“Não podemos permitir continuar a navegar à vista”

Do blog Cidadania na Enfermagem

1. O quadro legislativo e o garrote que impõe ao SNS
2. A não existência de uma efetiva identidade do SNS
3. O subfinanciamento crónico do SNS
4. A ausência de planificação a médio e longo prazo no SNS e suas instituições tendo em conta as necessidades identificadas
5. A predominância da “financiarização” sobre a autonomia e responsabilização da gestão
6. A desvalorização dos profissionais e suas carreiras
7. A distribuição dos recursos sempre condicionada pela pressão do tratamento das doenças
8. As áreas de promoção e prevenção, incluindo a Saúde Mental, são os parentes pobres no SNS
9. A ausência de intercomunicabilidade entre os vários níveis de cuidados
10. As culturas profissionais determinam o funcionamento das organizações
Em conclusão e o que fazer
1. Sobre o SNS, a sua defesa é a defesa da nossa saúde
2. O sector privado pode existir em complementaridade onde o SNS não tem resposta adequada
3. A planificação e a saúde em todas as políticas
4. Investir e reconhecer o valor económico da saúde
5. Um SNS que não seja formado por silos
6. Um SNS descentralizado e participado a todos os níveis
7. Inversão na redistribuição dos recursos que contribua para diminuir as desigualdades
8. Culturas profissionais promotoras de respostas integradas
9. Capacitação dos cidadãos e participação efetiva
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“A importância do potássio e da alimentação na regulação da pressão arterial” [maio 2018]

O potássio é um mineral essencial na regulação da pressão arterial, mas frequentemente esquecido, tanto por profissionais de saúde como pela população em geral. A hipertensão arterial (HTA) é um importante problema de saúde pública sendo um dos principais fatores de risco para a
doença cardiovascular, uma das principais causas de mortalidade a nível mundial. Em Portugal, a hipertensão tem um impacto significativo na saúde e qualidade de vida dos cidadãos, afetando cerca de 36% da população adulta.
Neste contexto, as recomendações para uma alimentação adequada nestas situações clínicas, deve não só considerar a restrição da ingestão de sódio, mas também garantir uma ingestão adequada de potássio.
Para a redução da pressão arterial e do risco cardiovascular a Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda uma ingestão de potássio igual ou superior a 3500 mg/dia para adultos. Felizmente, a nossa alimentação mediterrânica pode fornecer quantidades apreciáveis de potássio de forma barata, saborosa e facilmente disponível. Este manual pretende dar a conhecer este importante nutriente e apresentar algumas sugestões práticas para a sua incorporação na nossa alimentação do dia-a-dia.

Retrato da Saúde, 2018

Descarregar o livro “Retrato da Saúde 2018” aqui.

A saúde é um dos mais poderosos fatores de integração e coesão sociais, mas também de geração de riqueza e bem-estar.

Em Portugal, a opção por um modelo de Serviço Nacional de Saúde (SNS) surge como a melhor forma de garantir os valores do acesso, da equidade e da solidariedade social. O SNS tem evoluído de forma muito significativa ao longo dos últimos anos, com progressos claros ao nível da eficiência, do acesso, da qualidade e da sustentabilidade.

sobre Vacinas e Vacinação

Corria o ano de 2011, quando a Mesa do Colégio da Especialidade em Enfermagem de Saúde Infantil e Pediátrica divulgou um Parecer sobre a vacinação em crianças, fazendo referência a argumentos de renitência dos pais a vacinar – “As vacinas previnem ou atenuam a doença e salvam vidas. (…) são o meio mais eficaz e seguro de protecção contra as doenças infecciosas.

Em janeiro de 2017 entrou em vigor um novo Programa Nacional de Vacinação – PNV 2017. Sublinhando a importância da vacinação ao longo do ciclo de vida, a atualização do PNV consiste em novos esquemas vacinais gerais, em função da idade e do estado vacinal anterior e ainda esquemas vacinais específicos para grupos de risco ou em circunstâncias especiais.

