o tempo do “Conversamos?!…”

Quanto tempo tem o Blog? e eis que tive de fazer contas…

Começámos por aqui a 1 de janeiro de 2005. Vínha de outro sítio, por isso o primeiro post chamou-se, apenas, «mudar de formato». Assinalámos em 2006, com caminhos de um ano.  E dois. E somaram três anos… E como o tempo é regular, foi-se somando um ano de cada vez, em  sucessivos pós-reveillons – somam-se quatro…. e somam sete…,… e somam nove… e somam doze… Ultrapassaram-se etapas de «anorexia blogoesférica» e de competição com outros lazeres ou afazeres. E houve tópicos que sempre estiveram presentes, mesmo que outros tenham tido vida mais curta.

Os três clássicos são, claramente – a citação, citando, citação do dia, pensamento do dia ou excerto do dia, iniciada em janeiro de 2005 e que atravessou estes catorze anos e quase meio; as Materializações de bibliofilia (que começaram em #1, a 9 de dezembro de 2009) e vão em #572 a caminho de contar oito anos e meio; [Lendo] começou em julho de 2012, com uma fotografia trazida de Las Palmas, e prossegue [429] até hoje.

Alguns episódicos dependem de focos no momento (selos, faróis, séries, wathever, pins de Enfermagem). Outros são pontuais mas longitudinalmente presentes (Arte, Enfermagem, Ensino Superior, Estudos e recursos, Saúde, Saúde Mental, Sociedade, Terras e sítios). E outros decorrem de deliberações no tempo – de que é exemplo o provérbio do dia, que se tornou mesmo diário em julho de 2017, com promessa de durar 365/posts/dias. De ves em quando, olho para as rubricas do blog; 

E em boa verdade o blog foi ficando, como uma espécie de poiso de conversa, de anotações, de colectânea, … algo entre moleskine, notas de rodapé e diálogos registados. Percorrendo os anos, reencontro leituras, preocupações, lugares visitados, assuntos que ocuparam e entretiveram. Imagem do tempo em que nem havia redes sociais, nem Face, Tweet, Insta ou outros. Do tempo em que os blogs eram efémeros.

Em 2008, alguém perguntou «se hoje começasses o blog chamavas-lhe Conversamos?!...». Dez anos depois, a resposta continua a ser sim 🙂

[imagem:  capas do Blog]

 

Anúncios

“rubricas” do blog – anotações

Um post colocado no blog pode ter categorias e etiquetas (pelo menos, no WordPress).

Naturalmente, um blog que começou em janeiro de 2005 – ou seja este, Conversamos?! – acaba por ter uma trajetória cronológica que reflete interesses, gostos, afiliações, identidades e divergências. E se pode fazer alguma companhia a quem o lê (ena, uma grande presunção), tem-me servido de Moleskine de anotações, de depósito de excertos, de guarda-fotos, de micro-dossiers temáticos (que no wordpress são, realmente, as «categorias»). Não me espantou estarem listadas pelo WordPress 176 categorias :), até porque num post se podem registar várias. Se a periodicidade de uma categoria fosse o que define uma rubrica, seria relativamente simples identificar as «mais», a partir das entradas – Citação,  Bibliofilia, Lendo, Livros e Leituras, Poesia, Conversa, Ensino Superior

Mas não é apenas a frequência ou a longevidade no tempo (que a frequência acaba por materializar) que contam. Houve «assuntos»  (i.e., rubricas) que me interessaram e tiveram uma época – foi  caso dos «pins de enfermagem», de «sê-lo e selo», «ilustrações antigas». Num exercício de análise de conteúdo [até para não perder o treino em férias… 🙂 ], verifiquei que o Conversamos?! tem temáticas em que se inscrevem as categorias. E foi interessante para mim  constatar…

