
“Era uma vez um pintor que tinha um aquário com um peixe vermelho. Vivia o peixe tranquiliamente acompanhado pela sua cor vermelha até que principiou a tornar-se negro a partir de dentro, um nó preto atrás da cor encarnada. O nó desenvolvia-se alastrando e tomando conta de todo o peixe. Por fora do aquário o pintor assistia surpreendido ao aparecimento do novo peixe.
O problema do artista era que, obrigado a interromper o quadro onde estava a chegar o vermelho do peixe, não sabia que fazer da cor preta que ele agora lhe ensinava. Os elementos do problema contituíam-se na observação dos factos e punham-se por esta ordem: peixe, vermelho pintor – sendo o vermelho nexo entre o peixe e o quadro através do pintor. O preto formava a insídia do real e abria um abismo na primitiva fidelidade do pintor.
Ao meditar sobre as razões da mudança exactamente quando assentava na sua fidelidade, o pintor supôs que o peixe, efectuando um número de mágica, mostrava que existia apenas uma lei abrangendo tanto o mundo das coisas como o da imaginação. Era a lei da metamorfose.
Compreendida esta espécie de fidelidade, o artista pintou um peixe amarelo.”
Herberto Helder – Os passos em volta. Assirio & Alvim

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E eis senão quando a cor amarela do peixe pintado começa a escorrer na tela. Por fim, o peixe ficou da cor da água onde pertencia.
Por: Daisy em 23/02/2009
às 17:21
lindo…
)
Nada como um diferente final feliz.
Por: LN em 01/03/2009
às 2:53
Obrigado pela pesca.
Com a devida licença, vou colocar este texto na Peixologia.
Por: JN em 01/03/2009
às 18:18
Toda a licença
O mais interessante é mesmo a história
Por: LN em 05/03/2009
às 17:24