E não obstante a vacinação ser, provavelmente, a medida de saúde pública com melhor relação custo-efetividade e com elevados ganhos em saúde, os movimentos anti-vacinação persistem e, de vez em quando, recrudescem. Em bom rigor, estes movimentos começaram desde cedo, quando Edward Jenner enfrentou a acusação de que a vacina (ao tempo, a da varíola) era contra a vontade divina.  A questão recrudesceu nos últimos tempos, com as danosas evidências do surto de sarampo.

e tivemos ontem o discurso do Presidente a apelar à vacinação.

Note-se que a está aprovado o Plano Europeu de vacinação 2015-2020. A Semana Europeia da vacinação será em abril, como habitualmente,  European Immunization Week 2018 |  23 a 29 Abril 2018

The European Region celebrates European Immunization Week (EIW) to raise awareness of the importance of immunization for people’s health and well-being. The EIW 2018 will focus on immunization as an individual right and shared responsibility to help close immunization gaps and further progress towards the global Sustainable Development Goals.

O lema deste ano foca-se na vacinação como um direito individual e uma responsabilidade partilhada. European Immunization Week 2018: vaccination is an individual right and shared responsibility

Este diagrama faz parte do documento sobre a  European Immunization Week 2018 – e, naturalmente, articula-se e concorre para os objetivos e as metas do

Plano Europeu de Vacinação 2015-2020.

Goal 1: Sustain polio-free status
The European Region achieved certification of polio-free status in 2002 and has maintained this status. In line with the Global Polio Eradication Initiative, sustaining polio-free status depends largely on high vaccination coverage (EVAP objectives 2 and 3), high-quality surveillance (EVAP objective 4) and shifting to bivalent oral poliovirus vaccine and introducing inactivated poliovirus vaccine in line with the Polio Eradication & Endgame Strategic (EVAP objective 5).
Goal 2: Eliminate measles and rubella
The Region has set 2015 as the target for interrupting transmission of measles and rubella. Once this target has been met, certification will follow in 2018, after three years of confirmed interrupted transmission. Elimination of measles and rubella will depend largely on
obtaining political commitment (EVAP objective 1), achieving high coverage and closing immunity gaps (EVAP objectives 2 and 3) and ensuring high-quality, case-based surveillance (EVAP objective 4).
Goal 3: Control hepatitis B infection
The Region has the opportunity to establish and commit to controlling hepatitis B and achieving further progress in controlling inf
ection. Through EVAP, the Regional Office commits to preparing a programme and action plan for the control of hepatitis B infection and to identify targets for 2020. The action plan for hepatitis B will benefit from the strategic direction and objectives of EVAP and is expected to be discussed at the 65th session of the Regional Committee in 2015.
Goal 4: Meet regional vaccination coverage targets at all administrative levels throughout the Region.
Member States in the WHO European Region are committed to further reducing health inequalities through Health 2020 by taking action on the determinants of health. EVAP frames this commitment within immunization by establishing regional vaccination coverage targets that are higher than those of GVAP. It promotes a change in the way of working, by tailoring immunization programmes to address inequities (EVAP objectives 2 and 3) and strengthening commitment to and the sustainability and functionality of national immunization programmes (EVAP objectives 1, 4 and 5).
Goal 5: Make evidence-based decisions on the introduction of new vaccines
EVAP stresses the importance of evidence-based immunization policies in further improving good governance of immunization programmes. Establishing and strengthening independent advisory mechanisms at the national level (national immunization technical
advisory groups) is critical for improving leadership and participatory governance (EVAP objective 1). EVAP recommends that countries review the evidence and make informed decisions, particularly with regard to the introduction of new vaccines, using all the available information, including disease burden and cost-effectiveness.
Goal 6: Achieve financial sustainability of national immunization programmes
Most countries in the Region have achieved financial self-sufficiency for vaccines and donor support is limited mainly to technical a
nd financial assistance for operational components of immunization programmes, except in countries currently eligible for support from the GAVI Alliance. In the European Region, the remaining challenge in most countries is allocation of additional financial resources to expand immunization programmes. This will require increased commitment to immunization and sustainable access to long-term domestic funding (EVAP objectives 1 and 5).
e assinalamos, anualmente, uma Semana Europeia de Vacinação.
…. e ainda assim, é o que se vê!
Sugestão de leitura:

