“Enfermeiros: Uma voz de Liderança. Alcançar os Objectivos de Desenvolvimento Sustentável”

O 12 de Maio é assinalado em memória do nascimento de Florence Nightingale, considerada a fundadora da enfermagem moderna – comemorá-lo significa reviver, de forma coletiva, a memória de alguém cujo nascimento possibilitou uma série de acontecimentos e transformações.

Foi Florence Nightingale a primeira a definir uma filosofia de enfermagem, a operacionalizar um modelo de prestação de cuidados, a fundar uma escola com um ensino autónomo, a instalar processos científicos na prestação de cuidados e na gestão.

Como outros Dias que se comemoram, o Dia Internacional do Enfermeiro tem a dupla finalidade de lembrar o que aconteceu e de alertar para o presente e o futuro, ao mesmo tempo. Por isso, todos os anos, o Conselho Internacional de Enfermeiros (ICN) determina celebrar a data com uma temática anual específica.

Na última década, o ICN deu enfoque a “Dotações seguras salvam vidas” (2006), aos “Ambientes favoráveis à prática” (2007), seguindo-se uma sequência temática de “Servir a comunidade e garantir qualidade”: com “os enfermeiros na vanguarda dos cuidados de saúde primários” (2008), “os enfermeiros na vanguarda da inovação nos cuidados” (2009) e “os enfermeiros na vanguarda dos cuidados na doença crónica” (2010).

Em 2011, foi assumido o desafio de “Combater a desigualdade: melhorar o acesso e a equidade”, seguindo-se “Combater as desigualdades: da evidência à ação” (2012) e «Combater a desigualdade: Objetivos de Desenvolvimento do Milénio» (2013). No ano seguinte, o lema foi “Enfermeiros: Uma Força para Mudar. Um Recurso Vital para a Saúde”(2014),  seguindo-se «Enfermeiros: Uma Força para a Mudança» (2015) e «Enfermeiros: uma força para a mudança – para um Sistema de Saúde mais resiliente» (2016).

Este ano, o lema do ICN é “Enfermeiros: Uma voz de Liderança. Alcançar os Objectivos de Desenvolvimento Sustentável“, estando em foco áreas da saúde em que a intervenção do enfermeiro é essencial e protectora dos cidadãos.

Lembremos que os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável foram adoptados pelas Nações Unidas em 2014 e são 17 objetivos que abrangem uma vasta gama de temas sobre o desenvolvimento sustentável mundial, desde erradicar a pobreza e a fome; melhorar a saúde e a educação; combater as alterações climáticas; etc. Os 191 Estados-Membros concordaram em atingir estes novos objetivos até 2030.

A área da saúde tem um lugar central no ODS 3: assegurar uma vida saudável e promover o bem-estar em todas as idades. A Enfermagem tem claramente um papel importante a desempenhar em relação este objetivo, mas em bom rigor o o trabalho dos enfermeiros também tem grande impacto na realização dos outros ODS, tais como no que se refere à educação e pobreza que são referidos frequentemente como os determinantes sociais da saúde, ou seja, as condições em que as pessoas nascem, crescem, trabalham, vivem e que têm impacto nas suas condições de saúde e de vida diária.

Kit do ICN para o Dia Internacional do Enfermeiro (em português)

“O enfermeiro na sala de gessos”

 

Os enfermeiros João Gomes e José Fortunato, do Centro Hospitalar de Setúbal – Hospital Ortopédico Sant’lago do Outão, escreveram o livro “O Enfermeiro na Sala de Gessos – manual de normas sobre imobilizações em ortopedia e traumatologia”, onde partilham conhecimentos e técnicas da sala de gessos.

“Este livro é o resultado de 30 anos de exercício profissional em Sala de Gessos, no Hospital Ortopédico Sant’Iago do Outão. Durante estes anos, houve várias tentativas de organizar um manual relativo às principais técnicas que se executam em sala de gessos. Finalmente, conseguimos cumprir esse objetivo”, afirmou o enfermeiro João Gomes.

Da minha ligação ao assunto, além de ter tido o privilégio de escrever o Prefácio, considero que este livro representa um feliz encontro entre os profissionais com elevada expertise na área, a indústria que suportou a publicação, a formação e o ensino que usarão o «produto final», num ciclo que, futuramente, pode incluir revisões e ampliações.  A apresentação do livro decorreu no Hospital do Outão, no passado dia 3 de março, com a sala cheia e um ambiente caloroso, de reconhecimento mútuo, ligado à história do próprio hospital e dos enfermeiros.

Segundo sei, o manual (500 exemplares na 1ª edição) será enviado para todos os serviços de Ortopedia e todas as Escolas de Enfermageme  Saúde. Bem haja aos autores.

