Contas feitas, I&D a crescer na saúde

 “Os hospitais investiram 40 milhões de euros em investigação, segundo o último relatório da Direção–Geral de Estatísticas da Educação e Ciência, com dados de 2014 mas publicado no final do ano passado. Das 20 instituições com mais despesa em atividades de investigação e desenvolvimento (I&D), nenhuma pertence à região do Alentejo e apenas uma é privada. A grande fatia dos investimentos resulta de fundos do Estado e é na área da medicina clínica que se fazem maiores despesas.

No topo da lista está o Centro Hospitalar Lisboa Central (CHLC), que engloba seis hospitais – entre eles o São José e o Dona Estefânia – com 7,5 milhões de euros investidos.

A antiga urgência de obstetrícia no Hospital de Dona Estefânia dá agora lugar ao Centro de Investigação, criado em 2009. Em vez dos ecógrafos e das marquesas, as salas têm secretárias para os investigadores. “Há seis anos a investigação foi uma aposta do conselho de administração que decidiu montar o centro de investigação em plena crise. Faz parte da métrica de qualidade do hospital”, diz ao DN Luís Pereira da Silva, coordenador do centro de investigação.

“Temos aqui fundamentalmente três serviços: apoio aos investigadores, ensaios clínicos da indústria e registo da investigação do CHLC. Temos um gabinete de coordenação, um de apoio epidemiológico e estatística, há uma forte colaboração com a Faculdade de Ciências Médicas, temos apoio logístico e coordenação de boas práticas. Gostava que o centro pudesse dar aos outros o que eu não tive, uma loja aberta que preste serviço aos investigadores”, dando como exemplo o apoio gratuito na estatística. Criaram uma plataforma na intranet em que o investigador diz o tipo de estudo que pretende fazer e a ajuda de que precisa. “Entre o pedido e a primeira reunião não tem demorado mais de um mês”, diz, referindo que o interesse na investigação é cada vez maior.

Em oito anos, dos 72 projetos registados passaram para 355 em 2015. E os 163 investigadores tornaram-se 937. Trabalho sempre dividido com as atividades clínicas, a que dedicam a grande fatia do tempo.”A maioria dos investigadores, 85%, são médicos. Também temos técnicos de diagnóstico e terapêutica, enfermeiros e técnicos superiores de saúde.” Desde que o centro foi criado apoiaram 401 projetos e foram referidos como coautores de 49 publicações.

Nos ensaios clínicos o destaque vai para a oncologia. Nos estudos propostos pelos investigadores há maior diversidade, tendo em conta a especialidade do médico, a tese de mestrado ou de doutoramento que está a fazer. “Temos um estudo a decorrer sobre os fatores que levam à maior ou menor adesão à medicação das crianças com o VIH e que será enviado para publicação. Damos apoio a um estudo nacional sobre o padrão de psicofármacos receitados pelos psiquiatras infantis e uma das teses que vai ser entregue é uma avaliação ao custo-benefício de cirurgias a anomalias cardíacas nos idosos”, explica Daniel Virella, epidemiologista do centro de investigação.

A aposta na investigação capta fundos financeiros, seja da indústria com os ensaios, de fundos nacionais ou europeus como o Horizonte 2020. É também uma forma de captar prestigio. “A investigação não é uma atividade secundária e menor. Os médicos que aliarem os cuidados assistenciais aos trabalhos de investigação tendem a prestar melhores cuidados aos doentes”, explica Ana Azevedo, coordenadora da Unidade de Investigação do Centro Hospitalar S. João. O hospital está em 3.º lugar com 4,4 milhões de euros. Muitos projetos são feitos em parceria e a aposta na área não tem parado de crescer. A criação dos centros de referência – atualmente têm 11 e estão a candidatar-se a mais cinco – são impulsionadores. “Entre os principais critérios estão a participação na investigação”, explica.

“Fazemos vários tipos de investigação. Temos ensaios clínicos da indústria farmacêutica em que participamos testando medicamentos. Esse é um grande segmento, uma fonte importante de receita e uma oportunidade de os doentes terem acesso a medicamentos inovadores. A área da oncologia é uma das principais. A hematologia, VIH, esclerose múltipla, reumatologia.”