Rastreio VIH – alguns apontamentos

As farmácias e os laboratórios de análises clínicas foram autorizadas a fazer testes rápidos para a detecção de infecção por VIH e hepatites virais (B e C) sem necessidade de prévia prescrição médica. Se quiser saber se está ou não infectado, bastará picar o dedo e recolher três gotas de sangue. Em cerca de 15 minutos terá acesso aos resultados com estes testes rápidos de rastreio que começam em breve a ser vendidos nestes locais. Os preços ainda não são conhecidos.

Invocando “a defesa do interesse público” e lembrando que a taxa de diagnóstico tardio de VIH/sida em Portugal é “das mais elevadas” da União Europeia, o Ministério da Saúde autoriza, por despacho publicado nesta segunda-feira em Diário da República, a utilização de dispositivos destinados a estes testes rápidos nas farmácias e também em laboratórios de patologia e de análises clínicas. A adesão dos estabelecimentos é voluntária.

Este tipo de testes já está disponível desde há anos nos hospitais e centros de saúde, em centros de aconselhamento de detecção precoce da infecção VIH/sida (CAD), nos centros de respostas integradas para comportamentos aditivos e dependências (CRI)  e em diversas organizações de base comunitária, onde são gratuitos.  (fonte aqui)

A notícia pode suscitar diversos tipo de comentários – vale a pena ter em conta alguns apontamentos prévios.

………………………

Circular Normativa n.º 01/DSMIA/2004 e Norma n.º 58/2011, da Direção – Geral da Saúde – Diagnóstico e Rastreio Laboratorial da Infeção pelo Vírus da Imunodeficiência Humana (VIH)

Nos termos da alínea a) do nº 2 do artigo 2º do Decreto Regulamentar nº 14/2012, de 26 de Janeiro, por proposta conjunta do Departamento da Qualidade na Saúde, do Programa Nacional para a Infeção VIH/SIDA e da Ordem dos Médicos, emite a seguinte:

NORMA

1. O rastreio laboratorial da infeção pelo Vírus da Imunodeficiência Humana (VIH) deve ser efetuado em todos os indivíduos com idade compreendida entre os 18 e 64 anos (Nível de Evidência B, Grau de Recomendação I) (1,16,17,23,28).

2. Com exceção do disposto nos pontos seguintes da presente Norma, a determinação laboratorial do VIH deve ser repetida, na população mencionada no ponto 1, se existir exposição de risco (Nível de Evidência B, Grau de Recomendação I) (23,28).

3. Independentemente da idade, o rastreio laboratorial da infeção pelo Vírus da Imunodeficiência Humana deve ser efetuado ainda, e de forma mais específica, nas subpopulações seguintes (Anexo I, Quadros 1, 2 e 3) (Nível de Evidência B, Grau de Recomendação I) (7, 8, 16, 23, 26) :

a) Utentes a quem seja necessário realizar diagnóstico diferencial de infeção por VIH;
b) Utentes a quem foi diagnosticada uma infeção sexualmente transmissível;
c) Parceiros sexuais de homens e mulheres a quem foi diagnosticada infeção por VIH;
d) Homens que tiveram sexo com outros homens;
e) Mulheres parceiras de homens que tiveram sexo com outros homens;
f) Pessoas com história de utilização de drogas;
g) Homens e mulheres originários de países com elevada prevalência de infeção por VIH (> 1%);
h) Homens e mulheres que tiveram sexo no estrangeiro ou em Portugal com pessoas de países de elevada prevalência;
i) Reclusos;
j) Populações nómadas;

k) Sem abrigo;

l) Utentes de centros de aconselhamento e deteção precoce da infeção por VIH (CAD).

