De seguida, as ideias centrais da dita “filosofia moral de Oxford” são comparadas com as ideias e os valores mais característicos da sociedade a visão da justiça, a noção de responsabilidade, a importância dada à sensibilidade e ao sofrimento, a noção de fim último e/ou forma de vida escolhidas e a sua natureza subjectiva, e a relação entre a educação das crianças e autoridade parental. A respeito de cada um destes assuntos, Anscombe mostra como não há diferenças significativas entre as ideias dos professores de Oxford e do resto do mundo – e deixa patente como isso é um problema tanto para a filosofia como para o mundo, porque essas ideias são, do seu ponto de vista, completamente erradas. Note-se, contudo, que as naturezas destes problemas são diferentes –se, para a filosofia, o problema com o erro é, em primeira análise,de carácter intelectual, para o mundo, o erro assume uma configuração ética. O facto de as pessoas andarem enganadas a respeito do que é uma boa acção, ou uma boa vida, pode impedi-las de a concretizarem ou viverem.

G. E. M. Anscombe (1919—2001) – by Duncan Richter for the Internet Encyclopedia of Philosophy

Gertrude Elizabeth Margaret Anscombe – by Julia Driver for The Stanford Encyclopedia of Philosophy

Elizabeth Anscombe – A BBC Programme Woman’s Hour episode in which Sarah Woolman speaks to Dr Rosalinde Hursthouse and Professor Philippa Foot

The Golden Age of Female Philosophy – A recent episode of Philosopher’s Zone which discusses Anscombe’s work along with the work of other great contemporary women philosophers

Anscombe Bioethics Centre – ‘a Roman Catholic academic institute that engages with the moral questions arising in clinical practice and biomedical research’

G.E.M. Anscombe Bibliography – by José M. Torralba for Universidad de Navarra

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Citação do dia

“O quadrilátero que forma o reino de Portugal dispõe, quase mimeticamente, de duas fachadas opostas, horizontal e longitudinalmente. A norte e oriente delimitam-no a terra, de montanhas, rios e planícies. A oeste e a sul o seu recorte desenha-se pelo mar de costas mais abruptas ou de enseadas e estuários mais amenos.

O mar teve, pois, de ser uma presença constante no devir deste território que se veio a configurar num espaço, numa população, num poder. Por mar e por terra vieram muitos homens e mulheres que foram moldando o território e
que foram constituindo o magma de um povo.

O mar foi porta de entrada de povos, de civilizações, de culturas. O mar foi perigo de inimigos que vieram pelos rios e pela terra para atacar povoados e saquear bens. O mar foi palco de batalhas e de ataques de piratas e corsários.

Mas o mar foi também promessa de ganhos. Era caminho fácil e rápido entre portos marítimos de costas acessíveis. Era estrada que rasgava horizontes largos de comércio. Era chão arável que se oferecia em frutos de mar e espreguiçando-se em terra se transmutava em riqueza de cristais de sal.”

Maria Helena da Cruz Coelho, Portugal: um Reino “Plantador de Naus”, Revista de História de Portugal. nº 43 (2012), p. 72-73. Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, Instituto de História Económica e Social.  URI:http://hdl.handle.net/10316.2/28047

imagem (Portugal é mar)

Publicado em Nurture English Lexicon [NEL] | word of the day

[NEL] – Slow

SLOW

[sloh]

adjective, slow·er, slow·est.

moving or proceeding with little or less than usual speed or velocity.

characterized by lack of speed.

taking or requiring a comparatively long time for completion.

adverb, slow·er, slow·est.

in a slow manner; slowly.

verb (used with object)

to make slow or slower (often followed by up or down ).

to retard; reduce the advancement or progress of.

Origin of slow  before 900; Middle English; Old English slāw sluggish, dull; cognate with Dutch sleeuw

imagem: Quint Buchholz, slowest movement