Palavra do Ano 2016 – Post-truth, isto é, pós-verdade

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A palavra do Ano 2016, de acordo com Oxford Dicitionnaires foi Pos-truth.

Oxford Dictionaries Word of the Year 2016 is post-truth – an adjective defined as ‘relating to or denoting circumstances in which objective facts are less influential in shaping public opinion than appeals to emotion and personal belief’. The compound word post-truth exemplifies an expansion in the meaning of the prefix post- that has become increasingly prominent in recent years. Rather than simply referring to the time after a specified situation or event – as in post-war or post-match – the prefix  in post-truth has a meaning more like ‘belonging to a time in which the specified concept has become unimportant or irrelevant’. This nuance seems to have originated in the mid-20th century, in formations such as post-national (1945) and post-racial (1971). Post-truth seems to have been first used in this meaning in a 1992 essay by the late Serbian-American playwright Steve Tesich in The Nation magazine. Reflecting on the Iran-Contra scandal and the Persian Gulf War, Tesich lamented that ‘we, as a free people, have freely decided that we want to live in some post-truth world’. There is evidence of the phrase ‘post-truth’ being used before Tesich’s article, but apparently with the transparent meaning ‘after the truth was known’, and not with the new implication that truth itself has become irrelevant. A book, The Post-truth Era, by Ralph Keyes appeared in 2004, and in 2005 American comedian Stephen Colbert popularized an informal word relating to the same concept: truthiness, defined by Oxford Dictionaries as ‘the quality of seeming or being felt to be true, even if not necessarily true’. Post-truth extends that notion from an isolated quality of particular assertions to a general characteristic of our age.

Post-truth politics (also called post-factual politics) is a political culture in which debate is framed largely by appeals to emotion disconnected from the details of policy, and by the repeated assertion of talking points to which factual rebuttals are ignored.

Pós-verdade, então.

“Para os editores dos dicionários Oxford, que desde 2004 escolhem a palavra que melhor reflete, sinteticamente, determinadas tendências ou acontecimentos que marcam o ano, “pós-verdade” é um adjetivo que se utiliza quando se pretende classificar ou sublinhar que, em determinadas circunstâncias, os factos objetivos – a verdade – têm menos influência na formação de opinião pública do que os apelos emocionais e as opiniões pessoais – que podem ser mentiras. Os editores referem que o sucesso da palavra – a sua utilização aumentou 2000% desde o ano passado – está diretamente relacionada com o Brexit e eleição de Trump. Mas estes dois acontecimentos, onde a linha que separa verdades e mentiras não foi bem desenhada, não são uma coisa nova. Há décadas que as mentiras fazem parte do discurso político oficial. O que havia era menos gente a dar por isso.” fonte aqui

Já não é, apenas, «com papas e bolos se enganam os tolos», do nosso adágio. A‘pós- -verdade’ ocorre quando há ‘circunstâncias nas quais os factos objectivos são menos influentes na formação da opinião pública do que apelos a emoções e convicções pessoais’. Isto é, quando o apelo a emoções e gostos influencia mais que os factos.
O surgimento da palavra pós-verdade na linguagem foi “alimentada pela ascensão das redes sociais como fonte de informação e a crescente desconfiança face aos factos apresentados pelo poder estabelecido”, referiram os editores que explicaram que o prefixo “pós” não é utilizado exclusivamente para referir uma situação ou um acontecimento específico posterior, como pós-guerra, mas também para salientar a rejeição ou irrelevância de um conceito.
Não (me) parece que se trate de mentira; é mais a irrelevância dos factos. E assim sendo, tem sido intemporal na política 🙂
“O Príncipe de Maquiavel — o governante do Renascimento —, já vivia numa era de pós-verdade. No capítulo XVIII do livro, “De que modo os príncipes devem cumprir a sua palavra”, há uma frase que capta de forma particularmente cínica a essência da questão: “quem engana achará sempre quem se deixe enganar.” Como Maquiavel faz notar, aquele que aspira ao poder, ou à sua conservação, deverá ser um “grande simulador e dissimulador.” O essencial é que a acção política seja percebida pelo vulgo, ou seja pela população em geral, como um sucesso. Se for assim, os meios empregues serão sempre justificados: “o vulgo deixa-se sempre levar pela aparência e o sucesso das coisas; e no mundo não há senão vulgo e os poucos só têm lugar quando os muitos não têm em que apoiar-se.” Hoje, a sociedade em rede mimetiza o que há de melhor — e de pior — no ser humano. Trouxe novos meios para lógicas humanas e políticas antigas: a arte de simular e dissimular com objectivos políticos, que pode ser apoiada na propagação de rumores / boatos. Para os que idealizam a Internet e a sociedade em rede foi um choque de realidade: uma nova era de transparência na política, um espaço de liberdade e de causas com elevado valor moral, estava a emergir. Afinal, o que surgiu foi uma era de pós-verdade.” in Pós-verdade na política e na guerra
Eventualmente, qualquer um de nós já se inclinou a considerar “verdadeiros” alguns factos que não passavam de versões parciais e interpretações dos acontecimentos. Faz muita diferença é se os ingeriu, sem questionamento, e os difundiu como verdadeiros ou se, por via de regra, deliberou procurar fundamentos pois os factos podem ser verificados. Uma política que recorre à pós-verdade  visa tornar a opinião pública mais vulnerável em vez de fortalecer a cidadania. Ou, de outro modo, quando os «fabricantes de imagens» (hoje, a comunicação social, as redes sociais…) saem à luz do dia, e reclamam da pós-verdade, apenas porque perdem passo na narrativa…
A propaganda, o marketing, a difusão sensacionalista de «factos» tornam-se aliados da ignorância e da pouca preparação para pensar por si.
Fico com Hannah Arendt e a ideia que as imagens têm uma esperança de vida relativamente curta; acontece-lhes explodir não apenas quando se partem em pedaços e a realidade faz a sua reaparição pública, mas mesmo antes disso, porque fragmentos de factos perturbam constantemente e arruinam a guerra de propaganda entre imagens adversas. No entanto, essa não é a única maneira, nem sequer a maneira mais significativa com que a realidade se vinga dos que ousam desafiá-la.! (In Verdade e Política)
(imagem d’aqui)