4. O rastreio laboratorial da infeção por VIH deve ser efetuado, por rotina, nos seguintes grupos (Nível de Evidência B, Grau de Recomendação I) (3,5,6,10):
a) Grávidas (de acordo com a Circular Normativa n.º 01/DSMIA, de 04/02/04 – “Gravidez e Vírus da Imunodeficiência”);
b) Crianças nascidas de mães que recusaram a realização do teste para pesquisa de VIH durante o período pré-natal;
c) Nas mulheres em idade fértil no âmbito dos cuidados pré-concecionais (de acordo com a Circular Normativa n.º 2/DSMIA de 16/01/06 “Prestação de Cuidados Pré-Concepcionais”);
d) Dadores de sangue (Anexo I, Quadro 4);
e) Utentes em diálise (Anexo I, Quadro 4);
f) Dadores e recetores de órgãos transplantados (Anexo I, Quadro 4).

5. O rastreio laboratorial da infeção por VIH deve ser realizado com periodicidade definida (Anexo I, Quadro 5) nas subpopulações seguintes (Nível de Evidência B, Grau de Recomendação I) (7,8,16,17,28) :
a) Pessoas com teste VIH negativo, mas com exposição ocorrida durante o período de janela imunológica;
b) Pessoas com teste VIH indeterminado;
c) Pessoas com parceiro VIH positivo;

d) Homens que têm sexo com homens (anualmente ou mais frequentemente se apresentar quadro clínico compatível com infeção primária ou se mantiverem risco elevado de exposição ao VIH);

e) Utilizadores de drogas (anualmente ou mais frequentemente se apresentarem quadro clínico compatível com infeção primária ou se mantiverem risco elevado de exposição ao VIH);

f) Trabalhadores do sexo (anualmente ou mais frequentemente se apresentarem quadro clínico compatível com infeção primária ou se mantiverem risco elevado de exposição ao VIH);

g) Sem abrigo (anualmente ou mais frequentemente se apresentarem quadro clínico compatível com infeção primária ou se mantiverem risco elevado de exposição ao VIH);

h) Pessoas sujeitas a exposição ocupacional (repetição da realização do teste pela 4.ª e 12.ª semanas se teste VIH negativo antes ou imediatamente após a exposição);

i) Utentes sujeitos a violência sexual ou violação (repetição da realização do teste pela 4.ª e 12.ª semanas.

6. O utente ou o seu representante legal deve ser informado e esclarecido sobre o teste a realizar, devendo a sua recusa ser registada no processo clínico (opt-out strategy). Esta estratégia deve incluir a explicação ao utente, sobre a infeção por VIH, o significado e consequências de um teste positivo ou negativo e o esclarecimento das suas questões ou dúvidas.

A Circular Normativa foi atualizada a 10/12/2014.

