História de Enfermagem – seção biografias e testemunhos

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http://www.scielo.br/pdf/reeusp/v50n3/pt_0080-6234-reeusp-50-03-0498.pdf

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A 1 de novembro [de 1955]

Terramoto acompanhado de maremoto em Lisboa no ano de 1755.jpgFoi a 1 de novembro de 1955 que ocorreu o Terramoto de Lisboa, às 9h30 ou 9h40 da manhã. Relatos da época afirmam que os abalos foram sentidos, consoante o local, durante entre seis minutos a duas horas e meia…
“O terramoto durou cinco anos (1755-1760); e subverteu as ruas e as casas, os templos, os monumentos, as instituições, os homens, e até as suas ideias. E sobre as ruínas e destroços da cidade maldita, levantou-se a Jerusalém do utilitarismo burguês; sobre as migalhas de Síbare, a efémera Salento do marquês de Pombal.
Na manhã do 1º de Novembro a cidade estremeceu, abalada profundamente, e começou a desabar. Eram nove horas da manhã, dia de Todos-os-Santos.
(…)
Dessa hecatombe nasceu o poder do marquês de Pombal; e o acaso, aterrando os ânimos com o pavoroso acontecimento, preparou-os para aceitarem submissamente o jugo do tirano, que ia consumar o terramoto político, depois da natureza ter consumado a ruína da cidade perdida de D. João V.”

Oliveira Martins, História de Portugal (1879). Lisboa: INCM, 1988. p. 172

E sobre o assunto, uma tese de doutoramento de Enfermagem focou-se no socorro às vítimas – assunto que se recomenda, naturalmente, pelas aprendizagens que o passado pode aportar ao presente. É para ler:  Maria Amélia Dias Ferreira, O socorro às vítimas do Terramoto de Lisboa (1755)

Sugestão de visita

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Sugestão de visita à exposição “135 Anos de Ensino de Enfermagem em Coimbra”, da Escola Superior de Enfermagem de Coimbra, com curadoria CulturAge. No Convento São Francisco em Coimbra, de 22 de Outubro a 20 de Novembro das 15 às 20h.

Com foco na História

tese APG

Da assistência aos pobres aos cuidados de saúde primários em Portugal : o papel da enfermagem 1926-2002

Ana Paula Gato R. Polido Rodrigues, orientador Sakellarides, Constantino; Abreu, Laurinda; 2013

 Este estudo analisa a forma como os cuidados de saúde não hospitalares e a enfermagem comunitária, se desenvolveram e se influenciaram mutuamente, no período 1926-2002. Trata-se de um estudo histórico que recorre a fontes escritas, imagéticas e orais, e utiliza conceções do novo institucionalismo e os conceitos de poder e biopoder de Foucault, para investigar este processo. Apresenta e analisa as origens destes cuidados e da enfermagem comunitária, o modo como se institucionalizaram e como evoluíram. A criação e desenvolvimento dos cuidados de saúde não hospitalares foram acompanhados pela individualização da enfermagem comunitária. As políticas e práticas dos cuidados de saúde primários e da enfermagem comunitária apresentam uma clara dependência do percurso já realizado. A sua génese está ligada a práticas de caridade cristã de assistência aos mais pobres liderada pelas Misericórdias e ordens religiosas. O novo entendimento sobre o papel do Estado relativamente à saúde conduziu à criação de instituições não hospitalares e à diferenciação da enfermagem comunitária. Assinale-se como momentos positivos para enfermeiros e instituições a formação das visitadoras sanitárias, apoio à formação em saúde pública pela Fundação Rockefeller, a criação de instituições corporativas, privadas e públicas de cuidados não hospitalares, a reforma de 1971 e o movimento dos CSP. As políticas institucionais condicionaram o próprio desenvolvimento e o da enfermagem comunitária, devido aos estereótipos associados ao papel da mulher, à multiplicidade e disparidade de formações e às visões divergentes sobre o que era a enfermagem comunitária. Este processo de desenvolvimento entretecido entre enfermagem comunitária e CSP apresenta influências e contributos mútuos. Os cuidados de saúde não hospitalares proporcionaram aos enfermeiros formação, desenvolvimento profissional, oportunidade de uma intervenção diversificada e com elevado grau de autonomia. Já estes trouxeram aproximação à comunidade, atenção especial aos mais vulneráveis, criatividade, capacidade de adaptação perante condições adversas, contribuindo para a visibilidade e relevância afetiva dos CSP.

