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Mnemónicas

Para os 12 pares de nervos craneanos

Se pegarmos ma primeira letra de cada nervo, podemos construir uma mnemónica para nos ajudar a lembrar dos nomes dos pares cranianos.

“O Objeto de Ouro Tinha Teias de Aranha Fazendo a Vassoura Girar Varrendo o Armário Horripilante”.

Os ingleses usam: OLd OPie OCcasionally TRies TRIGonometry And Feels VEry GLOomy, VAGUe And HYPOactive.

  • OLd – Olfactivo
  • OPie – Óptico
  • OCcasionally – Oculomotor
  • TRies – Troclear
  • TRIGonometry – Trigémio
  • And – Abducente
  • Feels – Facial
  • VEry – Vestibulococlear
  • GLOomy – Glossofaríngeo
  • VAGUe – Vago
  • And – Acessório
  • HYPOactive – Hipoglosso

Para os fãs de Harry Potter:

Oh, Oh, Oh, They Traveled And Found Voldemort Guarding Very Secret Horcruxes

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Citação do dia

A uns trezentos ou quatrocentos metros da Pirâmide inclinei-me, peguei num punhado de areia, deixei-o cair silenciosamente um pouco mais longe e disse em voz baixa: “Estou a modificar o Saara”. O facto era ínfimo, mas as não engenhosas palavras eram exactas e pensei que tinha sido necessária toda a minha vida para que eu pudesse dizê-las. A memória desse momento é uma das mais significativas da minha estada no Egipto.

Jorge Luis Borges

foto aqui

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Nascido do dia: Arthur Schopenhauer

Arthur Schopenhauer nasceu a 22 de fevereiro de 1788 em Gdansk e morreu a 21 de setembro de 1860, em Frankfurt.

Filósofo alemão do século XIX, conhecido pela obra principal “O mundo como vontade e representação” (1818), em que caracteriza o mundo fenoménico como produto de uma vontade metafísica, cega, insaciável e maligna. A partir do idealismo transcendental de Imannuel Kant, Schopenhauer desenvolveu um sistema metafísico ateu e ético, descrito como pessimismo filosófico. Introduziu conceitos budistas na metafísica alemã, tendo sido fortemente influenciado pela leitura das Upanishads. Acreditava no amor como meta na vida, mas não acreditava que tivesse algo a ver com a felicidade.

Apesar de ser mais conhecido, atualmente, pela obra O Mundo como Vontade e Representação, foi com a publicação de Parerga e Paralipomena, no final de 1851, que ficou amplamente conhecido e famoso ainda em vida. Nesta obra discorreu sobre uma multitude de assuntos, desde temas relacionados com o ensino universitário, a escrita, a sociedade em que vive, reviu conceitos que outrora defendera e providenciou conselhos aos leitores sobre como levar uma vida o mais isenta de sofrimento possível.

Schopenhauer’s influence on later nineteenth-century and early twentieth-century artists has been greater than that of any other philosopher: Tolstoy, Turgenev, Zola, Maupassant, Proust, Hardy, Conrad, Mann, Joyce and Beckett all admired and were influenced by his work. Subservient to the Christian doctrine of a wholly powerful, benevolent world-creator, the Western philosophical tradition has been compelled to conclude that we live in the best of all possible worlds. In Schopenhauer, the artists found a philosopher who, for the first time, revealed how far this was from the truth. The artist who engaged most deeply with Schopenhauer was Richard Wagner (himself a philosopher of genuine ability). Originally a socialist-anarchist who narrowly escaped execution for his role in the 1848 Revolution, Wagner discovered Schopenhauer in the middle of writing the Ring cycle. The result was a work that begins as an argument in favour of utopian anarchism, and ends by advocating, as Wagner wrote to a friend, “the final negation of the desire for life”. This, he wrote, is “the only salvation possible . . . freedom from all dreams is the only final salvation”. Wagner’s ardent disciple, the youthful Friedrich Nietzsche, dedicated his first book, The Birth of Tragedy, to Wagner and wrote it “in Schopenhauer’s spirit and to his honour”. The mature Nietzsche’s turn against Schopenhauer and towards “life-affirmation” terminated his friendship with Wagner.