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Em 2015, Despacho n.º 13447-C/2015 estabeleceu disposições e determinou o processo de referenciação das pessoas infetadas por VIH, ou com teste reativo para o VIH para confirmação laboratorial, procedentes de serviços e estabelecimentos do Serviço Nacional de Saúde ou de entidades que com este celebraram acordos para realização de prestações de saúde.
“O diagnóstico precoce da infeção pelo Vírus da Imunodeficiência Humana (VIH) constitui um elemento central da estratégia do Programa
Nacional para a Infeção VIH/SIDA 2012 -2016, contribuindo de forma decisiva para atingir as metas de saúde por ele definidas.
Assim, o referido diagnóstico precoce da infeção por VIH, nomeadamente através da realização de rastreio laboratorial, deve estar associado a um processo célere de referenciação hospitalar das pessoas com teste reativo, de forma a assegurar a rápida confirmação laboratorial da infeção e o seu acompanhamento nas unidades hospitalares, com o correspondente benefício clínico das pessoas infetadas e o benefício epidemiológico extensível a toda a comunidade. Tendo em vista a implementação do processo de referenciação hospitalar das pessoas infetadas por VIH ou com teste reativo para o VIH, Rede de Referenciação VIH/SIDA, e atendendo ao determinado na Norma da Direção -Geral da Saúde n.º 58/2011, atualizada em 14/12/2014, considera -se que o processo de referenciação hospitalar dos doentes infetados por VIH ou com teste reativo para o VIH e que necessitam de confirmação laboratorial daquela infeção, deve articular -se com a Consulta a Tempo e Horas (CTH), assente num sistema eletrónico de referenciação dos pedidos de primeira consulta de especialidade hospitalar, permitindo uma melhor gestão do acesso àquela.
Assim, determino:
1. O processo de referenciação das pessoas infetadas por VIH, ou com teste reativo para o VIH para confirmação laboratorial, procedentes de serviços e estabelecimentos do Serviço Nacional de Saúde (SNS) ou de entidades que com este celebraram acordos para realização de prestações de saúde, é efetuado através do sistema Consulta a Tempo e Horas (CTH).
2. O processo de referenciação das pessoas infetadas por VIH, ou com teste reativo para o VIH para confirmação laboratorial, efetuado através de pessoas coletivas privadas sem fins lucrativos que desenvolvem projetos de rastreio e diagnóstico precoce da infeção por VIH no âmbito da atribuição de apoios financeiros pelo Estado, é efetuado diretamente junto dos estabelecimentos hospitalares, os quais gerem os pedidos de consulta através do sistema CTH.
3. Nos casos previstos no ponto 1 do presente despacho, a realização de primeira consulta hospitalar tem o tempo máximo de resposta de 7 dias, contado a partir da data de registo do pedido pelo serviço ou estabelecimento do SNS ou da entidade que com este celebrou acordo para realização de prestações de saúde.
4. Nos casos previstos no ponto 2, a realização de primeiras consultas hospitalares tem o tempo máximo de resposta de 7 dias, contado a partir da data em que o estabelecimento hospitalar regista o pedido.
5. A Direção -Geral da Saúde divulga, no seu sítio da Internet, as pessoas coletivas privadas sem fins lucrativos que desenvolvem projetos de rastreio e diagnóstico precoce da infeção por VIH no âmbito da atribuição de apoios financeiros pelo Estado, para efeitos do disposto no presente despacho.
6. O processo de referenciação pelas entidades mencionadas no presente despacho só pode ser efetuado para os estabelecimentos do SNS que integram a Rede Nacional Hospitalar de Referenciação para a Infeção por VIH.  [Texto do despacho]
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Num artigo interessante, em 2015,
lia-se:
De acordo com o relatório da OMS de 2015, “HIV Assays: Laboratory performance and other operational characteristics of rapid diagnostic tests”, a páginas 23-25, a especificidade dos testes rápidos (isto é, o número de resultados negativos obtidos num grupo de amostras negativas) é, em média, 99,5%. O que quer dizer que, em média, um em cada duzentos testes realizados em pessoas sem infecção dará um resultado falsamente positivo. Infelizmente, isto significa que, se o resultado do teste feito na farmácia for negativo e o leitor não for dos que nunca sabem em que cama acordam, tudo bem. Mas também significa que há uma possibilidade relativamente elevada de que o leitor, mesmo sendo negativo, tenha um teste positivo. Mais: significa que a esmagadora maioria dos testes positivos serão falsos.Perguntar-se-á o leitor: mas, se só um em cada duzentos testes positivos é que é falso, porque é que a maioria dos testes positivos vai ser falsa? Porque a maioria das pessoas não está infectada. A razão do aparente paradoxo chama-se “valor preditivo” e, no que aos rastreios diz respeito, define-se como a probabilidade de o resultado de um teste ser verdadeiro. Digamos que é a probabilidade de uma certa coisa ser o que parece.