Do outro lado têm as ideias dos próprios investigadores em que são promotores. “Podem ser financiados por bolsas ou pelo hospital. Temos tido cada vez mais sucesso com financiamento aprovado. O Horizonte 2020 é uma das tipologias de financiamento que dá muitas oportunidades.” A variedade é maior, mas há uma que é aposta estratégica: os sistema de informação e ferramentas de suporte de decisão clínica. “Temos uma plataforma que já foi premiada internacionalmente que junta a informação que temos sobre os doentes dispersa em várias plataformas e que permite dar toda a informação que é precisa para investigação e doentes elegíveis para ensaios”, exemplifica, acrescentando que o trabalho desenvolvido tem levado a que sejam procurados por parceiros internacionais.

O IPO do Porto está em 7.º lugar na lista geral com 1,7 milhões de euros gastos em I&D. “Temos vindo a aumentar sustentadamente o valor que se investe em I&D, já que a nossa missão assenta na tríplice atividade de ensino, investigação e assistência”, diz o presidente do conselho de administração, Laranja Pontes, referindo que são o maior centro de ensaios clínicos em Portugal em cancro, com 250 doentes recrutados em 2016.

Em 2015 e 2016 o investimento em I&D foi superior a 15 milhões de euros, financiado em cerca de 80% por fundos próprios. Destaca dois projetos que iniciaram em 2016 que “combinam a investigação aplicada com o digital e a organização de cuidados, valendo no seu conjunto 5,6 milhões de euros para três anos”. Segundo Laranja Pontes, a associação com o I3S e as parcerias europeias irá permitir que o hospital esteja não só na investigação básica, mas também na investigação aplicada.

No centro de investigação trabalham 184 profissionais (43% doutorados). Quanto às áreas investigadas, “vão-se alargando cada vez mais, tendo ultimamente sido realizados trabalhos em real world date e na área de I&D digital para capacitar os doentes e melhorar a comunicação entre estes e o hospital”, explica o presidente do instituto.

O Centro Hospitalar Alto Ave (agora novamente Hospital de Guimarães) surge em 16.º lugar na lista geral com uma despesa de 670 mil. “Esta é uma área de clara aposta. O Hospital da Senhora da Oliveira é afiliado à Escola de Ciências da Saúde da Universidade do Minho desde 2004. Ao longo de dez anos, esta colaboração tem contribuído para a crescente formação dos profissionais de saúde e sucesso da instituição como hospital de ensino”, refere a administração.

Desde 2014, altura da criação do centro académico, “o desenvolvimento tem sido exponencial, com aumento significativo de estudos, ensaios e publicações”. Nesse ano o hospital registou um total de 45 estudos clínicos, entre iniciativas do investigador e estudos com promotor externo. No ano seguinte foram 94 e no ano passado 88. “Temos conseguido uma evolução notável, sobretudo em ensaios clínicos (neurologia, gastrenterologia, pneumologia, cardiologia) e em número de publicações (principalmente gastrenterologia).”

Atualmente têm cerca de 30 investigadores ativos – sem contar com diretores de serviço – a desenvolver ensaios clínicos e/ou coordenação de estudos académicos com a Escola de Ciências da Saúde/Instituto de Investigação em Ciências da Vida e Saúde/Universidade do Minho. “Comparando o número de ensaios clínicos e publicações/número de médicos, o nosso hospital tem feito um trabalho notável, sobretudo em serviços com um número reduzido de profissionais”, salienta.

fonte: http://www.dn.pt/portugal/interior/40-milhoes-aplicados-na-investigacao-a-tratamentos-e-novos-remedios-5677204.html

Dia Mundial da Saúde 2017 – Vamos falar sobre Depressão

O Dia Mundial da Saúde é celebrado anualmente a 7 de abril, data que assinala a primeira assembleia geral da OMS, em 1948.

O texto que se apresenta decorre dos textos da OMS, pois não há ainda referência à efeméride no site da DGS.

A OMS apresentou o tema do Dia Mundial da Saúde de 2017  – a depressão, com o lema “Let’s talk” (vamos conversar), visando a iniciativa ajudar a prevenir e a tratar a depressão. O Dia Mundial da Saúde é uma oportunidade única de alertar a sociedade civil para temas-chave na área da saúde que afetam a humanidade e para desenvolver atividades com vista à promoção do bem estar das populações, assim como de promover hábitos de vida saudáveis.

A depressão afeta pessoas de todas as idades e condições sociais e de todos os países. A doença traz grande sofrimento mental e afeta a capacidade das pessoas para realizar até mesmo as mais simples tarefas diárias. A depressão pode levar ao suicídio, que atualmente é a segunda principal causa de morte entre pessoas de 15 a 29 anos de idade.