E agora, que os números gritam??

Dívida do Estado por região: números atingem 553.274 horas

Enquanto Ministério da Saúde e Governo se preocupam em encontrar soluções para outros grupos profissionais e para pagarem aos fornecedores mantêm um silêncio ensurdecedor relativamente à dívida aos enfermeiros e ao que isso representa. A atualização dos dados aumenta para 553.274 as horas em dívida.

As sistemáticas denúncias de exaustão dos enfermeiros devido à sobrecarga de trabalho não podem agora ser desmentidas. O SEP fez o levantamento por instituição das horas em dívida que agora torna público. Faltam ainda algumas instituições, em algumas delas por dificuldade de acesso às escalas ou por não conterem os saldos finais ou ainda por intransigência das administrações em fornecer esses dados, mas fica claro que são os enfermeiros que têm sustentado o funcionamento do Serviço Nacional de Saúde

(fonte SEP)

Faltam algumas Unidades Locais de Saúde, ACES e Unidades da RNCCI.

553, 274 horas correspondem a 5.532,740 euros em dívida por trabalho já efetuado e a 3.952 enfermeiros que deveriam estar, diariamente, em funções permanentes nos serviços.

Se fizer contas, para que o valor dos 553,274 seja mais percetível, divido por 144h (equivalente a um horário/escala de 4 semanas) e obtenho 3842 escalas mensais. O que, divindindo por 12, tem como resultado 321 anos.

Ou seja, considerando o global de horas em dívida, os enfermeiros realizaram além do seu horário, mais 321 anos de trabalho.

Impressionante, para dizer o mínimo… E agora, os números não falam, gritam, sobre eles também gostaria de ouvir o Ministério e os Cidadãos….

Sugestão de visita

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Sugestão de visita à exposição “135 Anos de Ensino de Enfermagem em Coimbra”, da Escola Superior de Enfermagem de Coimbra, com curadoria CulturAge. No Convento São Francisco em Coimbra, de 22 de Outubro a 20 de Novembro das 15 às 20h.

Mestrado em Enfermagem

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Estão abertas as candidaturas ao Mestrado em Enfermagem, promovido pela AESES, Associação de Escolas Superiores  de Enfermagem e Saúde da Universidade de Évora, Institutos Politécnicos de Beja, Castelo Branco, Portalegre e Setúbal. É um curso acreditado pela A3ES, com 7 ramos, correspondendo às especialidades de Enfermagem.

folheto mestrado em enfermagem

“Os limites do agir ético no dia-a-dia do enfermeiro”

capa servir jun2016

Artigo «Os limites do agir ético no dia-a-dia do enfermeiro».

Resumo

Abordamos o tema em cinco etapas.

Na primeira, Questionamento em torno dos limites aborda o campo semântico, algumas perspetivas teóricas e é sintetizável como a identificação do que caracteriza os limites e o o questionamento sobre os limites com alguns autores.

Na segunda, Da tripla fórmula do plano ético aos limites partimos da formulação de Ricoeur para alicerçar as perspetivas ética, ontológica e existencial dos limites humanos.

Na terceira, Ética de Enfermagem foca-se na fundamentação da dimensão ética da práxis, com centro na dignidade da pessoa, a sua autonomia, o seu contexto situado e associando responsabilidade e respeito pelo Outro, compromisso de cuidado e processo transpessoal e intersubjectivo da acção do enfermeiro.

Na quarta, Limites do agir ético, enunciamos um conjunto de elementos, a partir do sentido (ou finalidade) da autoregulação e dos contornos da ação profissional, incluindo a expressão de vontade da pessoa cuidada, o quadro normativo de expressão deontológica, as leges artis, as regras da arte e do cuidado humano, na transição para a responsabilidade profissional e reconhecendo a relação com a cidadania e direitos humanos.

Na quinta, A consciência e a gestão dos limites no agir profissional consideramos os territórios da ação,  com diversas geografias e geometrias variáveis, com enfoque nas escolhas difíceis e recusas, limites provenientes dos intervenientes e dos contextos, conferindo espaço à solicitude a aos dilemas, a uma “moral da medida”, à reflexão sobre a gestão dos depois (as questões da falibilidade e da falta, sentimento de culpabilidade, do arrependimento e do remorso, assim como da satisfação e da alegria, da estima de Si).

No global, procuramos os limites do agir ético no dia-a-dia do enfermeiro,  com o sentido de agregação das dimensões ética, deontológica, práxica do exercício profissional. Que, pela própria natureza da profissão, estreita laços com questões antropológicas e existenciais.

Palavras Chave: Limites, Ética de Enfermagem, Ação do Enfermeiro

Limites agir enfermeiro_ Rev Servir_2016