Sugestão de visita

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Sugestão de visita à exposição “135 Anos de Ensino de Enfermagem em Coimbra”, da Escola Superior de Enfermagem de Coimbra, com curadoria CulturAge. No Convento São Francisco em Coimbra, de 22 de Outubro a 20 de Novembro das 15 às 20h.
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Com foco na História

tese APG

Da assistência aos pobres aos cuidados de saúde primários em Portugal : o papel da enfermagem 1926-2002

Ana Paula Gato R. Polido Rodrigues, orientador Sakellarides, Constantino; Abreu, Laurinda; 2013

 Este estudo analisa a forma como os cuidados de saúde não hospitalares e a enfermagem comunitária, se desenvolveram e se influenciaram mutuamente, no período 1926-2002. Trata-se de um estudo histórico que recorre a fontes escritas, imagéticas e orais, e utiliza conceções do novo institucionalismo e os conceitos de poder e biopoder de Foucault, para investigar este processo. Apresenta e analisa as origens destes cuidados e da enfermagem comunitária, o modo como se institucionalizaram e como evoluíram. A criação e desenvolvimento dos cuidados de saúde não hospitalares foram acompanhados pela individualização da enfermagem comunitária. As políticas e práticas dos cuidados de saúde primários e da enfermagem comunitária apresentam uma clara dependência do percurso já realizado. A sua génese está ligada a práticas de caridade cristã de assistência aos mais pobres liderada pelas Misericórdias e ordens religiosas. O novo entendimento sobre o papel do Estado relativamente à saúde conduziu à criação de instituições não hospitalares e à diferenciação da enfermagem comunitária. Assinale-se como momentos positivos para enfermeiros e instituições a formação das visitadoras sanitárias, apoio à formação em saúde pública pela Fundação Rockefeller, a criação de instituições corporativas, privadas e públicas de cuidados não hospitalares, a reforma de 1971 e o movimento dos CSP. As políticas institucionais condicionaram o próprio desenvolvimento e o da enfermagem comunitária, devido aos estereótipos associados ao papel da mulher, à multiplicidade e disparidade de formações e às visões divergentes sobre o que era a enfermagem comunitária. Este processo de desenvolvimento entretecido entre enfermagem comunitária e CSP apresenta influências e contributos mútuos. Os cuidados de saúde não hospitalares proporcionaram aos enfermeiros formação, desenvolvimento profissional, oportunidade de uma intervenção diversificada e com elevado grau de autonomia. Já estes trouxeram aproximação à comunidade, atenção especial aos mais vulneráveis, criatividade, capacidade de adaptação perante condições adversas, contribuindo para a visibilidade e relevância afetiva dos CSP.

http://run.unl.pt/handle/10362/10616

“A saúde e os enfermeiros entre o vintismo e a regeneração : 1821-1852”

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Tese de doutoramento, de Carlos Subtil

“apresentação e discussão do corpus documental que permitiu reunir elementos para a história da saúde pública em Portugal entre a revolução liberal de 1820 e o movimento regenerador de 1852 e as linhas de continuidade e de rutura em relação ao “Antigo Regime”. Usando a metodologia de investigação histórica, recorremos a diversas fontes arquivísticas constituídas, sobretudo, por coleções de legislação, pelo teor dos diários das Cortes Gerais e Extraordinárias (1821-1822) e da Câmara dos Senhores Deputados (1822-1852) e pelas coleções de contas, orçamentos e documentos apresentados pelo Ministro da Fazenda às Cortes (1836-1852). Também se consultaram outras fontes para reunir elementos sobre a arqueologia da prática e dos discursos identitários dos enfermeiros nos finais do “Antigo Regime”. A análise do material recolhido permite destacar a “ciência de polícia médica” como um elemento fundador e estruturante das políticas de saúde pública, fazer a genealogia do Conselho de Saúde Pública e identificar os avanços, as hesitações e resistências à edificação dum sistema de saúde pública, à definição da sua estrutura, organização e campos de intervenção. Num quadro social de miséria e subdesenvolvimento e num cenário de permanente conflitualidade política e institucional, identificam-se as epidemias, os expostos, os enterros nas igrejas, a vigilância de grupos marginais e a higiene dos espaços públicos como alguns dos principais problemas de saúde pública.”

Marília Pais Viterbo de Freitas [10.08.2015] RIP

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Os nossos caminhos cruzaram-se, nos inícios dos Noventas (do século passado). Víamos a História de forma diferente mas apreciávamos de modo semelhante a História de Enfermagem e das Mulheres, respeitámos, mutuamente, as nossas diferenças e contributos.

Viterbo de Freitas, Marília, MVF, é uma personalidade incontornável na nossa própria história, desde o tempo de resistência ao Estado Novo, à Associação Portuguesa de Enfermeiros (APE) e no Fórum Nacional das Organizações Profissionais de Enfermeiros (FNOPE) assim como no International Council of Nurses.