No entanto, a depressão pode ser prevenida e tratada. Uma melhor compreensão do que a depressão é e como atua ajuda reduzir o estigma associado à doença, além de levar a um aumento no número de pessoas que buscam tratamento, o que é efetivamente o objetivo geral da campanha, lançada em 10 de outubro de 2016 (Dia Mundial da Saúde Mental).

A OMS, no entanto, destaca ainda alguns outros objetivos específicos da iniciativa:

  • que o público em geral fique mais bem informados sobre a depressão, suas causas e as suas possíveis consequências, incluindo suicídio, e sobre a ajuda que está disponível para a prevenção e tratamento da doença;
  • que as pessoas com depressão não tratada comecem a procurar ajuda; e
  • que a família, amigos e colegas de pessoas com depressão possam apoiá-los.

A depressão é uma doença caracterizada pela tristeza persistente e perda de interesse em atividades que normalmente se desfrutam, bem como a incapacidade de realizar atividades diárias durante pelo menos duas semanas. Além disso, as pessoas com depressão têm geralmente vários dos seguintes sintomas: perda de energia; mudanças de apetite; necessidade de dormir mais ou menos do que o habitual; ansiedade; diminuição da concentração; indecisão; inquietação; sentimentos de inutilidade, culpa ou desesperança; e pensamentos de auto-agressão ou suicídio.

O foco da campanha é a importância de se falar sobre a depressão como um componente vital de cura. O estigma da doença mental, incluindo a depressão, continua a ser um obstáculo para as pessoas pedirem ajuda. Falar de depressão com um membro da família, amigo ou profissional de saúde, seja em contextos mais amplos (como a escola, local de trabalho e ambientes sociais) ou na esfera pública (comunicação social, blogs ou redes sociais) ajuda a reduzir o estigma e a aumentar o número de pessoas que procuram tratamento.

O slogan da campanha é: ‘Vamos falar sobre depressão’ e a campanha é destinada a todas as pessoas, independentemente da idade, sexo ou condição social. No entanto, a OMS chama atenção para três grupos especialmente afetados pela doença: jovens com idades entre 15 a 24 anos, mulheres em idade fértil (especialmente após o nascimento de uma criança) e idosos.

Site oficial da campanha

Campaign essentials

“We have developed a set of posters Depression: Let’s talk for use in campaign activities and beyond. Each poster depicts a conversation between two people about depression: a mother and daughter; a mother with her young baby and a health-care worker; a student and teacher; and an older women with a younger woman.”

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Tackling Wasteful Spending on Health, OCDE, 2017

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A OCDE publicou um estudo sobre desperdício na despesa da saúde nos países membros (Tackling Wasteful Spending on Health). Um relatório extenso (mais de 300 paginas), com sumário de 12 páginas.

São apontadas sete áreas com excesso de despesa e com eventual prejuízo na saúde das pessoas, grupos e populações. Os números para a OCDE nas áreas reportadas são:

  • 10% de intervenções desnecessárias e infecção adquirida nos serviços de saúde;
  • 10% da despesa hospitalar é afecta a correcção de erros ou infecções adquiridas em serviços de saúde;
  • 33% das crianças nascem por cesariana, sendo o número possível de 15%;
  • a variação da penetração de consumo de genéricos é entre 10 a 80% do total dos fármacos;
  • 20% das urgências em Portugal são inapropriadas;
  • as perdas por erros e fraude são em média de 6% da despesa dos serviços de saúde.

Na análise realizada Portugal apresenta melhores indicadores em admissão ao hospital relacionada com problemas de diabetes e no financiamento do sistema de saúde. No entanto, não estamos bem nas infeções adquiridas nos serviços de saúde e na utilização dos serviços de urgência.

Health care systems in OECD countries continue to improve health and increase life expectancy. Yet the financial cost is high, and countries struggle to meet the demands for more spending. New treatments are often expensive, and ageing populations have ever greater needs. A significant share of health spending in OECD countries is at best ineffective and at worst, wasteful.
Wasteful health care spending is common

  • Overall, evidence suggests that up to one-fifth of health spending could be channelled towards better use. Numbers show that:
    • Many patients are unnecessarily harmed at the point of care or receive unnecessary or low-value care that makes no difference
    to their health outcomes.
  • • The same benefits could often be provided using fewer resources. For instance some health systems are poor at using generic drugs; others provide care in expensive places such as hospitals, rather than in more cost-effective settings.
    • A number of administrative processes add no value, and money is lost to fraud and corruption.

With over 9% of GDP spent on health care systems across the OECD, three-quarters of which is paid for by governments, such waste undermines the financial sustainability of our health systems.