Férias, de feriae

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De uma perspetiva ou de outra, tempo de férias, vivido em ambientes descontraídos, retempera a alma.  A ausência de agenda, de relógio, de tarefas programadas, abre um amplo espaço para demorar-se, encolher a passada, estender o olhar. Intervalo no trabalho para recuperar energias (e voltar a trabalhar). Momentos de fruir a existência,  de ter tempo para… Tempo para os amigos e conversas recreadoras, tempo para viajar, tempo para alegrias simples, tempo para ler. Tempo para “o fascinante esplendor do inútil”, na expressão de George Steiner.

Férias, do latiam feriae, dias libertos de negócios e trabalhos, dias festivos, dias de descanso. De ter tempo para o vagar.

Palavras: “Família”

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“ A família é representada em formulações conceptuais abstractas ou mais concretamente, em referência a uma unidade em particular. Pode ser imaginada como um conjunto ou como parte de um grupo de pessoas que estão associadas por  força de relações sanguíneas, legais, consensuais ou ambientais. “

KAPLAN, Compêndio de Psiquiatria Dinâmica, p. 676

 

 

 

Elucidário

Lido o artigo,As 10 expressões mais curiosas utilizadas pelos portuguesesem que os autores pretendemexplicar algumas das mais estranhas expressões usadas pelos portugueses e o seu significado real”, tome-se por interessante perceber as raízes das expressões e saber que desde o século XIX que há recolhas como a de Joaquim de Santa Rosa de Viterbo,  1744-1822,
Elucidário das palavras, termos e frases que em Portugal antigamente se usaram e que hoje regularmente se ignoram : obra indispensável para entender sem erro os documentos mais raros e preciosos que entre nós se conservam / Publicado em Beneficio da Litheratura Portugueza Por Fr. Joaquim de Santa Rosa Viterbo. …. – 2ª ed. revista, correcta e copiosamente addicionada de novos vocábulos, observações e notas críticas com um índice remissivo. – Lisboa : A. J. Fernandes Lopes 1865. – 1 v. ; 28 cm

Dois tomos disponíveis em pdf, a partir do catálogo da BNL

elucidario

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expressoes idiomaticas

 

 

“temos pena”

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Dei conta que, recentemente, usei várias vezes a expressão “temos pena”. Especialmente, quando se vislumbrou discordância ou reclamação, face a uma constatação de facto, com caracter definido.

Verdade que a expressão se vulgarizou há uns anos (e nem a apreciava, diga-se de passagem) e tem sido aplicada nos casos em que nada há a fazer, nas situações irremediáveis e que importa suportar. “Temos pena” como nada a fazer, há que aceitar.

Mas também é usada como falsa lamentação, quando qualquer coisa se torna inevitável ou determinado acto conduziria ao fim esperado. “Temos pena”.  Este uso, o da irónica lamentação, parece ser o que utilizo. Resposta que a nada responde, explicitando que não agirei de modo diferente.

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