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Recomendo vivamente o post em Silêncios e Memórias

Saliento os seus trabalhos em Dicionário no Feminino (Séculos XIX-XX) [LIvros Horizonte, 2005] e Feminae – Dicionário Contemporâneo [CIG, 2013] assim como os livros cujas capas se apresentam: Comadres e Matronas e Vidas de Enfermeiras.

Do site da OE: “Marília Viterbo de Freitas, Presidente da Associação Portuguesa de Enfermeiros (APE) entre 1980 e 2011. Foi nessa qualidade que participou, durante anos, no Fórum Nacional das Organizações Profissionais de Enfermeiros (FNOPE), tendo sido homenageada pelo seu trabalho na última reunião em que esteve presente, realizada a 21 de junho de 2011.
(…)  Releia aqui a entrevista publicada na ROE nº 41 (página 24).”

“Chamem o José Bernardo!”, disse Miguel Bombarda

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Para quem não se recorda, “Os dias que antecederam a implantação da República em Portugal foram vividos com agitação. No dia 3 de Outubro de 1910 o médico Miguel Bombarda foi alvo de um atentado em consequência do qual acabaria por falecer. A notícia, no jornal de 4 de Outubro, de contornos dramáticos, ocupa toda a primeira página do jornal e estende-se pelas páginas seguintes. Nesse relato, muito pormenorizado de como tudo aconteceu, é referido um apelo feito pelo médico à entrada do Banco, do ainda, Hospital Real de S. José: “Chamem o José Bernardo! Preciso ser operado”.

Duas simples frases que suscitam a interrogação: O que é que levaria alguém, gravemente ferido, a chamar, em primeiro lugar, por aquele enfermeiro? Quais seriam as suas qualidades e competências? Especialmente quando esse «alguém» era Miguel
Augusto Bombarda”

“História de Enfermagem e Políticas de Saúde”

Iniciado em Agosto, o Bates Center Blog Nursing abre com  Echoes and Evidence: An Introduction

 

Barbara Bates Center for the Study of the History of Nursing,  Pennsylvania University – para quem aprecia, uma série de materiais «free-download» em pdf – Nursing, History and Health Care website

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Echoes and Evidence is a project of the Barbara Bates Center for The Study of The History of Nursing designed to link historical scholarship to contemporary health policy issues. We cover a wide variety of issues critical to understanding how our health care system developed and works.

Recomendo Where do all the nurses go?

História de Enfermagem [em francês]

Do curandeiro ao diplomado: história da profissão de enfermagem em Portugal (1886-1955)

Tese de doutoramento em História (área de conhecimento em Idade Contemporânea)

Helena Sofia Rodrigues Ferreira da Silva

Orientação  Jean-PierreGoubert e Margarida Durães

capa PhD Helena SilvaO objectivo deste trabalho é analisar o processo histórico da profissionalização da enfermagem em meio hospitalar, em Portugal, através da definição das características originais, apesar da influência estrangeira (francesa e britânica). A situação político-religiosa em constante mudança, bem como os progressos da medicina e dos hospitais contribuíram também para a evolução da enfermagem até atingir o estatuto de profissão. A análise parte do contexto histórico português, destacando o papel desempenhado por determinadas ordens religiosas e instituições, como as Misericórdias, nos cuidados aos doentes na passagem à profissão. O desenvolvimento da profissão de enfermagem passa primeiro por uma formação, depois pela composição de um grupo restrito, socialmente reconhecido e com uma identidade única. As características originais presentes neste processo serão definidas através do estudo da criação das escolas de enfermagem até à uniformização das mesmas em Portugal, incluindo o seu funcionamento e os conhecimentos dispensados. O percurso dos alunos de duas escolas privadas, uma gerida pela Misericórdia do Porto e a outra pela de Braga, é analisado em detalhe. Este trabalho examina igualmente a evolução até à regulamentação da profissão e à criação de um sistema de controlo do seu exercício. O importante papel que as corporações e as publicações periódicas desenvolvem neste processo não é posto de parte, uma vez que contribuíram para a troca de conhecimentos e para o desenvolvimento da ideia de grupo. Por último, o exercício da enfermagem no Hospital Geral de Santo António (Porto) é objecto de uma análise que permite conhecer a sua evolução e as consequências para os seus profissionais.

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“Qu’il s’agisse d’automédication ou bien d’hétéromédication, les soins existent depuis que l’Homme est apparu : en vue de lutter contre la maladie et contre la menace de mort et donc de permettre la continuation de la vie. Loin d’avoir toujours été un métier ou une profession, les soins initialement semblent avoir été une occupation quasi spontanée, fondée sur une tradition orale et empirique, basée sur une culture. Ce savoirfaire se transmettait oralement de génération en génération. Une autre question se pose à cet égard : celle de la division socio-sexuée des soins donnés et reçus en cas d’hétéromédication, en temps de santé et /ou de maladie. Les femmes assumèrent les soins courants de la maisonnée, tels les soins du corps et ceux liés à l’alimentation ; les hommes, quant à eux, s’occupèrent des soins aux blessés dans les corps d’infirmiers attachés aux armées” p. 25