Substantial cuts in ineffective spending are necessary
Acknowledging the existence of ineffective spending and waste is never easy – be it for health workers, managers, patients, and even for decision makers. But opportunities exist to release resources within health care systems to deliver better value care.
Cutting ineffective spending and waste will produce significant savings. For policy makers struggling to cope with ever-growing health care expenditure, all opportunities to move towards a more value-based health care system must be pursued.

Wasteful spending can be tackled
Actions to tackle wasteful spending are needed in the delivery of care, the management and organisation of health services, and in the
governance of health care systems. Strategies to curb wasteful spending must reflect two principles:
• Stop spending on things that do not improve health – for example, unnecessary surgeries and clinical procedures.
• Swap inputs and change approaches when less pricy alternatives of equal value exist – for example, by encouraging the use of generic drugs, developing advanced roles for nurses for chronic patient management, or ensuring that patients who do not require hospital care are treated in less resource consuming settings such as primary care.

Five ways to tackle wasteful care
1. Robust information systems are required to identify low-value care. At least ten countries produce atlases to identify variations in health
care activities that may not be medically justified.
2. Reporting systems of adverse events need to be more transparent and oriented towards learning. New Zealand stands out: in addition
to hospitals, ambulance services, hospices, elderly residential care organisations, and other non-hospital providers have such systems.
3. Information and behaviour change campaigns that target both clinicians and patients have a key role to play. The Choosing Wisely® campaign is a clinician-led initiative aiming to reduce low-value care by encouraging patient-provider conversations about whether specific services truly add value. It is now active in at least a third of OECD countries.
4. Clinical guidelines can improve the process and outcomes of care, reduce the use of unnecessary interventions and save costs. In the United States, an evidence-based programme for patients with non-small cell lung cancer found outpatient costs were reduced by 35%.
5. Financial incentives and nudges create behaviour change. In the Australian state of Queensland, health authorities withhold payments to hospitals for six “never events”. Nineteen OECD countries use Health Technology Assessment to help determine the value of some new treatment options.

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Euro Health Consumer Index 2016

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Um relatório relativamente sintético (100 páginas), em que cada país tem uns comentários, sob cada item análise (direitos e informação dos doentes; acessibilidade – tempos de espera para tratamentos; resultados; diversidade e abrangência dos serviços prestados; prevenção e produtos farmacêuticos).

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(rank geral)

“Portugal atingiu 76% do total de pontos possíveis do Euro Health Consumer Index, em 2016, no quadro do ranking internacional que avalia os sistemas de saúde do ponto de vista do consumidor. Agora, passou a ocupar o 14º lugar de entre 35 países, tendo subido seis posições desde a última avaliação, surgindo à frente do Reino Unido (15º) e de Espanha (18º).

A melhoria no que respeita à acessibilidade permitiu subir seis pontos na avaliação internacional face ao ano anterior, em que Portugal surgia no 20º lugar.  Em 2016, as áreas onde o sistema de saúde português é mais valorizado foram a dos Direitos dos doentes e informação, resultados e prevenção.

Pela primeira vez é apresentada também uma ordenação do custo-efetividade nos cuidados de saúde, com Portugal na 10ª posição na relação entre os gastos em saúde e os resultados. A Holanda, país que ocupa o 1º lugar no índice geral, ficou em 11.º lugar na ordenação do custo-efetividade.

Organizado pela Health Consumer Powerhouse, organização privada de origem sueca, este índice avalia anualmente os sistemas de saúde em seis áreas distintas: direitos e informação dos doentes; acessibilidade – tempos de espera para tratamentos; resultados; diversidade e abrangência dos serviços prestados; prevenção e produtos farmacêuticos.” (fonte: DGS)

Relatório completo

Apresentação de lançamento

acessibility

“Guidance for managing ethical issues in infectious disease outbreaks” [OMS, 2016]