O conceito não é intuitivo mas faz, na verdade, parte da nossa experiência do dia-a-dia. Imagine o leitor que acorda uma bela manhã com uma dor no peito e que tem 55 anos, é fumador, não perde uma feijoada e passa os dias sentado. Em que é que pensa? “Enfarte.” E tem razão, é uma boa hipótese. Se, ao contrário, tiver 20 anos, for ao ginásio três vezes por semana e só beber sumos naturais – então talvez pense, sei lá, em moderar os exercícios com halteres. E, mais uma vez, estará a pensar bem. Porque, para usar terminologia mais técnica, um resultado positivo numa população de baixa prevalência tem menos probabilidades de ser verdadeiro do que um resultado positivo numa população de prevalência elevada. (…)

Então que fazer com um resultado positivo? Num rastreio da diabetes ou do “colesterol”, com a eventual excepção de algumas pessoas mais excitáveis, ninguém terá crises de ansiedade ou pensará em suicídio por ter a glicémia ou o colesterol a 250. Mas imagine-se o leitor a fazer o teste do VIH na farmácia e a levar com um resultado positivo. Imagine aquele seu amigo hipocondríaco, ou histérico, a levar com um resultado positivo. Imagine que faz o teste com a sua cara-metade. As possibilidades de desastre são infindáveis.

Portanto: os rastreios do VIH de venda livre nas farmácias são uma boa ideia? Sim, para as farmácias.

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Não havendo estudos nacionais que indiquem o número estimado de doentes infetados por VIH em acompanhamento nos próximos anos, é previsível que, até 2019 e de acordo com os dados epidemiológicos mais recentes (número de novos casos, número de óbitos, ligação e retenção no sistema de saúde), estejam em acompanhamento nos hospitais do SNS, entre 39000 a 40000 pessoas infetadas por VIH.
O caráter de cronicidade da infeção por VIH, hoje reconhecidamente aceite, o aumento da esperança média de vida e o envelhecimento da população infetada por VIH (quer de novos casos, quer de casos em acompanhamento) determinarão que, para além da indispensável capacitação dos profissionais de saúde que integram os CSP, tendo em vista a sua progressiva integração na prestação de cuidados de saúde aos portadores de infeção por VIH, também será indispensável:
a) Dotar as unidades hospitalares de recursos humanos adequados a esta previsível evolução;
b) Promover a criação de estruturas de acompanhamento em unidades hospitalares, de acordo com a epidemiologia regional e nacional;
c) Promover o estabelecimento de meios de comunicação mais ágeis entre os CSP e as unidades hospitalares e, nestas, entre os diferentes níveis de integração na RNHR VIH, nomeadamente com recursos a novas tecnologias de informação;
d) Melhorar a articulação das unidades hospitalares com as unidades de prestação de cuidados continuados.
De acordo com a distância geográfica aos centros mais próximos, os dados epidemiológicos atualmente disponíveis e o número de doentes em seguimento noutras unidades, considera-se ainda como necessidade previsível, a curto prazo, a abertura de estruturas para acompanhamento hospitalar de doentes infetados por VIH no Centro Hospitalar de Leiria, na ULS do Nordeste e na ULS do Litoral Alentejano, devendo o nível de diferenciação adaptar-se progressivamente à evolução epidemiológica nas respetivas regiões.
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Desde a primeira descrição clínica de infeção por VIH, em 1981, até à atualidade, muito se desenvolveu o conhecimento científico acerca do vírus, testes laboratoriais cada vez mais sensíveis e específicos e terapêuticas mais eficazes e melhor toleradas.
Também se investiu na promoção da informação e esclarecimento da população quanto aos comportamentos de risco, foram instituídos programas de distribuição gratuita de preservativos e troca de seringas, foram criados Centros de Aconselhamento e Deteção Precoce de infeção por VIH (CAD) e foram disponibilizados testes rápidos para diagnóstico de VIH nos cuidados de saúde primários. Como transcrita acima, em 2014, foi atualizada a norma da Direção Geral da Saúde respeitante ao diagnóstico e rastreio laboratorial da infeção por VIH.
  