http://run.unl.pt/handle/10362/10616

“A saúde e os enfermeiros entre o vintismo e a regeneração : 1821-1852”

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Tese de doutoramento, de Carlos Subtil

“apresentação e discussão do corpus documental que permitiu reunir elementos para a história da saúde pública em Portugal entre a revolução liberal de 1820 e o movimento regenerador de 1852 e as linhas de continuidade e de rutura em relação ao “Antigo Regime”. Usando a metodologia de investigação histórica, recorremos a diversas fontes arquivísticas constituídas, sobretudo, por coleções de legislação, pelo teor dos diários das Cortes Gerais e Extraordinárias (1821-1822) e da Câmara dos Senhores Deputados (1822-1852) e pelas coleções de contas, orçamentos e documentos apresentados pelo Ministro da Fazenda às Cortes (1836-1852). Também se consultaram outras fontes para reunir elementos sobre a arqueologia da prática e dos discursos identitários dos enfermeiros nos finais do “Antigo Regime”. A análise do material recolhido permite destacar a “ciência de polícia médica” como um elemento fundador e estruturante das políticas de saúde pública, fazer a genealogia do Conselho de Saúde Pública e identificar os avanços, as hesitações e resistências à edificação dum sistema de saúde pública, à definição da sua estrutura, organização e campos de intervenção. Num quadro social de miséria e subdesenvolvimento e num cenário de permanente conflitualidade política e institucional, identificam-se as epidemias, os expostos, os enterros nas igrejas, a vigilância de grupos marginais e a higiene dos espaços públicos como alguns dos principais problemas de saúde pública.”

Marília Pais Viterbo de Freitas [10.08.2015] RIP

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Os nossos caminhos cruzaram-se, nos inícios dos Noventas (do século passado). Víamos a História de forma diferente mas apreciávamos de modo semelhante a História de Enfermagem e das Mulheres, respeitámos, mutuamente, as nossas diferenças e contributos.

Viterbo de Freitas, Marília, MVF, é uma personalidade incontornável na nossa própria história, desde o tempo de resistência ao Estado Novo, à Associação Portuguesa de Enfermeiros (APE) e no Fórum Nacional das Organizações Profissionais de Enfermeiros (FNOPE) assim como no International Council of Nurses.

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Recomendo vivamente o post em Silêncios e Memórias

Saliento os seus trabalhos em Dicionário no Feminino (Séculos XIX-XX) [LIvros Horizonte, 2005] e Feminae – Dicionário Contemporâneo [CIG, 2013] assim como os livros cujas capas se apresentam: Comadres e Matronas e Vidas de Enfermeiras.

Do site da OE: “Marília Viterbo de Freitas, Presidente da Associação Portuguesa de Enfermeiros (APE) entre 1980 e 2011. Foi nessa qualidade que participou, durante anos, no Fórum Nacional das Organizações Profissionais de Enfermeiros (FNOPE), tendo sido homenageada pelo seu trabalho na última reunião em que esteve presente, realizada a 21 de junho de 2011.
(…)  Releia aqui a entrevista publicada na ROE nº 41 (página 24).”

“Chamem o José Bernardo!”, disse Miguel Bombarda

MBombarda

Para quem não se recorda, “Os dias que antecederam a implantação da República em Portugal foram vividos com agitação. No dia 3 de Outubro de 1910 o médico Miguel Bombarda foi alvo de um atentado em consequência do qual acabaria por falecer. A notícia, no jornal de 4 de Outubro, de contornos dramáticos, ocupa toda a primeira página do jornal e estende-se pelas páginas seguintes. Nesse relato, muito pormenorizado de como tudo aconteceu, é referido um apelo feito pelo médico à entrada do Banco, do ainda, Hospital Real de S. José: “Chamem o José Bernardo! Preciso ser operado”.

Duas simples frases que suscitam a interrogação: O que é que levaria alguém, gravemente ferido, a chamar, em primeiro lugar, por aquele enfermeiro? Quais seriam as suas qualidades e competências? Especialmente quando esse «alguém» era Miguel
Augusto Bombarda”