Schopenhauer was, I believe, the first European Buddhist (the first translations of the Hindu and Buddhist texts began to appear as he was writing the main work). To live, he tells us, is to will, and to will is to participate in the anxious, exhausting and endless Darwinian struggle that only the fittest survive. The pleasures of achieving a goal are either fleeting or non-existent. And once achieved, we must rush on to the next goal in order to escape the ever-present threat of boredom. Life is a treadmill; the “wheel of Ixion” never stands still. But this, Schopenhauer tells us, is a game we do not have to play. We can withdraw from the life of willing into a life of contemplation – “mindfulness”, in current jargon – a withdrawal which, for the enlightened, will complete itself in easeful death. At its deepest level, says Schopenhauer, his philosophy, like Socrates’, is a “preparation for death”.

Julian Young, Arthur Schopenhauer: The first European Buddhist

Cf. Internet Encyclopedia of Philosophy

   

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On being sane in insane places. A experiência de Rosenhan

David Rosenhan realizou uma experiência que resultou num artigo publicado pela Science em 1973 ( David L. Rosenhan, “On Being Sane in Insane Places,” Science, Vol. 179 (Jan. 1973), 250-258).

Nesse artigo relata que 8 pessoas (David Rosenhan e sete colaboradores) se apresentaram como doentes e tentaram ser internados em 12 hospitais de 5 estados dos EUA. O grupo era constituído por três psicólogos, um pediatra, um psiquiatra, um pintor e uma dona de casa. Cinco homens e três mulheres. A queixa era que ouviam vozes e alguns alegavam sentimentos de “vazio”, “oco”, “abatimento”. Todos foram internados – onze tiveram diagnóstico de esquizofrenia e um de psicose maníaco-depressiva.

Na entrevista de admissão todos os voluntários asseguraram ouvir ruídos e vozes o que determinou sua admissão com diagnóstico de esquizofrenia e transtorno bipolar. Uma vez dentro da instituição os participantes da investigação começaram a afirmar que não tinham sintomas e começaram comportar-se normalmente. Mesmo assim foram receitados psicofármacos. Ficaram internados entre sete e cinquenta e dois dias, com uma média de 19 dias. Muitos doentes internados declararam suspeitas que os novos entrados não eram doentes; já os profissionais encararam atitudes normais (como escrever ou tomar notas) como sintomas da doença.

Quando foi publicado o artigo, a direcção de um hospital, irritada com os resultados do estudo, desafiou a equipa de Rosenhan a enviar doentes incógnitos para a sua própria instituição, de modo a poder confirmar a eficácia dos diagnósticos da sua equipa na distinção entre falsos e verdadeiros doentes. Com efeito, o pessoal médico foi capaz de identificar mais de quarenta fraudes entre os quase duzentos pacientes da instituição. Mas Rosenhan não tinha enviado qualquer voluntário incógnito.

Rosenhan e a equipa deixaram claro no projeto que o objetivo não era ridicularizar as instituições, era questionar a capacidade da psiquiatria para distinguir a psicose de traços comuns das pessoas. Em bom rigor, Ronsehaun estava contra a classificação DSMIII (1968) – aliás, a classificação DSM foi revista várias vezes desde que o estudo foi publicado e os critérios diagnósticos foram melhorados consideravelmente.

Robert Spitzer chamou a atenção para o problema ético de realizar uma investigação sem consentimento do pessoal do hospital embora o facto tivesse sido minimizado pela ausência de identificação das pessoas no estudo de Rosenham. Outro problema ético do estudo foi provocar uma crise de confiança no sistema de saúde mental que poderia ter inibido a procura por parte do público.

A experiência é referida muitas vezes como exemplo dos limites fluidos entre os estados de sanidade e de insanidade.

Mas mais do que os dados empíricos, gosto do título que foi dado ao estudo, On being sane in insane places, frase que às vezes me ocorre em contextos de trabalho.

foto de Rosehan e artigo sobre o assunto aqui – Can we tell the difference between sane and insane?