  1. Citação – 1185; também assume o título de excerto do dia.
  2. Artes – 945; a categoria com mais posts é 7ª arte (135), seguindo-se Música e Letras (115) e Esculturas e estátuas (84);
  3. Livros, literatura e bibliofilia – 883; mais posts em Bibliofilia (509), seguindo-se Livros e Leituras (280) e Ilustrações com livros (27);
  4. História, política e sociedade – 853; mais posts em Efemérides (244), seguindo-se Sociedade (185) e Palavras e expressões (77);
  5. Ciências e Investigação – 678; a categoria com mais posts é Estudos e recursos (138), seguindo-se informações (58) e investigação (50);
  6. Conversa – 547;  mais posts em Conversa (220), seguindo-se Blogoesfera (154) e whatever (51);
  7. Filosofia, ética e bioética – 362; a categoria com mais posts é Filosofia (122), seguindo-se Bioética (93) e Ética (64);
  8. Educação, formação e recursos – 288; a categoria com mais posts é Ensino Superior (130), seguindo-se Educação (116);
  9. Fotografia e Ilustrações – 279; mais posts em Foto by LN (135), seguindo-se Galeria de Imagens (72) e Fotofolio (41);
  10. Enfermagem – 243; a categoria com mais posts é Enfermagem (146), seguindo-se Pins de enfermagem (75) e História de Enfermagem (16);
  11. Terras, viagens e lugares – 227; mais posts em Terras e sítios (113), seguindo-se Portugal (56) e Toponímia (19);
  12. Ambiente, Natureza e Elementos naturais – 213; a categoria com mais etiquetas é Flores (132), seguindo-se Mar e praia (40) e Caminhos (35);
  13. Humor e Hobbies – 198; mais posts em Homo Luddens (79), seguindo-se Selos (48) e LEGO Sculptures (16);
  14. Saúde – 176; a categoria com mais posts é Saúde (119), seguindo-se Saúde mental (51);
  15. Elementos arquitectónicos – 150;  mais posts em Janelas (35), seguindo-se Portas (19).

As etiquetas mais usadas foram – sem surpresas! – Hannah Arendt, Friedrich Nietzsche, Goethe, Séneca, Miguel Torga, Bertrand Russel, Tolkien e Shakespeare…

Quanto às rubricas na «rentrée», no pós-férias. Em boa verdade, muitas continuarão (Bibliofilia, Lendo, Citação, claro…). E logo se vê o que vai emergindo.

Um dia desses, um amigo recomendou: “Acho que devia começar uma nova rubrica no blog/face: tipo “livros, a partir deste momento, obrigatórios!” Científicos ou não… aqui fica a sugestão…

“livros, a partir deste momento, obrigatórios!”, percebendo o sentido, seria a expressão «obrigatório» teria logo anticorpos  per se. Mesmo que o significado seja mais do tipo «food for thoughts», alimentar a reflexão e o pensamento. Por isso, e até para distinguir das partilhas de leitura ocasional (como é o caso de «Livros e leituras»), vou pensar numa rubrica com uma seleção de livros imperdíveis… decerto não chegaremos a algo como a lista deste ano da Amazon (100 Books to read in a Lifetime, aqui em português) mas partilharemos com todas as outras «listas» serem escolhas de livros que valem a pena ler.

Conversamos?!

Passeios na blogoesfera: Bibliokept

 

Há blogs em que uma pessoa se detém e fica…. horas a fio, se puder.  É o caso de

Bibliokept

Biblioklept was founded in AD 2006 by Edwin Turner. Reviews, rants, and riffs on books (and things that aren’t books).

Interviews with authors, artists, filmmakers, publishers.

Biblioklept posts short stories, poems, essays, and excerpts from many authors (mostly in the public domain, but sometimes not).

Biblioklept also posts pretty pictures (and pictures that aren’t so pretty, perhaps).

Paintings of readers and books. Film clips, full films, stuff like that.

 

 

 

E somam doze…

Nos idos de 1 de Janeiro de 2005, o Conversamos?!… passou de página do Sapo (onde nasceu em 2001) a Blog, uns anos no Blogspot e daí importado para o WordPress, estando ligado ao Facebook desde dezembro de 2010.

Contas feitas, exatamente 12 anos.

OLYMPUS DIGITAL CAMERA

À época, a vida média dos blogues era considerada baixa – “Qual é a vida media de uma página web? As estimativas variam muito. Em 1997, um artigo publicado na Scientific American falava de 44 dias. Em 2001, um relatório da IEEE Computer sugeriu 75 dias; em 2003, um artigo do Washington Post falou em 100 dias. A determinação da vida media de uma página web é muito complicada e difícil de ser mensurada. Esta temática foi abordada por Nicholas Taylor, num dos blogs da Library of Congress. Maiores detalhes no URL: URL: http://blogs.loc.gov/digitalpreservation/2011/11/the-average-lifespan-of-a-webpage/”

O Conversamos tem as marcas do tempo e das ideias expostas, até porque, como disse um dia um dilecto vizinho da blogoesfera, o próprio blog ajuda o autor a perceber o que foi mudando no tempo. Evidencia gostos, temas recorrentes, bibliofilias e fixação em alguns autores, as ditas tendências valorativas. Serve-me de qualquer coisa entre moleskine, notas de rodapé e caixa de arquivo para ter e divulgar. Continuemos a rolar…

12-dreamstime

O primeiro post, a seguir ao de «início», foi a transcrição do Decálogo Liberal, de Bertrannd Russel.