EM 2015 e 2016 a OMS divulgou Consolidated guidelines on HIV testing services  –  report summarizes the current HIV testing gap; the challenges facing efforts to scale up; and the potential role HIV self-testing (HIVST) could play to achieve the United Nation’s 90-90-90 targets. In particular, the report synthesises the existing and emerging market demand and supply of kits.
e Market and technology landscape: HIV rapid diagnostic tests for self-testing bring together existing guidance relevant to the provision of HIV testing services (HTS) and addresses issues and elements for effective delivery of HTS that are common in a variety of settings, contexts and diverse populations. In addition, this document provides a new recommendation to support HTS by trained lay providers, considers the potential of HIV self-testing to increase access to and coverage of HIV testing, and outlines focused and strategic approaches to HTS that are needed to support the new UN 90 –90 –90 global HIV targets – the first target being diagnosis of 90% of people with HIV. Moreover, this guidance will assist national programme managers and service providers, including those from community-based programmes, in planning for and implementing HTS.
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Agora, pensando no argumento “da defesa do interesse público”, como é que fazer testes de HIV e Hepatites, numa farmácia, de forma livre e venda direta ao público, se enquadra quando se pensa em estratégia de informação, literacia de saúde, acompanhamento clínico, referenciação ???
Voltem lá a ler o artigo de 2015, sff.

ODS e o lema “não deixar ninguém para trás”

Brevemente, pensa-se que estará disponível o Relatório de 2016, e está agendada em julho, um encontro das NU,
o que leva a pensar que uma rememoração dos ODS pode ser útil
Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, 2016-2030 (ODS)
1. Acabar com a pobreza em todas as suas formas e em todos os lugares.
2. Acabar com a fome, alcançar a segurança alimentar e a melhoria da nutrição e promover a agricultura sustentável.
3. Garantir uma vida saudável e promover o bem-estar para todos, em todas as idades.
4. Garantir uma educação inclusiva e equitativa de qualidade e promover oportunidades de aprendizagem ao longo da vida para todos.
5. Alcançar a igualdade de género e capacitar todas as mulheres e raparigas.
6.Garantir a disponibilidade e a gestão sustentável da água e saneamento para todos.
7. Garantir o acesso à energia fiável, sustentável, moderna e a preço acessível para todos.
8. Promover o crescimento económico sustentado, inclusivo e sustentável, o emprego pleno e produtivo e o trabalho digno para todos.
9. Construir infraestruturas resilientes, promover a industrialização inclusiva e sustentável e fomentar a inovação.
10. Reduzir a desigualdade dentro dos países e entre eles.
11. Tornar as cidades e os povoamentos humanos inclusivos, seguros, resilientes e sustentáveis.
12. Garantir padrões de produção e de consumo sustentáveis.
13. Tomar medidas urgentes para combater as alterações climáticas e os seus impactes.
14. Conservar e utilizar de forma sustentável os oceanos, os mares e os recursos marinhos, para o desenvolvimento sustentável.
15. Proteger, recuperar e promover o uso sustentável dos ecossistemas terrestres, gerir as florestas de forma sustentável, combater a desertificação, travar e reverter a degradação dos solos e estancar a perda de biodiversidade.
16. Promover sociedades pacíficas e inclusivas para o desenvolvimento sustentável, proporcionar o acesso à justiça para todos e construir instituições eficazes, responsáveis e inclusivas a todos os níveis.
17. Fortalecer os meios de implementação e revitalizar a parceria global para o desenvolvimento sustentável.