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World Health Organization 2016
Forewords:
“Infectious disease outbreaks are periods of great uncertainty. Events unfold, resources and capacities that are often limited are stretched yet further, and decisions for a public health response must be made quickly, even though the evidence for decision-making may be scant. In such a situation, public health officials, policy-makers, funders, researchers, field epidemiologists, first responders, national ethics boards, health-care workers, and public health practitioners need a moral compass to guide them in their decision-making. Bioethics puts people at the heart of the problem, emphasizes the principles that should guide health systems, and provides the moral rationale for making choices, particularly in a crisis.”
Introduction:
“This guidance grew out of concern at the World Health Organization (WHO) about ethical issues raised by the Ebola outbreak in West Africa in 2014–2016. The WHO Global Health Ethics Unit’s response to Ebola began in August 2014, immediately after it was declared a “public health emergency of international concern” pursuant to the International Health Regulations (2005). That declaration led to the formation of an Ethics Panel, and later an Ethics Working Group, which was charged with developing ethics guidance on issues and concerns as they arose in the course of the epidemic. It became increasingly apparent that the ethical issues raised by Ebola mirrored concerns that had arisen in other global infectious disease outbreaks, including severe acute respiratory syndrome (SARS), pandemic influenza, and multidrug-resistant tuberculosis. However, while WHO has issued ethical guidance on some of these outbreaks, prior guidance has only focused on the specific pathogen in isolation. The purpose of this document is to look beyond issues specific to particular epidemic pathogens and instead focus on the cross-cutting ethical

issues that apply to infectious disease outbreaks generally. In addition to setting forth general principles, it examines how these principles can be adapted to different epidemiological and social circumstances.”
Relevant ethical principles
Ethics involves judgements about “the way we ought to live our lives, including our actions, intentions, and our habitual behaviour.” The process of ethical analysis involves identifying relevant principles, applying them to a particular situation, and making judgements about how to weigh competing principles when it is not possible to satisfy them all. This guidance document draws on a variety of ethical principles, which are grouped below into seven general categories. These categories are presented merely for the convenience of the reader; other ways of grouping them are equally legitimate.”
Justice
Beneficence
 Utility

Respect for persons
 Liberty
Reciprocity
Solidarity

Table of Contents

Guidelines
1. Obligations of governments and the international community

2. Involving the local community

3. Situations of particular vulnerability
4. Allocating scarce resources

5. Public health surveillance

6. Restrictions on freedom of movement

7. Obligations related to medical interventions for the diagnosis, treatment, and prevention of infectious disease

8. Research during infectious disease outbreaks

9. Emergency use of unproven interventions outside of research

10. Rapid data sharing
11. Long-term storage of biological specimens collected during infectious disease outbreaks

12. Addressing sex- and gender-based differences

13. Frontline response workers’ rights and obligations

14. Ethical issues in deploying foreign humanitarian aid workers

OPSS – Relatório da Primavera 2016

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Relatório da Primavera, 2016

Saúde: Procuram-se novos caminhos 

Desde 2009, nomeadamente como início da última “Grande Recessão”, que o debate na área da saúde se focou no impacto da crise económica na saúde e nos cuidados de saúde. O debate levantou grandes controvérsias no mundo cientíico e na área política, acompanhado de uma grande cobertura pelos meios de comunicação social. Um dos focos da discussão foram as consequências das políticas de austeridade adoptadas na maioria dos países europeus, aplicadas com o objetivo de controlar a explosão do endividamento público, e que consistiram essencialmente em fortes cortes nos orçamentos sociais e da saúde. A discussão centrou-se ainda na sustentabilidade dos sistemas de saúde.

Portugal não foi exceção: o debate foi focado nos efeitos das políticas públicas na saúde. Dentro e fora do sector da saúde, várias conjeturas foram apontadas. Algumas salientaram a capacidade de resiliência do Serviço Nacional de Saúde (SNS),que teria conseguido manter a mesma qualidade dos serviços. Outras apontaram para crescentes barreiras no acesso aos cuidados (em particular os medicamentos e os transportes de utentes), a deterioração da qualidade do SNS (principalmente explicada pela saída de profissionais para o sector privado, para a reforma ou para o estrangeiro), e a consequente fragmentação resultando num sistema de saúde “a duas velocidades” (com o sector privado a desenvolver-se consideravelmente no auge da crise).

Dado que a evidência relativamente ao impacto da austeridade ainda não é conclusiva e porque a crise económica e da dívida pública não acabou, não se pode dar ainda este debate por terminado. Pelo contrário, continua a ser essencial medir o impacto da (s) crise (s) económica(s) na saúde. Desta forma, no presente poder-se-ão delinear políticas mais eficazes, que protejam as populações mais vulneráveis, e que contribuam para uma maior sustentabilidade, e ainda retirar lições para o futuro. Assim, e apesa rdo tema “impacto da crise na saúde” não ser o principal foco deste relatório, consideramos que, pela importância (não esgotada) do tema, era importante incluir um olhar sobre o que foram os últimos quatro anos no sector da saúde em Portugal. Por isso, o nosso segundo capítulo consiste numa breve revisão dos últimos seis relatórios, publicados de 2010 a 2015.