The Ten Commandments that, as a teacher, I should wish to promulgate, might be set forth as follows

Os Dez Mandamentos que promulgaria, como professor, podem ser estabelecidos como se segue:

1. Do not feel absolutely certain of anything.

1. Não te sintas absolutamente certo de coisa alguma.

2. Do not think it worth while to proceed by concealing evidence, for the evidence is sure to come to light.

2. Não penses que vale a pena proceder com ocultação de evidências, pois elas virão, inapelavelmente, à luz .

3. Never try to discourage thinking for you are sure to succeed.

3. Nunca tentes desencorajar o raciocínio pois com ele vencerás.

4. When you meet with opposition, even if it should be from your husband or your children, endeavor to overcome it by argument and not by authority, for a victory dependent upon authority is unreal and illusory.

4. Quando encontrares oposição, mesmo que seja a de marido ou filhos, esforça-te por superá-la pela força dos argumentos e não pela da autoridade, pois uma vitória que depende da autoridade é irreal e ilusória.

5. Have no respect for the authority of others, for there are always contrary authorities to be found.

5. Não respeites a autoridade de outros, pois encontrarás sempre autoridades contraditórias.

6. Do not use power to suppress opinions you think pernicious, for if you do the opinions will suppress you.

6. Não uses o poder para suprimir opiniões que julgas perniciosas, pois se o fizeres as opiniões suprimir-te-ão.

7. Do not fear to be eccentric in opinion, for every opinion now accepted was once eccentric.

7. Não temas ser excêntrico nas tuas opiniões pois toda e qualquer opinião hoje aceite já foi outrora excêntrica.

8. Find more pleasure in intelligent dissent that in passive agreement, for, if you value intelligence as you should, the former implies a deeper agreement than the latter.

8. Encontra mais prazer na divergência inteligente do que na concordância passiva visto que, se apreciares devidamente a inteligência, a primeira implica um acordo mais profundo do que a segunda.

9. Be scrupulously truthful, even if the truth is inconvenient, for it is more inconvenient when you try to conceal it.

9.  Sê escrupulosamente verdadeiro, mesmo que a verdade seja inconveniente, pois mais inconveniente será quando tentas ocultá-la.

10. Do not feel envious of the happiness of those who live in a fool’s paradise, for only a fool will think that it is happiness.”

10. Não sintas inveja da felicidade daqueles que vivem num paraíso de insensatos, pois somente um insensato pensará que isso é felicidade.

“A Liberal Decalogue”, The Autobiography of Bertrand Russell, Vol. 3: 1944-1969, pp. 71-2.

 

11?!

master-number-11

A 1 de janeiro de 2005, o Conversamos?! começou – na génese, nos Blogs do Sapo, onde realmente nasceu, em 2001. Passou uns anos no Blogspot e foi daí importado para aqui, para o WordPress e ligado ao FaceBook em dezembro de 2010. Contas feitas, exatamente onze anos.

De arquivos, assim dizendo. De conversas, excertos, imagens, viagens, reflexões e factos.

11-candles

 

“Qual é a vida media de uma página web? As estimativas variam muito. Em 1997, um artigo publicado na Scientific American falava de 44 dias. Em 2001, um relatório da IEEE Computer sugeriu 75 dias; em 2003, um artigo do Washington Post falou em 100 dias. A determinação da vida media de uma página web é muito complicada e difícil de ser mensurada. Esta temática foi abordada por Nicholas Taylor, num dos blogs da Library of Congress. Maiores detalhes no URL: URL: http://blogs.loc.gov/digitalpreservation/2011/11/the-average-lifespan-of-a-webpage/”

“Comedores de paisagem”

Vale mesmo a pena 🙂 Comedores de Paisagem

“Comer não é só alimentar-se… A comida também é acerca de lugares, épocas, pessoas, e a memória que guardamos disso. Há quem se alimente de apenas paisagem. Viaje para ver, cheirar, tocar, ouvir e provar montes e vales, florestas e montanhas, rios e dunas de areia. Há quem se desloque apenas para se confundir com o horizonte, caminhar no deserto ou subir um monte coberto de neve, apreciando pedras, flores e animais, saboreando sem destruir.”

É um Comedor de Paisagem.