Apesar da importância do tema da sustentabilidade do SNS – e do Estado –, nota-se no entanto no momento atual uma perda de fôlego neste debate. As razões são diversas, podendo estar associadas ao fim da missão da Troika e ao programa de políticas que lhe era inerente, ao aparente afastamento da ameaça saída do euro, à mudança de maioria governamental, a algum desgaste em relação ao tema, ou talvez ainda, à mudança do foco mediático. De resto, a crise agudizou desafios que já existiam, e que vieram para ficar, provavelmente para as próximas décadas. O desafio mais visível, mais debatido, e, aparentemente, mais urgente é o da sustentabilidade do SNS, regularmente sob a ameaça de extinção. A questão da sustentabilidade é no entanto apenas a face visível dos outros dois grandes desafios: a distribuição injusta dos níveis de saúde e a qualidade dos serviços. Estes serão os dois grandes temas do nosso relatório, e que servirão de quadro conceptual para os novos caminhos que precisamos de encontrar.

Em primeiro lugar, para contribuir para uma sustentabilidade do SNS a longo prazo defendemos que deveriam ser assegurados melhores níveis de saúde. Em particular, daqueles que estão mais fragilizados, quer pela sua situação socioeconómica,como os mais pobres ou com menos educação, quer pelo risco em que se encontram, como recém-nascidos, idosos, mulheres e pessoas socialmente excluídas ou marginalizadas. Melhorar a saúde, e reduzir as injustiças na saúde, é um desafio que ultrapassa os períodos de crise. As desigualdades em saúde são superiores em Portugal, ou seja, a saúde é muito mais marcada socialmente do que nos países vizinhos.

Como podemos esperar um sistemade saúde (e uma segurança social) sustentáveis com uma população que adoece cedo na vida, em particular se tem rendimentos baixos? O terceiro capítulo deste relatório foca-se nas desigualdades em saúde em Portugal. Apresentamosum ponto da situação, com uma análise de várias bases de dados e damos algumas pistas de atuação, procurando novos caminhos para reduzir as injustiças na saúde. Em segundo lugar, acreditamos que a sustentabilidade do SNS será assegurada através da melhoria da sua qualidade. A qualidade significa prevenção, seguimento, tratamento atempado, eficiente e eficaz, baseado na evidência, o que permite reduzir custos a longo prazo. Neste sentido, o quarto capítulo é dedicado à saúde mental, muitas vezes esquecida na ordem de prioridades, mas que afeta um quinto da população portuguesa e que representa a maior carga da doença em termos de anos de vida saudáveis perdidos. Nesta área, o maior desaio que se coloca é o acesso ao tratamento de qualidade. Maior acesso exige mais recursos,mas também, e sobretudo, novos modelos organizacionais. Modelos estes que devem ser mais centrados na comunidade, nos cuidados de saúde primários e nos cuidados continuados. Como melhorar o acesso e a qualidade em saúde mental? Ao focar esta área, à qual deve ser dada mais atenção, procurámos evidenciar as novas perspetivas emergentes, que visam dar resposta à enorme complexidade da saúde mental e que anda há demasiado tempo à procura de caminhos.

O quinto capítulo aborda também a qualidade mas focando-se no processo de decisão, numa área crucial que é a segurança do doente. Portugal confronta-se com a maior prevalência ao nível europeu de infeções associadas aos cuidados de saúde, que implicam graves consequências de saúde e financeiras. Destacámos neste capítulo a necessidade de envolver as associações de doentes nas políticas e programas para a segurança do doente, o que representa claramente um novo percurso em Portugal no processo de decisão, mas que se confronta com várias barreiras, quer do lado da tutela, quer do lado das associações de doentes.A participação dos doentes tem claramente que consubstanciar–se também como um novo caminhoa percorrer.

O sexto capítulo deste relatório, sobre medicamentos, foca em grande parte a problemática do VIH. Esta é uma doença que afeta uma proporção elevada da população, particularmente em comparação com os outros países europeus, e representa um quarto das despesas com medicamentos hospitalares.Para reduzir a taxa de transmissão, melhorar a qualidade de vida e evitar tratamentos mais agressivos e caros, as pessoas infetadas devem ser diagnosticadas e tratadas atempadamente e manter-se em tratamento. Como garantir a qualidadedeste seguimento, desde o rastreio ao tratamento? Como garantir a adesão à terapêutica? Neste capítulo tentamos ainda identiicar novos rumos.